Pseudónimos e outras denominações
Quando comecei a publicar, houve um poeta consagrado que me disse que o meu nome não era grande coisa como nome literário; tinha razão, claro (Maria do Rosário?), e ainda equacionei a hipótese de usar outro com que, de resto, assinei uns poemas nos idos de oitenta de que já mal me lembro. Depois, porém, quando me tornei escritora juvenil (com prémio e tudo) num tempo em que era professora, a editorial Verbo pediu que mantivesse o meu nome verdadeiro para que os alunos o reconhecessem na capa dos livros. Achei então que dois nomes eram demais para alguém com metro e meio e resolvi usar o mesmo para tudo. Mas ainda tenho saudades daquele pseudónimo. Por vezes, porém, os pseudónimos causam algumas situações inesperadas e acho que já vos contei aquela vez, há muitos anos, em que Mia Couto foi convidado para um encontro sobre feminismo na África do Sul e todos estavavam à espera de uma mulher negra (Mia e moçambique...) quando lhes apareceu à frente aquele homem de olhos claros e pele branca. Mas também me lembro de um ano em que as duas autoras da colecção Uma Aventura não puderam receber logo o seu pocket money num festival em Genebra porque nenhuma delas tinha o apelido com que assinava os livros. Alçada e Magalhães eram, na verdade, os apelidos dos ex-maridos das escritoras, mas, como a colecção já ia de vento em popa, não fazia sentido alterá-los.
Nunca me despertou particular interesse a questão do anonimato consubstanciado em pseudónimos, nome artístico ou outros. No entanto, não gosto que me chamem "António", não sei porquê... prefiro o António Luiz ou para os mais íntimos, Luiz.
ResponderEliminarContudo entendo essa atitude, seja por motivos de preservação da privacidade, de segurança ou por marketing artístico.
Há muitas razões que podem justificar ou levar a isso, o que me parece óbvio.
Pessoalmente, acho o nome "Maria do Rosário" muito bonito e apelativo, creio mesmo que se adequa e compõe muito bem uma poetisa! Como ficaria muito bem como nome artístico de uma fadista. Se fosse seu consultor de marketing artístico aconselhava-o! Eheheh!
Enquanto escritora, também não me parece que assente mal.
Muita gente não gosta do seu nome, e, há os que o usam para causar impacto, mudando-o se não possui essa qualidade.
Minha mãe apresentou-se sempre com o nome de solteira. A minha irmã mais velha nunca usou o apelido de casada, manteve na sua vida pessoal e profissional o apelido de solteira, são exemplos. Os filhos dela, os meus sobrinhos mais velhos, tendo embora o apelido do pai, usam o apelido da mãe! A minha primeira mulher, começou a assinar publicações e trabalhos com o nome de casada, quando nos divorciámos optou por manter o nome de casada por razões óbvias e eu não me opus. Portanto e como digo, há miles de razões, afectivas, de merchandising, de simpatia, por tradição... até de renegar alguma sombra que pese sobre determinado nome ou pelo contrário, de tentar fugir a ela na procura do seu próprio brilho.
Enfim, como dizia o outro, desde que não me chamem estupor, podem chamar-me o que queiram... eheheh!
Saudações cá da Cidade Morena e votos de um Extraordinário fim de semana recheado de leituras e dos seus escritores, com ou sem pseudónimo!
Já que estamos num blog de leituras, a propósito do tema de hoje, não deixei de me recordar do genial "A importância de ser chamado Ernesto", de Óscar Wilde. Tem tudo a ver com o nosso tema, já que o protagonista inventa um outro nome (que será o do seu irmão louco), que ele assume quando se vai "portar mal", preservando o seu próprio nome.
ResponderEliminarUma peça teatral deliciosa, assim como todas as peças teatrais de Oscar Wilde.
ResponderEliminarEmbora seja possível, não é assim tão fácil ficar com o nome de solteira, portanto o meu apelido é Hoffbauer e perdi todos os meus apelidos portugueses. Os meus pecados poéticos assinei com o nome de Teresa Graco. Luiz é um nome lindo de morrer — o nome do meu pai.
O meu pai também se chamava Luiz.
ResponderEliminarSubscrevo !!!
ResponderEliminarUm bonito nome e raro.
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