Apoios

Num país como o nosso, em que o arco da governação oscila quase sempre entre dois partidos, o PSD e o PS, na Cultura ora temos secretário de Estado, ora ministro, conforme o governo é mais à direita ou mais à esquerda. O actual ministro conseguiu que o seu pecúlio crescesse em relação ao da sua antecessora; mas, sendo Portugal um país com pouca gente, e ainda com menos público para a Cultura (basta ver quem lê os clássicos), se não for o Estado a apoiar as letras, as artes e os espectáculos, seria completamente impossível levar a cabo algumas actividades (o cinema, certas produções teatrais, óperas internacionais ou mesmo exposições que implicam trazer peças de fora com seguros muito caros). Porém, «descentralizar» tem sido essencial e parece que o minstro em funções quer andar pelo País e não ficar apenas em Lisboa, onde se diz que se passa quase tudo. Talvez assim mudem algumas coisas, talvez não... Leio que, no Reino Unido, para corrigir as assimetrias do País, Londres vai levar uma talhada brutal no apoio às artes, quase 40 milhões de euros, que vão ser realocados em cidades e vilas que habitualmente são «subfinanciadas». Veremos o que acontece por cá. Em Londres já está tudo a piar...

Comentários

  1. SE em Londres piam, cá miam...
    Infelizmente, seja mais à esquerda ou mais à direita, é sempre a mesma coisa!
    A direita presume-se culta e de bom gosto, erudita, snob, mas são na mesma parolos e pacóvios, a cultura é coisa para alguns e nomeiam-se secretários de estado, pois para quem é, bacalhau basta!
    A esquerda, arvora-se em defensora da cultura, acha-se sofisticada e define aquilo que é de bom gosto e ou cultura, de acordo com as idéias do momento... portanto se até nomeia um ministro para dar essa impressão de que liga muito á cultura, é tudo apenas pour épater les bourgeois!
    Cultura não é propriedade de nenhuma ideologia e muito menos partidária, a verdadeira cultura, claro, pois há os tiques de esquerda e os de direita.
    Entre nós, será sempre assim... portanto a solução é irmos nós mesmos tratando da cultura e fazer um manguito aos ministros e primeiros ministros que se fingem cultos e preocupados, mas querem lá saber de algo que não sejam os fins políticos gerais!

    Saudações culturais cá da Cidade Morena.

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  2. Ó caríssimo e extraordinário Paxeco, olha que essa do "pour épater les bourgeois!" não é para todos...

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  3. Ó caríssimo e extraordinário Paxeco, olha que essa do "pour épater les bourgeois!", não é para todos...eh eh eh

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  4. Pois não... é só para um gajo munta culto, tás a ver?

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  5. O problema é que fora de Lisboa ainda existem mais problemas, na distribuição de apoios.

    Pois é, há menos gente criadora e também mais portas fechadas.

    Ou seja, continuam a ser "os mesmos de sempre" a serem apoiados (com mais descaramento porque a manutenção no poder é mais longa... só a limitação de mandatos é que impediu que alguns autarcas chegassem ao meio século de governação).

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  6. Os seus comentários são tão - por vezes, até mais - interessantes quanto as publicações principais. Agradeço a ambos, à anfitriã e a si.

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