O que ando a ler

Tenho de confessar que habitualmente leio mais literatura traduzida do que nacional, mas não poderia falhar o mais recente romance de Lídia Jorge, Misericórdia, a cujo lançamento público, aliás, assisti e constituiu um belo momento, com leituras de Ana Zanatti e apresentação de José Tolentino Mendonça. Misericórdia foi, se percebi bem, um «livro pedido», mas não encomendado. A mãe da escritora, que estava num lar de terceira idade (e morreu durante a pandemia), pediu à filha que escrevesse sobre esses lugares onde muitos velhos passam os últimos anos das suas vidas. Lídia Jorge fez-lhe a vontade; e, a par do dia-a-dia narrado pela D. Alberti (ou Maria Alberta), que nos põe a par do que se passa na instituição (desde as amizades, as embirrações ou as queixas, até às comidas, às entradas de novos utentes, aos passatempos, às paixões e às visitas, também da morte, especialmente de noite), é-nos contada a relação da narradora com a filha e a obra da filha, que aquela vê demasiado soturna e sempre sobre fracos e oprimidos quando existem tantos homens e mulheres capazes de actos heróicos que certamente fariam vender o dobro dos exemplares. As figuras são muito verosímeis, sobretudo a da cuidadora brasileira que não larga o telemóvel; e, apesar de ainda ir a pouco mais de um terço e de o tema ser obviamente sério, não consigo deixar de sorrir com um mistério que envolve uma morte que quiçá pode ser explicada por algumas pessoas ignorarem que certas actos, praticados em determinada idade, comportam alguns riscos... Vamos ver o que se segue.

Comentários

  1. Quando li Misericórdia e cheguei à última página, dei comigo a pensar que Lídia Jorge merece o Nobel. E também, que bela homenagem à sua mãe!

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  2. Ando a ler "A Pista de Gelo", de Roberto Bolaño, na sequência de ter lido um pouco por acaso "O III Reich" de que gostara muito. Tem-me surpreendido a alta qualidade narrativa deste escritor.

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  3. Eu ando a ler o último de Richard Zimler, um dos meus autores preferidos :)

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  4. "COISAS DE LOUCOS" - O QUE ELES DEIXARAM NO MANICÓMIO de Catarina Gomes - Um livro que relata as vidas que tiveram os donos dos objectos (espólio que se deixa quando se entra num hospital) deixados pelos "loucos" do Hospital Miguel Bombarda que ali eram "aprisionados" para toda a vida, pessoas que tinham família, isolados do mundo já que naquela altura, final do séc. XIX e o começo do séc. XX.
    Muito interessante este livro que resgata do esquecimento a vida destes doentes confinados neste hospital psiquiátrico já que os psicofármacos estavam fora do horizonte e o fechamento dos doentes era a única solução.

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  5. Ando a ler TOMÁS NEVINSON de Javier Marias. Universo intrigante, espiões, culpas e problemas de consciência, os grupos de guerrilha. Devagar o autor vai descrevendo o ambiente mas espero encontrar mais lá para a frente um empolgante mistério.

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  6. António Luiz Pacheco2 de dezembro de 2022 às 04:27

    Já merecia, já sim senhora!
    Têm atribuído Nobeis da literatura a escritores com menos obra e muitíssimo menos alma!!!!

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  7. António Luiz Pacheco2 de dezembro de 2022 às 04:30

    Ando a ler um Extraordinário livro de um não menos Extraordinário autor:
    - De Carlos Campaniço, "Velhos Lobos".
    Foi anunciado aqui no Horas Extraordinárias e em boa hora, como em boa hora o comprei, pois gosto do autor e dos seus temas, gosto da portugalidade, gosto do ruralismo na escrita e em particular a forma como ele trata os temas e as pessoas, dos personagens!
    Aconselho!
    Saudações cá da Cidade Morena.

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  8. Gostaria so de deixar a minha opiniao sobre o livro que o meu antecessor mencionou "Tomas Nevinson".O anterior "Berta Isla" e muito interessante e le-se com muito agrado.Ja este,acho muito embrulhado,sem grande progressao e so mais para o fim se revela.
    Comparando um com o outro,este segundo fica muito aquem.

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  9. Concordo inteiramente com a sua opinião. Berta Isla foi uma descoberta que Thomas Nevinson não acompanhou.

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