Vivam as escritoras!

Quando compro um livro, geralmente é porque gosto do seu autor, porque mo aconselharam ou porque li alguma coisa interessante sobre ele. Longe de mim escolher aquilo que vou ler com base no sexo de quem o escreveu, embora acredite que, por exemplo, uma feminista radical possa, mesmo sem ter a noção disso, ser facilmente tentada por livros de mulheres e chumbar à partida livros de homens. Pensava que a maioria das pessoas agia como eu. Porém, num artigo publicado em Maio no diário britânico The Guardian, a autora de ensaios Mary Ann Sieghart pega numa estatística do Reino Unido para revelar que, afinal, se as leitoras compram 50% de livros de mulheres e 50% de livros de homens, já os leitores masculinos só compram 20% de livros escritos por mulheres, como se achassem que as coitaditas não escrevem senão futilidades e cor-de-rosices. Vai daí, o jornal propõe a vários escritores do sexo masculino que indiquem livros de mulheres que todos os homens devem ler; e é uma alegria, pois alguns deles não passam sem Virginia Woolf (Salman Rushdie adora Mrs Dalloway) ou George Eliot (o vencedor do Booker Howard Jacobson, por exemplo, escolhe A Vida Era assim em Middlemarch). Ian McEwan aconselha curiosamente o romance de uma holandesa que comprei recentemente (Hanna Bervoets: We Had to Remove This Post, fiquem muito atentos a esta pérola), Rob Doyle escolhe Margaret Atwood e Richard Curtis a maravilhosa Elizabeth Strout. Mas as escolhas recaem também sobre Maya Angelou, a belíssima Arundhati Roy, Ali Smith, Harper Lee (sim, a do Não Matem a Cotovia), Colette (um clássico!), Donna Tart, Iris Murdoch e até a Sue Townsend do livro O Diário Secreto de Adrian Mole, que foi um sucesso nos anos 1980. Não barrem os livros pelo sexo. Vivam as escritoras!

Comentários

  1. Dessa galeria de mulheres escritores já li George Eliot, Margaret Atwood e Harper Lee; acrescentaria a Marguerite Yourcenar, Ondina Braga, Agustina, Rosa Montero and so on.

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  2. Mulheres escritoras, desculpem o lapso!

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  3. Yourcenar, Duras, Agustina, por exemplo, são da melhor literatura que li. No campo da ficção histórica nunca li nada melhor do que Hilary Mantel.
    Admito que as campanhas sistemáticas para impor mulheres nos mais diversos domínios estão a levar muitos homens a torcer o nariz e, por um mecanismo equivalente, a desviarem-se de excelentes obras de mulheres.

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  4. Apetece-me começar por escrever: "Vivam os Escritores!"

    Este meu "escritores" não tem sexo, fala das mulheres e dos homens que escrevem livros. Sei que existe o feminino de escritores (o que não acontece por exemplo com "fadistas"... e ainda bem), mas eu quando falo de escritores não falo apenas de homens, como já disse, falo de quem escreve.

    E acho uma estupidez comprarmos livros a pensar no sexo dos autores. Eu quando compro livros vou atrás da qualidade literária, e não da natureza anatómica de quem os escreve.

    O que acontece é que existem mais autores masculinos de qualidade que femininos (a desigualdade também se fez notar na literatura, até finais do século XX). E isso acontece porque a quantidade normalmente gera mais qualidade.

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  5. O Guardian não é - aliás, nunca foi - um jornal credível. Pelo que tudo o que lá vem deve ser encarado com desconfiança.

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  6. Cláudia Da Silva Tomazi14 de setembro de 2022 às 06:28

    Interessante a mim são detalhes. A grande maioria das vezes, compro livros pela chancela e tenho preferência por Companhia das Letras, Leya e Bertrand Brasil e Arqueiro, entre outros. De resto, se lhe assina homem ou mulher me é indiferente. Outro ponto, quando avanço as entrelinhas espero alguma forma de cumplicidade, acção temporal ou força criativa de formular metáforas; naturalmente envolve-me o conforto a consistência gramatical e a logística de enredo à partida. Creio que a resposta humana sempre vem através de literatura.

    Por exemplo, se aproximar a lente me permito comparar a escrita feminina portuguesa em sendo diferente da escrita feminina brasileira. No caso de romance as mediações ou diálogos são diferentes: limpos e consistentes. Apesar de termos e me causa(ram) alguma angústia por associação inapropriada como: saco por bolsa tiracolo. Tomo como base livros que li de Lídia Jorge, Albertina e Cristina Torrão.

    Atualmente posso evidenciar com relação ao feminismo, inclusive acrescentar tal diferença o divisor as águas, não seletivo em escrita literária, mas algumas vezes com pano de fundo tendencioso ou auto ajuda. De modo que avança o volume em produção textual ou “influencer” diga-se ou não solidário, emerge de acordo com a pluralidade brasileira; onda à exceder novo(s) conceito(s) as jovens, confrontando-as o hábito a leitura. A nova geração está confusa do caldo mais “por barulho” do quê conhecer o silêncio. E, a leitura?!

