Direitos das crianças

Em 1959, ano em que nasci, passaram-se coisas boas, entre as quais a adopção pela Sociedade das Nações da Declaração dos Direitos da Criança, o primeiro texto do mundo que foi adoptado por todos os países sem reservas. Este texto, que tivera uma versão inicial nos anos vinte, foi ampliado em 1959 e também quarenta anos depois, em 29 de Novembro do ano de 1989, passando então a chamar-se Convenção dos Direitos da Criança; ora, dada a proximidade da efeméride, a revista Visão Júnior, pela pena de Fernando Carvalho,  inclui um interessante artigo em que selecciona livros infantis que servem como ponto de partida para as crianças saberem e respeitarem estes direitos de que são as protagonistas. Tu e Eu e Todos, de Marco Farina, fala, por exemplo, do que torna uma criança única, abordando os temas da diferença e da igualdade. Já a Carta aos Líderes do Mundo, assinada conjuntamente por Maria Inês Almeida (portuguesa) e Flávia Lins da Silva (brasileira), é um apelo de uma menina de doze anos para que quem manda no mundo cuide do estado do Planeta para as gerações futuras. Assim como Tu, de Raquel Salgueiro e Jorge Margarido, está mais focado no problema da tolerância; mas há mais livros, claro, que ajudam a transmitir aos mais pequenos os direitos consagrados nos documentos que lhes são dedicados. De pequenino se torce o pepino.

Comentários

  1. Foram instituídos os direitos das crianças e mais tarde os direitos dos animais e é expectável que haja mais direitos a instituir. Não concordo. As crianças não apresentaram nehuma lista de direitos nem, naturalmente, de deveres. Os adultos é que o fazem. Trata-se, portanto, e muito bem, de deveres doa adultos para com as crianças. Seria bom que os fossem revendo e ampliando, porque o melhor do mundo são as crianças.

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  2. E no entanto nunca como hoje a ausência de deveres é tão óbvia.
    Talvez rasgando todas as cartas de direitos e escrevendo uma única de deveres, seja mais útil.
    Talvez apenas com um único dever: respeitar integralmente o outro.

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  3. Caro Extraordinário João Raposo, não poderia estar mais de acordo. Há muitos anos que afirmo que, para vivermos em paz, não seria necessário mais nenhuma obrigação além do respeito pelo outro. Não digo tolerância, porque esta tem implícita um poder que me leva, ou não, a ser tolerante para com o outro, enquanto que o respeito implica situar-me no mesmo plano do outro.
    Manuel Dias da Silva

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  4. Também completamente de acordo com a tolerância, conceito pelo qual tenho algum desprezo porque implica sempre um poder sobre aquele que se tolera.
    Prefiro simplesmente assumir a existência do outro ainda que muito diferente daquilo que eu sou (ou penso que sou).

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