Retratar o País
Começou por ser um convite da Fundação Francisco Manuel dos Santos ao fotógrafo Duarte Belo (que fotografa com a poesia do pai, Ruy, e a empatia da mãe, Teresa) para que, de certo modo, tirasse um retrato ao nosso Portugal. O livro teria um prefácio de Álvaro Domingues, geógrafo com reflexões importantes sobre as razões pelas quais o País é tão incrivelmente vetusto em tanta coisa, mas o prefaciador escreveu textos belíssimos sobre todas as fotografias que Duarte Belo lhe ia entregando e acabou por se tornar co-autor da obra que agora sai para os escaparates com o título Paisagem Portuguesa. O fotógrafo, segundo leio num artigo do jornal Público que deu origem a este post, dividiu o mapa de Portugal em rectângulos de 30 x 32 quilómetros e escolheu patra fotografar um lugar no interior de cada rectângulo que, no fundo, «caracterizasse o espaço natural que acolhe o povoamento». É por isso que Lisboa não está (é «o buraco negro» que absorve tudo à sua volta, segundo Álvaro Domingues) e que o território ora é representado pelo que dele já desapareceu (o pinhal de Leiria antes de arder, por exemplo), ora pela introdução de elementos modernizadores como os passadiços junto a rios e praias ou os parques eólicos. Vale de certeza a pena, vindo de quem vem, e será um belíssimo presente de Natal, até pelo preço módico que tem para uma edição desta natureza. Ver e ler.
Sem dúvida que é uma proposta que muito me atrai!
ResponderEliminarSou apaixonado por geografia (física e humana) e em particular pelo nosso país, que percorri de lés a lés e me gabo de ter conhecido muito bem, nas décadas de 80 e 90. Digo "ter conhecido", porque hoje já não o conheço como então, mudou muito, mudaram sobretudo as pessoas, que para falar com franqueza cada vez me interessam menos, sempre debruçadas sobre os aparatos eletrónicos portáteis, que repetem chavões lidos ou ouvidos algures sobre o clima ou os fogos mas sem ter conhecimento real e directo de causa, nem a menor sensibilidade para isso - limitam-se a atirar sopa às obras de arte - , e, pior só falam dos seus "patudos" que tratam por "meninos".
Isto não é Portugal, esta não é a minha gente, e, já estou velho para adoptar novas pessoas ou hábitos, atitudes e idéias cretinas.
Portanto será bem-vindo esse livro, sem o "buraco negro" e espero que sem as parangonas na moda, se bem que espero também poder ver e saber das novidades e até modernices, de que convém estar informado. Uma coisa é não gostar ou não concordar, outra é, fecharmo-nos ao resto do Mundo.
Saudações geográfico localizadas na Cidade Morena, humanas!
Vou estar atenta. A Rosário abriu-me o apetite.
ResponderEliminarDos mesmos autores, mas também do poeta Rui Lage, foi também recentemente editado pelo Museu da Paisagem o livro "Portugal Possível", que segue mais ou menos a mesma linha de reflexão sobre um Portugal de paisagens paradoxais e imaginativas que existe de modo diferente àquele que vem descrito no Diário da República e nos telejornais que dão notícias sobre Lisboa e Porto e pouco mais.
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