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  7. Cláudia Da Silva Tomazi14 de setembro de 2022 às 06:42

    Discordo. De longa data tenho hábito de acompanhar o “The Guardian” entre outros e me é natural muitas vezes comentar. De modo que também, leio os comentários e os ingleses têm opinião sólida, consiste em muitos assuntos.

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  8. Tal como já salientou o Luís Eme os escritores "não têem sexo", são bons porque escrevem bem.
    Carson McCullers, José Saramago, Margaret Atwood, Vergílio Ferreira, Julian Barnes, Javier Marias, Elizabeth Strout, Harper Lee, Joyce Carol Oates, Rosa Montero, Flannery O'Connor, simplesmente grandes escritores, o resto são tretas da complexada escritora, e fanática ultra feminista Inês Pedrosa, que está sempre a falar no mesmo em toda a conversa que tem.

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  9. Percebo a ideia do post, mas parece-me precipitado dizer que o desequilíbrio se deve aos homens acharem que "as coitaditas não escrevem senão futilidades e cor-de-rosices". Tenho ideia que, historicamente, e apesar de hoje não ser o caso, houve bastante mais autores homens do que mulheres (fruto de descriminação, sem dúvida). Assim, e assumindo que as pessoas não compram apenas livros escritos actualmente, mas também os "clássicos", é de esperar que sejam comprados mais livros escritos por homens.
    Neste sentido, a paridade nas compras das leitoras pode indicar que são elas quem descrimina o/a autor/a por género...

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  10. A Inês defende uma bandeira (e por vezes insiste em demasia), mas não me parece nem um pouco complexada. E nem fanática. Ajuízo mesmo, pelo que dela tenho ouvido, ser pessoa culta e de mente aberta, não temendo dizer o que pensa.

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  11. Vivam os escritores. Homens ou mulheres, amenizam-nos a vida, e é quanto basta.

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  12. Faço minhas as suas palavras: Vivam!!!!

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  13. Realmente, pus-me para aqui a pensar, e, de facto não me recordo de alguma vez ter comprado ou deixado de comprar um livro por ser escrito por homem/mulher, por ser desta ou daquela editora, ou por outra razão que não sejam querer ter e ler aquele livro, por precisar dele, ou, vá lá, por ter sido escrito por um amigo ou pessoa conhecida, este o máximo favor que fiz a um livro!
    Os livros podem conter sexo, mas não o têm é uma grande verdade.

    Saudações assexuadamente livrescas cá do Bairro Ribatejano!

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  14. Cláudia Da Silva Tomazi14 de setembro de 2022 às 09:50

    Ah, agora virastes um anjo pá!

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  15. Cláudia da Silva Tomazi14 de setembro de 2022 às 10:10

    Haja brigada!

    Mudam-se os tempos menos a voz, oh Jane Austen.
    Corrigem-se afetos, Margurite Yucenar
    Revelam-se Américas, Isabel Allende
    Sim, as Rosas com perfume a poesia, Sophia BREYNER Andresen
    Deflorou a alma masculina, Emily Brönte
    A simplicidade humana, Cora Coralina, Cecília Meirelles
    A palavra descoberta, Flor e Espanca

    Abraço


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  16. Os livros não tem sexo,são escritos por autores/autoras.Tanto há bons como maus(livros e escritores).
    Vem isto a propósito do que estou a ler agora-“As doenças do Brasil “-a maior seca que se possa imaginar.Foi-me oferecido,nunca o compraria e só com muito esforço o irei terminar(?)

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  17. Já era um Santo, eheheh! Agora sou anjo, pode ser da idade, ahahah!

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  18. Escritoras e escritores bons, escritoras e escritores maus. Livros bons, livros maus. Mas as escritoras, os escritores e os livros são bons ou maus à luz de que regras? De que gramática? De que moral? De que revolução? De que regime? De que civilização? De que cultura?
    Como definir, objectivamente, o que é bom ou mau, em todas as situações? Eu tenho o meu critério, donde resulta comprar, umas vezes, livros que me agradam e outras vezes não. Como em tudo é o risco da vida.
    Manuel Dias da Silva

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  19. E Djaimilia Pereira de Almeida, Maria Judite de Carvalho, Graça Pina de Morais, Carmen Laforet, Silvina Ocampo, Cristina Peri Rossi, Martín Gaite, Grazia Deledda, Simone de Beauvoir, Annie Ernaux, Duras, Leila Slimani, Doris Lessing, Susan Sontag, Sylvia Plath, Ingeborg Bachmann, Maryse Condé, Lispector, Audre Lorde, Anais Nin.
    Nem vou entrar pelas poetas, pois a lista seria interminável. Bom domingo a todos e boas leituras. Susana

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