De volta, e o que ando a ler
Pois sejam bem-vindos, depois de (espero bem) umas férias no campo, na praia, ou até na cidade, se ficaram por casa sem trabalhar, a pôr as leituras em dia. No mês que passou, tivemos infelizmente a calamidade dos incêndios, que parece piorar de ano para ano, morreu-nos a grande poeta (ela não gostava de «poetisa») Ana Luísa Amaral, de quem terei muitas saudades, e houve aquele tremendo ataque a Salman Rushdie que, depois de ter andado anos e anos escondido, foi apunhalado por um radical islâmico (e quase morto) quando falava de literatura e se achava finalmente livre de ameaças. O meu regresso faz-se em plena Feira do Livro do Porto e de Lisboa, e já me espera um fim-de-semana com autores a autografarem livros no Parque Eduardo VII com pavilhões novinhos em folha. Leio, entretanto, um livro que tinha começado há muitos anos em francês, quando estava noutra editora, e que ficou a meio nessa altura porque foi comprado por outra editora: A Elegância do Ouriço, de Muriel Barbéry. Publiquei o romance de estreia desta autora (Une Gourmandise, não me lembro como lhe chamámos cá, já foi há tanto tempo), mas foi o do ouriço que lhe fez a carreira: as histórias contadas na primeira pessoa de uma porteira extremamente letrada (mas às escondidas) e de uma adolescente sobredotada, filha de uma jurista e de um político, que acha o mundo sem graça e tenciona suicidar-se um dia destes. Espero que tenham lido bons livros este Verão. Nos próximos tempos falarei dos que li.
Acabei de ler, "Alexandre O'Neill, uma biografia literária", de Maria Antónia Oliveira.
ResponderEliminarGostei bastante da forma como esta biografia está organizada, além de ser feita com o apoio de muitos testemunhos de quem conheceu bem o Poeta, é como o subtítulo indica, literária. Foi bom ter conhecido melhor o Poeta, entre outras tantas coisas.
Sei que não devia falar disso aqui, mas também reli, "Nenhum Nome Depois", de Maria do Rosário Pedreira. Voltei a sentir que é um grande livro de poesia, mesmo que seja muito sofrido. Todos acabamos por estar ali, num ou outro poema...
Acabei ontem Hotel Savoy de Joseph Roth. Fabuloso escritor, nunca tinha lido nada dele. Agora, entusiasmado, já comecei A Marcha de Radetzky. Outros se seguirão, alguns editados pela Sistema Solar, outros pela Cavalo de Ferro... Não o deixem escapar. A quem? Ao Joseph Roth.
ResponderEliminarDepois de ler o excelente "O MEU NOME É LUCY BARTON" (uma invulgar capacidade de observação das complicadas relações humanas, nomeadamente entre mães e filhas (os)) estou agora a ler, da mesma autora, Elizabeth Strout, e de que estou igualmente a gostar "Oh, William". O evocar de casamentos e separações e a solidão que, muitas das vezes, se instala nestas circunstâncias. Também estou a gostar; retoma muitos dos personagens do romance "O meu nome é Lucy Barton", e já foi uma sugestão deste nosso imprescindível blogue.
ResponderEliminarBom regresso para todos.
Estou a ler o meu primeiro Javier Marías: "assim começa o mal" e estou a adorar.
ResponderEliminarDesejo à Rosário que a Feira seja produtiva e não lhe dê trabalho demais.
ResponderEliminarTenho um ror de livros para ler, adquiridos em sua excelência a Feira, o que me deixa bastante contente. Estou entre diários e apontamentos de Susan Sontag e Os incuráveis de Agustina, mas parece-me que vou gostar mais das aquisições recentes e que ainda não li.
Cá andei à volta dos meus Nobel, mas ainda me sobrou tempo para ler duas boas novidades de autores nossos: "Naufrágio" e "Baiôa sem Data Para Morrer".
ResponderEliminarBoas vindas MRP, para nossa alegria. Lamentando que a feira do livro não esteja mais perto.
ResponderEliminarLeio actualmente O BARULHO DAS COISAS AO CAIR de Juan Gabriel Vásquez (autor que fica na minha lista de livros a ler), leio ao ritmo do livro, isto é, muito depressa, porque é muito interessante. Tradução de Vasco Gato.
E do Baioa gostou ? Estou nas páginas iniciais (98) …para já acho interessante mas a linguagem escrita parece-me demasiado rebuscada e difícil de entrar …sem ritmo e por isso também difícil .
ResponderEliminarManuela Antelo
Gostei muito. Pode ler o meu comentário no meu blogue. Aqui: https://osmeusnobel.blogs.sapo.pt/baioa-sem-data-para-morrer-123381
ResponderEliminarJá li A Elegância do Ouriço; achei muito interessante. Aliás, há um filme francês, intitulado O Ouriço, baseado no livro, tendo no papel de porteira a actriz Josiane Balasko. Ando a ler Marquês de Pombal-Réu confesso, versão actual do Perfil do Marquês de Pombal, de Camilo Castelo Branco que li há muitos anos. Preparo-me para ler também Diário do Escritor de Dostoievski e António secreto de Nicola Vegro.
ResponderEliminar