Salivando...

Um dia destes, no Facebook, apanhei uma conversa sobre O Papagaio de Flaubert, de Julian Barnes. A pessoa que escrevera o post anunciava apenas que o estava a ler, e ler os comentários foi bastante engraçado: metade das pessoas adorara o livro, a outra metade não, mesmo gostando muito de outros livros do autor. Barnes, de facto, nunca é igual, e algumas pessoas preferem os romances de construção mais clássica, como O Sentido do Fim ou A Única Mulher, e estão no pleno seu direito (também os adoro). Mas há uma série de livros verdadeiramente inovadores, como o Papagaio, O Ruído do Tempo (investigações paralelas sobre Flaubert e Chostakovitch) ou mesmo Nada a Temer (uma reflexão incrível sobre a morte), em que ficção e não-ficção coabitam harmoniosamente e que nos trazem sempre informações preciosas sobre personalidades e épocas. E falo disto porque acabo de receber uma newsletter da Quetzal sobre o que aí vem e desatei a salivar... Ora vejam: «Mais do que um romance, Elizabeth Finch é um tributo emotivo à filosofia, uma cuidadosa avaliação da história e um convite a pensarmos livremente. O novo livro de Julian Barnes desafia a definição canónica de romance, obriga o leitor a reflectir e deixa ideias que o vão acompanhar durante muito tempo.» Estou mortinha por começar a ler...

Comentários

  1. O melhor que eu li até hoje é O Homem do Casaco Vermelho; não é um romance, mas lê-se como se fosse!

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  2. António Luiz Pacheco14 de julho de 2022 às 01:30

    Veremos portanto... receio sempre essas introduções que propõem ao leitor coisas como "desafiar a definição canónica de romance". Isso será importante para o leitor comum?
    Ou sê-lo-á para o académico da literatura e os críticos?
    É que o leitor comum (eu, traça, ignorante assumida mas que adora ler e lê!) não tem nada em comum nem com uns nem com outros, e, livros desses, dirigidos aos críticos e aos estudiosos, continuarão a afastar mais os leitores do que a chamá-los para a leitura.
    Penso eu na minha ignorância atrevida, podendo estar errado, óbviamente.
    Mas veremos... o Barnes merece-me o benefício da dúvida, os críticos nem por isso.

    Saudações cépticas cá da Cidade Morena.

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  3. De Julian Barnes li "O papagaio de Flaubert","A mesa limao" e "Amor e Cª".
    Nao gostei de nenhum.
    Vi o filme "O sentido do fim" baseado num livro da sua autoria e esse agradou-me.
    De qq maneira nao gosto do seu estilo e nao tenciono deter-me nesta ultima obra.

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  4. Bom dia com alegria

    Num tempo em que pensar/reflectir está fora de moda, de facto promete:

    "Elizabeth Finch was a teacher, a thinker, an inspiration - always rigorous, always thoughtful. With careful empathy, she guided her students to develop meaningful ideas and to discover their centres of seriousness.
    As a former student unpacks her notebooks and remembers her uniquely inquisitive mind, her passion for reason resonates through the years. Her ideas unlock the philosophies of the past, and explore key events that show us how to make sense of our lives today. And underpinning them all is the story of J - Julian the Apostate, her historical soulmate and fellow challenger to the institutional and monotheistic thinking that has always threatened to divide us.

    This is more than a novel. It's a loving tribute to philosophy, a careful evaluation of history, an invitation to think for ourselves. It's a moment to reflect and to gently explore our own theories and assumptions. It is truly a balm for our times."

    Retirado do site: http://www.julianbarnes.com/books/elizabethfinch.html


    Dele apenas li A Única Mulher. Bastou para me "converter".

    Sobre o dito Papagaio já muito ouvi falar mas ainda não me senti tentado - caramba, se formos a ler/ver/fazer tudo o que nos entra mioleira dentro, via mass media, internet e mesmo relações humanas, vulgo pessoas, estavamos tramados...

    Tenho em stock Nada a Temer, e levo na bagagem de férias A History of the World in 10½ Chapters (não sei se tem tradução em PT)

    Boas leituras e boas férias
    cp

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  5. António Luiz Pacheco14 de julho de 2022 às 02:52

    Votos de umas férias, no mínimo Extraordinárias!
    Vejamos: sem bacalhau à Brás; evite andar de comboio nas horas de calor; não vá à mata; evite o calor em geral ficando em casa e bebendo muitos líquidos, mas atenção que a cerveja tem inúmeros inconvenientes por causa de ser alcoólica - não conduza!; atenção aos fogos que pode causar dado que a quase totalidade é por acção humana, portanto nada de roçar mato, ceifar, gradar, fumar, churrasquear, lançar fogos de artifício!
    Fora tudo isso, boas férias!
    Grande abraço cá da Cidade Morena!

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  6. Deste excelente escritor só ainda não li os dois últimos livros publicados em Portugal, e de todos gostei q.b..
    Todavia, ainda estou à espera do grande livro de Julian Barnes...

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  7. Ó Paxeco, divergindo do que escreveste ou talvez não, ouvi ontem esta na TV e não quis acreditar: os alunos (não sei se do 9°. se 10° ano) fizeram exame final mas só para representar, a nota não contava para nada, tivesse zero ou vinte...mas isto tá tudo maluco ou quê...

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  8. Boa a tarde, a todos
    Eu já comprei o livro, Elizabeth Finch. Só posso dizer que Julian Barnes é um Gigante da reflexão, da literatura e do pensamento humano mais refinado, sem nunca ser pendate.
    Uma simples palavra para Barnes: GRATIDÃO.
    Um abraço a todos,
    Sheila

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  9. António Luiz Pacheco14 de julho de 2022 às 07:17

    Ó Severino, o que m'a mim parece é que estamos a viver um romance absurdo, talvez dos que desafiam a definição canónica de romance! Isto só o José de Oliveira Cosme escreveria tais coisas para pôr na boca do Sr. Zacarias, Justo e Justa, Tonecas, Siô Pirera... julgo que nem nos Parodiantes e o seu teatro trágico!
    Temo que os nossos governantes tenham visto como série não cómica o "Yes minister", e o tomassem como modelo a seguir, vindo de Inglaterra, estás a ver....
    Grande abraço

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  10. O Papagaio de Flaubert é dos melhores livros que li. As incursões que depois fiz à obra de Barnes deixaram-me desiludido. Não sei quando voltarei.

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  11. Li O Sentido do Fim e A única História. Gostei de ambos. Ofereci O papagaio de Flaubert, mas não o li; quando sondei a leitora não me pareceu que o tivesse achasse extraordinário. É autor que não me importo nada de preferir. Quanto a Elisabeth Finch, hei-de conhecê-la.

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