Morte de uma escritora

Os que lêem o título deste post pensam provavelmente que me vou referir a alguém que não é de papel, mas de carne e osso; mas desta vez parece-me que podem sossegar o vosso desgosto. Trata-se de uma personagem, nomeadamente, de Cristina Pinho Ferraz, escritora «premiada e temida» que foi vista pela última vez num festival literário da Póvoa de Varzim, à porta do Teatro Garrett, após o que desapareceu durante mais de um ano sem que ninguém aparentemente perguntasse por ela. Então, foi encontrada partida em três bocados nos jardins onde, curiosamente, se costuma realizar a Feira do Livro do Porto. Casada com Samuel, um judeu de família rica que começou a escrever antes da mulher (mas precisou dela para escrever, não vos conto como), Cristina será oferecida a esse polícia genial que é Jaime Ramos em  vários retratos e relatos feitos por pessoas que lhe eram próximas (ou nem tanto) no romance maravilhoso que é Melancholia, o mais recente livro de Francisco José Viegas. E entretanto descobriremos coisas muito interessantes sobre livros que são e não são de Cristina Pinho Ferraz, sobre o passado da família do falecido, sobre as entrevistas que nunca chegaram a acontecer, embora prometidas, sobre vaidade e vingança... Além, claro, de também sermos servidos por uma melancolia que atravessa todo o livro e que afecta Olívia, a senhora que substitui agora o tristonho inspector Ramos à frente do departamento de homicídios. Melancólicos também nós, não deixaremos mesmo assim de seguir as páginas até ao que realmente aconteceu arrastados pela beleza de cada um dos seus parágrafos.

Comentários

  1. O que será "uma escritora premiada e temida"?
    Fiquei curioso.
    Quanto ao romance em si, não sendo eu lá muito dado aos romances da literatura policiária não me parece desta feita que siga a sugestão, ainda que aprecie muito a escrita de Francisco José Viegas, porém, como o tempo é cada vez menos para aquilo que gosto de ler, e, o que gosto de ler é cada vez mais escasso dado que cada vez mais escrevem aquilo de que nem por isso gosto, estou cada vez mais circunscrito.
    No fundo é assim: O Gonçalo M. Tavares só escreve o que gosta ou quer, eu, só leio o que gosto ou quero.
    Votos de sucesso a Francisco José Viegas, um homem de cultura, honesto, são os meus votos cá desde a Cidade Morena.

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  2. Já tinha lido que este livro vale a pena.

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  3. Desde que fiquei crivellizado, nunca mais.

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