Listas

Como acontece todos os anos por esta altura, os jornais já começaram a publicar nos seus suplementos culturais as listas dos melhores em todas as áreas: livros, cinema, teatro, dança, música, exposições... Não resisto a passar os olhos por este tipo de trabalho, embora me pergunte sempre para que é que isto realmente serve. Nos casos de exposições ou espectáculos, raramente os escolhidos continuam a poder ver-se: as mostras foram mostradas durante um determinado período numa certa galeria e quem as viu pode sentir-se cheio de sorte, mas quem não as viu ficará frustrado porque elas já são apenas história; e o mesmo acontece relativamente às artes ditas performativas, porque raramente as companhias de teatro e dança fazem itinerância, até porque os cenários nem sempre são transportáveis... Sobram geralmente os filmes, que mais cedo ou mais tarde ficam disponíveis em DVD ou streaming; a música, que pode ser ouvida sobretudo em plataformas,  já que os CD estão a desaparecer; e os livros, mas estes ficam cada vez menos tempo nas livrarias, o que pode fazer com que algum dos eleitos pelos críticos, se tiver sido publicado no primeiro semestre do ano, seja quase impossível de encontrar. Mas, além disso, sabemos que as escolhas são sempre viciadas, porque nenhum crítico consegue ver tudo, ouvir tudo e ler tudo, votando sempre no que conhece e deixando de fora coisas importantes, só por não lhes ter posto a vista em cima. Ora, sabendo tudo isto, sou atraída pelas listas... Porque será?

Comentários

  1. Because:

    "In the current media environment, a list is perfectly designed for our brain. We are drawn to it intuitively, we process it more efficiently, and we retain it with little effort. Faced with a detailed discussion of policies toward China or five insane buildings under construction in Shanghai, we tend to choose the latter bite-sized option, even when we know we will not be entirely satisfied by it. And that’s just fine, as long as we realize that our fast-food information diet is necessarily limited in content and nuance, and thus unlikely to contain the nutritional value of the more in-depth analysis of traditional articles that rely on paragraphs, not bullet points."

    https://www.newyorker.com/tech/annals-of-technology/a-list-of-reasons-why-our-brains-love-lists

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  2. As listas são caminhos estreitos que reduzem a imensidão;
    Por vezes são guias, outras preocupação.
    É também a Matemática que se apresenta com prontidão.

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  3. Se é de listas que hoje se fala, e eu gosto de listas, então aqui vai a minha para as minhas próximas leituras:

    - MOCIDADE PORTUGUESA -Prof. Jorge Calado

    -EDIFÍCIOS ABANDONADOS EM PORTUGAL -Ricardo Raimundo

    - SEM AMOR, SEM ABRIGO

    -HOMOSSEXUAIS NO ESTADO NOVO

    -CONTOS ESCOLHIDOS-Carson McCullers

    -ROTEIRO AFETIVO DAS PALAVRAS PERDIDAS-António Mega Ferreira

    - VELHOS LOBOS-Carlos Campaniço

    -LINHA DA FRENTE- Arturo Pérez Reverte

    -O FIM É O PRINCÍPIO - Chris Whitaker

    -O HOMEM DO CASACO VERMELHO - Julian Barnes

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  4. Eu também detesto listas mas se topo uma ponho-lhe logo o olho em cima. Náo sei porque me acontece uma tristeza destas mas acredito que o poder totalitário da informação seja a maior das possiveis razões.

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  5. Como não sou uma leitora compulsiva, julgo que as leio para saber o que outras pessoas acham que seja bom. Mas pouco arrisco na compra, sem eu mesma já ter folheado o livro. São apenas títulos a lembrar-me o tanto que não li. Mas não deixam de ser escolhas de outrem. Em geral, gente que desconheço mais ou menos completamente. Logo, pouco me influenciam. É uma curiosidade.

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  6. Também adoro listas. E manifestos e cartas.
    Talvez pela esperança do trilho, a ilusão saborosa de uma viagem de possibilidades. Sabendo que são só tijolos de vidro e nem sequer janelas.
    Mas gosto tanto e também de ver o que antes se publicava muito e me abria o apetite nos livros como “Outros livros/autores publicados nesta coleção “.
    Deve ser sede. Que não será nunca saciada. Ou paixão daquela bravíssima.

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  7. Estou a ler e a gostar muitíssimo de "Velhos Lobos".
    Abraço!

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