Eduardo Halfon
Quando se fala de literatura latino-americana de língua espanhola, pensa-se quase sempre em escritores mexicanos, argentinos e colombianos, talvez por serem naturais dos países mais fortes em termos literários e com mais tradição de prémios internacionais e índices de leitura acima da média. Estive em Buenos Aires e fiquei louca com a quantidade de bancas de livros por todo o lado, com El Ateneo, uma das maiores e mais belas livrarias do mundo, e com a quantidade de gente que acorre a eventos literários em museus e bibliotecas. Na Colômbia, onde tenho a sorte de ter uma antologia de poemas traduzida e publicada, vi o interesse genuíno dos leitores, que compareciam às apresentações em Bogotá e Cartagena sem me conhecerem de lado nenhum, e dos jovens universitários numa sessão para que fui convidada; e no México, tive casa cheia em sessões de leitura de poesia e numa conferência que fiz com Rui Vieira Nery sobre fado. Sim, são países muito dados às letras e com muitíssimo bons escritores. Mas não podemos escamotear o facto de o Peru, o Chile e a Guatemala já terem tido prémios Nobel da Literatura, apesar de terem menos autores conhecidos. E é justamente deste último país um dos escritores mais interessantes da actualidade, Eduardo Halfon, de que já aqui falei a propósito de Canção e Luto, mas cujo projecto literário é verdadeiramente fascinante, combinando o registo ficcional com as memórias da família de ascendência libanesa. Não percam hoje, às 19h00, a sua conversa com Lídia Jorge no Instituto Cervantes. Só pode valer muito a pena. Eu vou!
"O ANJO LITERÁRIO" deste Engenheiro Eduardo Halfon, nascido na cidade de Gustemala mas que cresceu nos EUA, foi um livro que li em 2010 e que, na altura, não me cativou mas a que agora irei voltar pois afinal, fala de personagens que entretanto me foram interessando (Hemingway, Nabokov, Vila-Matas).
ResponderEliminarO livro, na altura, confesso que me "passou um pouco ao lado" mas agora fiquei com vontade de o reler. Creio que isto acontecerá a quem é efectivamente é leitor (compulsivo)-e estamos sempre a aprender!-.
A propósito de Guatemala e de literatura devo salientar que é um país que já tem um prémio Nobel (1967) Miguel Angel Astúrias, que tem um livro -O SENHOR PRESENTE-que (na altura em que o li -já lá vão alguns anos)- adorei.
Afinal, em termos de índices de leitura, parece que, comparados com aqueles países (referidos na crónica) a quem alguns cá do burgo se julgam superiores e olham para eles cá de cima, somos uns autênticos analfabetos. E somos mesmo uma população absolutamente analfabeta pois pelo que vejo nos concursos de cultura geral que passam na RTP1 é uma vergonha, pessoas (a grande maioria) que nunca ouviram falar no Guerra e Paz do Tolstoi, não fazem a mínima ideia quem seja Gabriel G Márquez, -mas quem é Agustina? Mas quem escreveu O CRIME DO PADRE AMARO?, uma tristeza e a maioria todos com profissões de nome pomposo (sim.porque já não há sapateiros há manufactores de calçado) e todos licenciados (até professores universitários, calcule-se, eu vi e ouvi) e com várias voltas ao mundo, pois agora quem não viajar não é bom.português nem pode ser cidadão da CEE...uma absoluta ignorância!
Miguel Angel Asturias - "O SENHOR PRESIDENTE" (e não o Senhor Presente)
ResponderEliminarAs memórias da família sobretudo as do avô que esteve em Auschwitz para ser fuzilado e foi salvo à última da hora por um pugilista...(ou terá sido pela sua habilidade como carpinteiro? é que há duas versões para o seu salvamento-uma questão que talvez o escritor possa agora clarificar).
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