Proibir livros? Não.
Queixávamo-nos da censura e dos livros apreendidos no tempo do fascismo e de outras ditaduras, mas em democracia continua a saga dos livros «proibidos». Agora, tudo o que seja susceptível de ofender uma minoria é posto de lado e afastado dos programas de ensino em muitos países, e sem sequer se ter em conta o contexto ou a época em que foi escrito. Livros importantíssimos e autores de peso são subitamente banidos por razões verdadeiramente ridículas (o beijo do príncipe na Bela Adormecida, por exemplo, considerado por alguns «não autorizado» e portanto, no limite, uma violação), num acto que é tão estúpido como quando a nossa PIDE levava das suas buscas a livrarias biografias de Stravinsky ou Nijinsky só por serem nomes russos… Leio, porém (obrigada, Nelson Ferreira da Silva) que a salvação está talvez nos adolescentes: uma jovem norte-americana de catorze anos, fartinha de ver «livros que nos fazem pensar» serem proibidos na sua escola e em comunidades de leitores, criou um clube de leitura de livros banidos (e estes podem ser, por exemplo, A Quinta dos Animais ou O Deus das Moscas) em que os membros lêem livros censurados e depois se encontram para os discutir. Abençoada Jocelyn Diffenbaugh! Com direito a entrevista no Washington Post, é uma jovem a seguir, evidentemente! E há outros ainda mais novos, basta ver no primeiro link abaixo. Ouçam os mais novos e deixem-se de comportamentos ditatoriais, por favor. A entrevista com Jocelyn vai no segundo link.
https://www.today.com/parents/teens/banned-book-clubs-rcna13965
https://www.washingtonpost.com/lifestyle/2022/05/11/banned-book-club-teen-diffenbaugh/
Que belo post e que boa notícia!
ResponderEliminarExtraordinária idéia e atitude. Faz-nos acreditar (eu acredito) que ainda há esperança, justamente porque ainda há bom senso. ´
Ainda ontem li algures uma notícia em que a Disney (campeã de estupidezes como de tentar aproveitar a onda de lavagem cerebral para lucrar!), vai deixar de usar o termo fada-madrinha para usar um mais "inclusivo". A imbecilidade é tamanha, que só mesmo vindo daquele grande país que são os EUA, onde tudo é grande, a começar na hipocrisia.
Como se vê, é também agora e ainda dos EUA de onde vem esta outra e louvável iniciativa.
Mandar no pensamento e nas idéias, é uma velha ambição de todos os governos e todos os tiranos, ainda que se digam "democratas", e o mais curioso é que hoje em dia são sobretudo as minorias quem impõe as sua "ditadura do gosto" e a sua sensibilidade, tentando proibir e banir tudo que não encaixe ou lhes desagrade, sobretudo porque não entendem.
A literatura, como os filmes e o teatro, são o alvo favorito e óbvio enquanto veículos de idéias. Sempre assim foi, continua a ser, mas esperemos que continue a haver luz.
Eu, continuo fiel ao princípio: quem não gosta, põe de lado!
Saudações iluminadas cá da Cidade Morena.
Não podia estar mais de acordo. Tempos estranhos estes em que qualquer palavra, qualquer gesto, qualquer olhar são alvo de interpretações lunáticas que levam a ser criticadas e imediatamente banidas por medo de ofensas a qualquer minoria existente.
ResponderEliminarQue ideia maravilhosa a da Jocelyn. Que hajam muitos mais como ela
Estas minorias que teem o poder mediático de banir as obras de que não gostam ainda vão, infelizmente, provar do seu veneno. Se chegarem a escrever algum livro ou a rodar algum filme virá quem promova o seu banimento por ser da autoria de um(a) intolerante.
ResponderEliminarE a ridícula ideia de banir o masculino e o feminino das palavras? Será que, qualquer dia, todas as palavras vão terminar em "e"? Estamos mesmo no fim do mundo...
ResponderEliminarInfelizmente o mundo viveu, sempre, esmagado pela paranóia do bem versus mal: nunca tem faltado quem entenda que é mau, aquilo que, para outros, é bom. E, pior do que isto, esta forma de agir está, normalmente, interligada com o “poder” que uns querem ter sobre os outros, impondo-lhes o seu “paraíso”.
ResponderEliminarDe facto, a procura da luz, do conhecimento, da clareza, são, ainda, os melhores antídotos, contra aquela “ditadura”. Veja-se o exemplo da Jocelyn.
Manuel Dias da Silva