Polémicas
Em programas sobre livros e literatura de outros países, aconteceu mais de uma vez haver insultos e polémicas entre escritores e escritoras. Há poucos dias, Nelson Ferreira da Silva (NFS) publicou no Facebook imagens de um programa da BBC do ano de 1987 em que a escritora britânica de romances cor-de-rosa Barbara Cartland (aliás, vestida dessa cor) bateu forte e feio na sua concorrente Jackie Collins, dizendo-lhe com todas as letras que «os seus escritos eram para pervertidos»... Considerava o mesmo NFS (um grande leitor, é preciso dizer) que, apesar de serem conhecidas as guerras entre alguns autores portugueses, como Saramago e Lobo Antunes (ou vice versa), não havia nada daquele género na televisão portuguesa e que estava na altura de os novos se chegarem à frente... Bem, em primeiro lugar, as televisões em Portugal tiveram pouquíssimos programas de livros, e na verdade os que houve nunca fomentaram o debate, eram mais no sentido de promover as novidades ou alguma obra relevante (não é um defeito, que fique claro, mas os britânicos gostam mais de discussões públicas do que nós). Por outro lado, já não se fazem polémicas como antigamente, e as que há são geralmente de um contra todos, pelo que perdem rapidamente o interesse e a atenção alheia. Finalmente, não estou a ver realmente na nova geração pares de escritores zangados ou inimigos, o que faz sempre falta a uma boa polémica. Tempos sem graça estes...
Acho que o único que descascava em todos era o saudoso Luiz Pacheco; ficaram célebres as polémicas com o Cesariny; o Jorge de Sena também não era meigo, leiam-se as suas Dedicácias onde fustiga os da Presença e não só; mais recentemente li num jornal que uns quantos desdenhavam os "peixotinhos" e as "pedrosasas"!
ResponderEliminarA competição é saudável, melhora os desempenhos e obriga a que cada um dê e procure dar o seu melhor.
ResponderEliminarUm competidor que rebaixe ou apouque os outros, só se enfraquece a si mesmo, pois não é ele que é superior e sim os demais que são fracos, logo enfraquece-se a si mesmo.
Não sou consumidor de polémicas, acho que fazem tristes figuras os que se digladiam na praça pública em busca de se superiorizarem, sejam eles Saramagos ou Lobos Antunes!
A grande literatura, seja ela côr-de-rosa, a metro, à esquerda ou à direita, é superior a essas tricas mesquinhas e confrangedoras, os autores deveriam ter o bom senso de as evitarem.
Os que estão contra todos, então, ponho de lado pura e simplesmente... fecho olhos e ouvidos a esses temas.
Há inimizades históricas, bem o sabemos, e, no passado houve mesmo quem chegasse a vias de facto, desafios para duelo, etc.
Não digo que não anime as hostes... mas francamente não sou consumidor desse tipo de confronto intelectual musculado, menos se desce o nível. Sendo feito com elevação ou humor, bom, nesse caso sempre aprendemos e lucramos algo!
Votos de um fim de semana pacífico na paz da calma que se faz sentir, são os meus votos cá da Cidade Morena.
Concordo consigo, António Luiz Pacheco. Desse tipo de discussão sobre animar as hostes entre autores (não, entre os leitores), apenas poderão as editoras.
ResponderEliminarNão remetendo paras as nossas editoras, até porque é uma série Sueca com um misto de comédia e algum romance, muito leve, aconselho uma espreita a "Amor e Anarquia", na Netflix. Divertidos, com base no mundo dos livros, editoras e autores, os episódios vêem-se como comemos pipocas ou bombons viciantes. Quem gosta dos livros e do seu meio, vai gostar.
Bom fim‑de‑semana!!!!
...as apenas poderão lucrar as editoras. (queria ter dito)
ResponderEliminarjosé m. reis
Às vezes existem controvérsias que constituem o modus operandi da evolução do conhecimento literário.
ResponderEliminarEmbora seja contra a "fórmula", acredito que comercialmente um programa polémico aumentasse as vendas de forma notória.
ResponderEliminarEstou a lembrar-me do "pivot-escritor", dos Santos.
O "piscador de olhos" aprendeu com o Saramago a "acender sempre uma fogueira", quando está prestes a editar um livro. Ora diz que o Salazar não era fascista, que existiam piscinas em Auschwitz ou que os animais pensam... Como é um escritor para o manhoso, "nenhum par lhe dá trela" (também não devem contribuir ainda mais para a venda de livros, que pode ser o que estou a fazer agora, a falar do "meliante"...).
Mas claro que sentem é inveja pelos livros que dizem que ele vende... Mas também já podiam ter aprendido a "acender fogueiras". :)
(é não devem "querer" contribuir)
ResponderEliminarSó depois de escrever é que li os comentários.
Acho que as polémicas que existiram entre nós foram sempre "sonsas" e "veladas". Algumas só se tornaram públicas depois da publicação das obras de troca de correspondência, mas já sem a presença dos autores.
O único desbocado era o homónimo do António Luiz, mas como diziam que era maluco... fingiam que não ligavam ao que ele dizia. O mesmo se passava no cinema com o João César.
Na literatura como no resto da sociedade portuguesa, cultiva-se o parecer bem, e finge-se que tudo vai bem. Diz-se mal quase ao ouvido, por carta ou ao telefone (esperem, isso era no século passado...).
É isso mesmo. Gostamos mais de "bufar" que de "polemizar".
ResponderEliminarO mais perecido com o que descreve que recentemente tivemos, na literatura portuguesa, foram as palavras de João Pedro George (biografo de Luiz Pacheco, esse polemista da nossa literatura - «O caso do sonâmbulo chupista» é o exemplo máximo desse "bater forte" que descreve no texto) em relação a António Mega Fereira. Não foi na tv, é certo, mas foi na imprensa escrita.
ResponderEliminarAs discussões literárias na TV alemã são entre pessoas civilizadas.
ResponderEliminarO crítico alemão, nascido na Polónia Marcel Reich-Ranicki — o fundador de „Das Literarische Quartett“ não tinha papas na língua e feriu, metaforicamente, escritores contemporâneos consagrados. Paz à sua alma literária!!
E verdade António.
ResponderEliminarEmbora essa polémica parecesse mais "perseguição pessoal" que outra coisa. E acho que Mega Ferreira nunca lhe deu o troco desejado.