A guerra

Na sexta-feira passada, fui, como aqui julgo ter dito, ler poemas alusivos à paz numa sessão comemorativa dos Direitos Humanos. Na verdade, para falar da paz, escrevi sobre a guerra; e li, fundamentalmente, textos que falavam das crianças que perdem as mães, das mães que perdem os filhos, e de como os livros (a arte em geral, digamos mais concretamente) nos podem mostrar todas as guerras sem nunca lá termos estado. Os poemas que li eram meus, mas durante o fim de semana estive a ler exaustivamente um pequeno livro precioso e quase me arrependi de não ter lido na sessão os belíssimos poemas desse livro. Trata-se de Aprender a Usar a Baioneta em Tempo de Guerra, de António Tavares, com desenhos magníficos de Alfredo Luz, publicado pela Húmus, uma pequena editora com livros muito bons. Os poemas falam da guerra, de todas as guerras, e fazem-no de uma forma que tem dentro realismo, surrealismo e romantismo, o que é raro encontrar junto num mesmo texto ou livro. Espero que o autor prossiga na poesia, que é mesmo muito boa, e que tenha leitores para ela, porque merece. Deixo-vos apenas uma pequena amostra, mas leiam o resto e ofereçam a quem gosta de poesia. É uma voz diferente e nova que é bom encontrar.


 


Rendição


 


Se adivinhares os dias


e as palavras certas


com que se abre o meu coração,


cá estarei, rendido


entre o mar e a montanha,


à espera da tua mão,


dessa que prometeste


que me davas,


mesmo ferido,


quase morto,


numa tarde de verão.


 

Comentários

  1. Estive presente na sessão comemorativa dos Direitos Humanos . Caminhei pelas palavras insertas nos poemas exprimidos ( não apenas lidos ) pela Maria do Rosário Pedreira. Trilhei , como espectadora , nos troços da guerra e entrei no túnel da paz .
    Com gratidão,
    AM

    ResponderEliminar
  2. Nem de propósito, andava mesmo para lhe perguntar (não sabia como) como decorreu esta anunciada iniciativa que aqui trouxe.
    Pelos vistos bem.
    A guerra foi, é e será sempre um tema literário, talvez dos mais fortes desde sempre, curiosamente a par com o amor. Creio que serão os dois temas preponderantes e mais inspiradores de tanta obra literária.
    Que sirva pelo menos para isso...
    Este verso que aqui nos propõe e é dos que até para mim fazem sentido e se percebem, é o que se chama "de pé quebrado"? Pergunto sem desprimor para quem o escreveu, mas é que o achei tão simples que sinto que até eu poderia tê-lo escrito!

    Saudações cá da Cidade Morena, terra de poetas e do matrindindi, onde quase não houve guerra,

    ResponderEliminar
  3. this is a follow link (https://www.dz-cleaning.com)

    ResponderEliminar
  4. Que lindo poema e que belíssimas edições as da Húmus. Sou fã! Boas leituras. Susana Emídio

    ResponderEliminar
  5. Rosa Cláudia Gonçalves27 de dezembro de 2022 às 16:07

    O livro é muito bonito e gosto imenso de alguns dos poemas.
    E comprei para oferecer no Natal! ☺️

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório