O senhor Molière
Entrei na Faculdade no ano dos primeiros cursos de Línguas e Literaturas Modernas, que permitiam, pela primeira vez, a combinação de duas línguas de origens diferentes. Estudei por isso Francês e Inglês e, apesar de ter feito quase todas as cadeiras no Departamento de Estudos Anglo-Americanos, onde estavam muitos dos professores de quem gostava, tenho de dizer que me licenciei sem ter lido uma única peça de Shakespeare (li-as, mas fora das aulas), o que só pode ter sido fruto da confusão efervescente daqueles anos. Tive a sorte, porém, de poder num só ano estudar três peças de teatro em Literatura Francesa, ensinadas por três belíssimas professoras: Cristina Ribeiro, Maria João Brilhante e Helena Buescu. Tratava-se de Cid, de Corneille, Fedra, de Racine e D. João, de Molière, que é um texto absolutamente brilhante e divertido, embora não acabe lá muito bem... Sai agora outra peça de Molière para o mercado, O Misantropo, pela mão da Quetzal, no contexto da publicação das obras traduzidas por Vasco Graça Moura. Fala, como o título indica, de um homem metido consigo e pessimista que odeia positivamente a sociedade mas que ama uma jovem que, ao contrário dele, gosta imensamente da vida mundana e se recusa a viver isolada. A capa é também muito bela, pelo que significará para mim um regresso a este dramaturgo e ao teatro, que é talvez o género que menos leio. Leiam também.
P.S. Amanhã às 16h00 vou estar no Porto, na cooperativa Árvore, a convite da Poetria, a falar com a poetisa Rosa Alice Branco do meu novo livro de poesia. Apareçam!

Bom dia. Estudei essas 4 peças de Molière no Liceu Francês, nas aulas de francês. Entre muito outro teatro, poesia e literatura francesa. Adorava essa aulas e todos os livros que estudávamos (bastantes todos os anos), que devorava logo em Setembro, quando me chegavam novos e a cheirar bem. Em comparação, os poucos livros que estudávamos nas aulas de português nessa altura, aborreciam-me bastante.
ResponderEliminarFilipa
Também gostei da abordagem de obras na cadeira de Cultura Portuguesa (não era nos cursos de Línguas) ministrada por Vítor Vladimiro, homem de rara capacidade de comunicação. Mais tarde revelou esse mérito em programas de rádio mas morreu muito cedo.
ResponderEliminarO "Avarento" talvez seja a mais conhecida das obras do citado dramaturgo francês.
ResponderEliminarAcho até graça quando oiço dizer "o avarento de Moliére" como se fosse este o título e Moliére um local ou assim.
Li-o nas aulas de francês, creio que já no 5º ano do liceu. Tive a mesma professora do 3º ao 5º (segundo ciclo liceal), por sinal gostava bastante das aulas dela, uma senhora mulata cabo-verdiana que tinha uma voz grossa, me olhava por cima dos óculos e prolongava o final das palavras: "Ó Pachecoooo...". Chamava-se julgo que Henriqueta Fernandes, líamos muito nas aulas dela, em francês óbviamente. Como eu sempre tive muito boa pronúncia era chamado muitas vezes para as leituras.
Gostei muito de ler Moliére: O Tartufo, O doente de cisma, As artimanhas de Scapin, que me lembre. Vi até a peça de teatro há muitos anos.
Saudações cá da Cidade Morena.
Confirmei na estante que tenho "O Doente Molière", de Rubem Fonseca, que nunca li. Chegou a hora de o fazer, a seguir ao excelente "A Consciência de Zeno" que ainda vai demorar a concluir. Nada como frequentar este blogue para alterar os planos de leitura.
ResponderEliminarÉ bem verdade... conte lá sobre esse "O doente Moliére", palpita-me que não seja "O doente de cisma" de Moliére.
ResponderEliminarTambém gosto da escrita de Rubem Fonseca, apesar de cultivar um género mais policial, porém que se pode ler como crónica de costumes, digo eu.
Abraço cá da Cidade Morena!
A badana informa que um grupo de teatro está a representar O Doente Imaginário onde o próprio Molière desempenha o principal papel. Quando chega a casa Molière sente-se muito mal e logo proclama que no meio de tanta gente alguém o envenenou. Bom material para a escrita de Rubem Fonseca. Dele gostei muito d'A Grande Arte mas o afamado Agosto desiludiu-me. Boas leituras.
ResponderEliminarObrigado. Depois diga como achou a leitura...
ResponderEliminarAbraço!
qual o titulo do seu novo livro de poesia, tenho que pedir alguém para traze-lo para o Brasil.
ResponderEliminarO Meu Corpo Humano é o título.
ResponderEliminarObrigada.