Boas esperanças
Não é novidade para ninguém que o romance que ganhou o Prémio LeYa em 2018 (e depois também os prémios Jabuti e Oceanos no Brasil) – Torto Arado, de Itamar Vieira Junior – tem tido uma extraordinária repercussão pelo mundo fora. São já dezassete países aqueles onde está ou vai ser traduzido e teve mais de 300 000 exemplares vendidos no Brasil. Está a ser adaptado a uma série (haverá notícias em breve), será um romance gráfico e os seus direitos de adaptação teatral foram vendidos a uma companhia do Brasil e a outra, «multinacional», que circula pela Europa. É desta última que falo hoje, pois estou ainda verdadeiramente impressionada (no bom sentido, claro) com o espectáculo que vi no Teatro S. Luiz na semana passada, O Agora Que Demora, da encenadora brasileira Christiane Jatahy, vencedora do Leão de Ouro da Bienal de Veneza. É um espectáculo moderno, belíssimo e muito original sobre refugiados, feito com uma inteligência rara no sentido de poder ser exibido em qualquer país sem grandes alterações (inclui um filme, música e representação ao vivo). Ora, isso prenuncia o que pode ser Depois do Silêncio, o espectáculo sobre Torto Arado que já começou a correr as salas da Europa e não tarda poderá ser visto também em Lisboa. Chamo já a atenção para que não o percam qando chegar. É bom voltar para casa de papinho cheio quando se assiste a um espectáculo assim e o Itamar Vieira Junior merece!
Depois do triunfo de tantos famosos o sucesso de um "não-famoso" é um bálsamo.
ResponderEliminarVamos lá a ver... os famosos atingem esse estatuto pelas triviais imbecilidades que debitam!
ResponderEliminarQuando se abre a página das notícias, lá vêm escarrapachadas as últimas atoardas dos tais famosos que se atropelam para o ser, sobre tudo e mais alguma coisa, como prova da sua elevada sensibilidade, da sua santidade impoluta e do seu preclaro desconhecimento daquilo sobre que pontificam, em manifesto de modernidade e superioridade moral, intelectual, artística, etc. É isso que os faz famosos.
O Itamar não sendo "famoso",não é, no entanto, desconhecido, pois publicou antes de ser premiado e desenvolveu actividade profissional reconhecida.
O que ele tem reconhecido é mérito! Se fama houver é porque escreve muitíssimo bem e pela forma elevada e conhecedora como trata o ruralismo brasileiro.
Pessoalmente acrescento que, sem o conhecer, gosto instintivamente dele, porque partilhamos desse gosto pelo ruralismo. Nota-se na sua escrita a sua formação, humanista e o respeito pelo maravilhoso, mágico, de uma tradição vinda de longe, ancestral.
Gosto que ele tenha sucesso, alegra-me que o seu trabalho que tanto me agradou tenha esse reconhecimento e inspire largamente outras formas de o usar.
Cá desde a Cidade Morena, um grande abraço ao Itamar do nosso contentamento!
A propósito dos números de “Torto Arado” no Brasil, trás por resultado a fidelidade do leitor em reconhecer a literatura de raiz, mais próxima e humana. Dado caminho o traça a escrita melodiosa de um sertão que se lhe invoca respeito, implicitamente tal dignidade amplia várias questões, entre elas destaco virtude; apresentou-se soberana. O livro ganhou asas e o mundo, respondeu! O reconhece e demonstra resgatar esses ingredientes, com força e fragilidade, alternando-se.
ResponderEliminarCom relação a Christiane Jatahi, foi destaque o prémio e como dizem por aqui foi bem ”badalado” e li a respeito, mas, desconheço a peça.
O tema do post de hoje (pluralmente concedido) considero a mola propulsora do engenho a humanidade. O otimismo se lhe deve o conjunto de valores e princípios a vida.
Itamar Vieira Júnior merece mesmo. Foi livro que gostei bastante de ler e agradeço a este blogue e a quem mo ofereceu. Acredito que o filme o divulgue. Por mim, espero que escreva ainda bastante e nos dê o prazer de horas a lê-lo, é um jovem escritor.
ResponderEliminarLembrando o elenca mérito a sua editora Maria do Rosário Pedreira, acreditou publicá-lo sem a qual, (indiscutivelmente) galgou. Embora o livro sendo muitíssimo bom, me resta a pulga na orelha... Por aqui, será que resultaria tal empenho?
ResponderEliminarLi, felizmente oferecido por um primo brasileiro que veio a Portugal, esse magnifico livro que é Torto Arado e fico contente que em peça de teatro chegue cá!
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