Um pequeno filme luminoso

Há algum tempo recebi um telefonema de Teresa Júdice, que eu conhecera havia muito na produção de um programa de entrevistas realizadas por Carlos Vaz Marques, mas nunca mais tinha voltado a ver. Desta feita, a Teresa estava a fazer um trabalho académico e queria levar a cabo a produção de um pequeno filme documental sobre poetas (mais velhos e mais jovens) e sobre o motor da respectiva criação; e convidava-me a participar nele, tal como aconteceu com Nuno Júdice, André Tecedeiro e Ana Freitas Reis. Conversámos bastante e acabei por recebê-la em minha casa (o lugar da criação) para duas interessantes sessões de perguntas e filmagens que, afinal, custaram muito menos do que supunha. A realizadora, Rita Féria, recolheu imagens bonitas de objectos e outros pormenores que identificam os poetas e voltou para descobrir a luz certa para as palavras de cada um. Hoje vai ser transmitida ao público esta curta metragem documental nas instalações da Brotéria e aqui vos mando o convite para o caso de quererem aparecer. A seguir, haverá conversa sobre o assunto.


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Comentários

  1. São muito bons estes interlúdios de cultura, em que se fala de coisas "fúteis", mas belas e boas como a criação poética!
    Num Mundo em que se vandalizam obras de arte em nome de pseudo-elevadas ideologias e morais de duvidosa origem e finalidade, é bom que haja quem ainda consiga encaixar nos média que só vivem de e para a maldade e os sinistros fins políticos gerais, ordenados pela economia galopante e preponderante, estes momentos de poesia, só pela poesia, pelo bem e pelo bom que é, faz e sabe!
    Como dizia ontem, a cultura somos nós e temos de fazer algo por ela, não esperemos que num Mundo cada vez mais cruel e intolerante, sem sensibilidade nem discernimento, haja lugar para aquilo de que gostamos e sabemos ser bom e bonito... gente tatuada, perfurada e com pedaços de metal no corpo, andrajosa, rota, desgrenhada e hirsuta não me dá muita esperança quanto à estética e poética da arte.
    Saudações sombrias, cá da Cidade Morena.

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  2. Precioso comentario de ALPacheco.
    "...gente tatuada,perfurada,com pedaços de metal no corpo,andrajosa,rota,desgrenhada,hirsuta...nao me da muita esperança quanto a estetica e poetica da arte".
    Impossivel descrever melhor o aspeto repulsivo dos ditos "criadores de arte.E mais nao digo
    .

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  3. Que vá muita gente a um lugar onde eu gostaria de estar. Que a poesia e seus poetas merecem.

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  4. E aqueles tristes a atirarem óleo a uma obra de arte...que tristeza!

    Que comentário mais brilhante o do extraordinário Paxeco. Abraço

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  5. Permito-me fugir um pouco ao tema em assunto, já que passam hoje 100 anos da data de nascimento do maior escritor português de sempre (para mim, claro)-JOSÉ SARAMAGO-.
    É que, entretanto, passou anteontem na RTP1 o 1°.episódio de uma série baseada no livro O ANO DA MORTE DE RICARDO DE REIS. Quem não leu o livro já o não vai ler, caso tenha visto o dito episódio, porque aquilo é uma estopada e uma sêca de todo o tamanho. Não será assim que se atraem leitores, bem pelo contrário, esta série afastou certamente mais uma quantidade deles, de Saramago e de leituras.

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  6. Os seus comentários são tão - por vezes, até mais - interessantes quanto as publicações principais. Agradeço a ambos, à anfitriã e a si.

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  7. Muito obrigado, sinto-me distinguido pelo seu apreço aos meus comentários de traça dos livros que aqui vem beber desta luz que diáriamente nos ilumina, e, onde se reúne um pequeno grupo de gente de qualidade, na sua Extraordinária diversidade.
    Abraço cá da Cidade Morena, para mim hoje mais luminosa graças a si.

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  8. Já a adaptação de Clarabóia - uma obra precoce de Saramago que ele próprio não apreciava muito - para teatro de televisão, me pareceu muito louvável.

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