Livros e futebol

Em Outubro fizemos o primeiro lançamento de A Casa Ocupada, pouco depois da sua saída efectiva para o mercado, no festival FOLIO, com a apresentação de Fernando Cabral Martins. Mas, claro, por muito queridos que sejam os nossos amigos e familiares, nem sempre dá para fazermos oitenta quilómetros só para assistirmos à apresentação de um romance durante meia hora. Por isso, decidimos que tínhamos de repetir a proeza em Lisboa, que é a cidade onde a autora, Graça Videira Lopes, vive e foi professora muitos anos, até porque havia o desejo de que o apresentador fosse alguém da área económica, já que a protagonista é economista (até rimou) e o palacete que serve de ponto de partida ao romance também mereceu obras de divisão e reforma que nasceram, claro, de alguém com uma boa visão económica. Portanto, o lançamento seria hoje à tarde, como apresentação de Nicolau Santos, um jornalista que foi por décadas director do Caderno de Economia do Expresso. Mas eis que o futebol muda tudo, e o jogo de Portugal calhou exactamente à hora do lançamento. Como corríamos o risco de não ter assistência, a autora pediu o adiamento da sessão e o apresentador não disse que não. Mas, caramba!, desde quando é que o futebol manda mais que os livros? Bem, a quem pensava ir, não vá. Mas, pelo menos, leia A Casa Ocupada, que vale muito a pena.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco6 de dezembro de 2022 às 01:05

    Já falámos nesse livro aqui, e, ficou o interesse pelo tema em si, aliás actual e pertinente.
    Veremos quando aí for e encontrar o livro na Bertrand, na Livraria Costa ou na (já não sei o nome) Leya/Caminho/D.Quixote em Santarém... acontece que eu não compro nada na FNAC por razões pessoais.
    Espero encontrar ainda um ou dois títulos que tenho em mente procurar.

    Contudo, e a propósito do tema de hoje, sim, eu diria que para o grande público, o futebol é mais importante que os livros! Aliás mais importante que quase tudo.
    O facto de não ligar lá muito ao futebol, também não o desprezo nem hostilizo, apenas não consumo, não assisto e quase não sigo. No entanto sei bem que é uma força que move muita coisa e anima, apaixona, muita gente, até pessoas da cultura que são "doentes pela bola". Por mim tudo bem, não me incomoda, e, se dá que pensar é para perceber o que é o Mundo e como ele funciona. Temos de ser realistas.

    Enfim, só espero que Portugal ganhe e siga em frente, que o CR7 consiga marcar um ou dois golos e toda a gente fique contente.
    O pessoal angolano, segue viva e apaixonadamente a nossa selecção, que penso que a par do Tio Celito são por cá a melhor imagem do nosso país, e fontes de popularidade.

    Saudações futebolísticas cá da Cidade Morena, encharcada. Temos ano de chuva!!!

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  2. Casa Ocupada já tem uma dimensão razoável, mas País Ocupado pelo futebol é a tragédia máxima. Eu que sou apreciador de futebo já percebi há muitos meses que Cristiano Ronaldo é agora CR0.

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  3. Concordo absolutamente com a opinião de António Luiz Pacheco sobre o fenómeno „futebol“. Na última sexta-feira, como tinha bilhete para ir ao teatro 🎭 não vi o jogo da nossa seleção, mas estive sempre em sobressalto com toda a razão.

    O grupo do meu Círculo Literário não compreende que eu goste de futebol ⚽️ A arrogância de certos intelectuais é por vezes irritante.

    FORÇA PORTUGAL 🇵🇹 para esta noite com os meus vizinhos suíços.
    Torci pelos suíços no jogo contra o Brasil.
    Esta noite sofro com a seleção das Quinas.

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  4. António Luiz Pacheco6 de dezembro de 2022 às 03:19

    Ora aí está uma opinião esclarecida e uma postura franca!
    Que cada um seja livre de gostar e assistir, ao que gosta. Sim, por vezes os intelectuais conseguem ser irritantes, concordo plenamente.
    Não vou assistir, nem tenho canais de futebol, mas torço óbviamente poe Portugal.
    Saudações cá da Cidade Morena.

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  5. O futebol têm uma força que a Cultura nunca terá, por mil e uma razões (e muito menos ainda os livros...).

    A mais forte talvez seja o seu cariz popular e ser de fácil entendimento, toda a gente acha que percebe do jogo do "pontapé na bola".

    Durante anos fazia parte da organização de uma tertúlia cultural mensal que se realizava em Almada (às quintas) e quando havia competições europeias de futebol, havia mais cadeiras vazias...

    Acho que até é uma questão de bom senso, não querer fazer frente ao futebol.

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  6. António Luiz Pacheco6 de dezembro de 2022 às 12:38

    Não há uma velha máxima que diz, " se não os podes vencer, junta-te a eles?".
    Eheheh!
    Tem muita razão Extraordinário Luis, sabemos bem o peso daquilo que é o gosto popular, e não adianta remar contra essa maré. Entenda-se, antes...
    Grande abraço!

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