O que ler a seguir

Quando estou de férias numa praia em que há ingleses, reparo com agrado que as crianças se fazem acompanhar quase sempre de um livro, por pouca idade que tenham. No Reino Unido os hábitos de leitura na infância estão completamente enraizados e isso pode também ser explicado pela quantidade de autores britânicos de excelência que escrevem para crianças há mais de um século. Dizem-me que em Portugal os mais novinhos também lêem bastante, mas que perdem esse bom costume na viragem para a adolescência ou um pouco mais tarde, pois não existe uma literatura de transição. Eu cá passei dos livros infantis para os de adulto, mas presumo que não seja assim com toda a gente. Encontrei, porém, esta ideia genial no Facebook de Nelson Ferreira da Silva (acompanhem-no, porque se encontram coisas muitíssimo interessantes entre o que divulga): usando as linhas de metro (e cada linha tem uma personalidade específica que corresponde ao género preferido por um determinado grupo), traça-se um percurso em que, depois de lido um livro (uma estação) se sugere passar a outro (a estação seguinte). Uma ideia que só podia ser inglesa, digo eu, gizada pela biblioteca infantil do Barbican Centre, e que seria maravilhoso que o nosso PNL, por exemplo, fizesse nas escolas portuguesas. E porque não para adultos também? Eu cá estou com dúvidas sobre o que vou ler a seguir...


Mapa do metro com livros.jpg

Comentários

  1. Bom dia. Excelente ideia (inclusive) por modelo o esquema orienta, esclarece as diversas modalidades a literatura.

    ResponderEliminar
  2. António Luiz Pacheco27 de julho de 2022 às 03:58

    Ora vejamos:
    Tudo é bom, para pôr a malta a ler, desde que funcione, pois as boas intenções são tantas quanto inúteis. Já tive conhecimento de dúzias de iniciativas, aliás vãs.
    Não creio que haja uma receita.
    Para mim, é, ter vontade de ler! O que depende de cada um e até do ambiente em que se encontra, eu passava muito tempo sózinho, numa quinta, com muitos livros e pessoas que liam, cultas e que falavam de muitos assuntos, o que penso teve muito a ver.
    Também, ter o que ler, portanto coisas que se queiram ler, que interessem. Nem sempre o que se publica e anda aí pelos escaparates me interessa, porém encontro sempre alguma coisa, é a verdade! Todavia é porque procuro, aliás adoro ir a livrarias, passar uma manhã ou tarde a dar volta às prateleira.
    A minha dúvida sobre o que ler a seguir, depende do que acabei de ler... normalmente não repito o género, mudo. No entanto leio normalmente dois ou três livros ao mesmo tempo, alternando o romance, com a história, ensaio, biografia, etc.
    Pelo que tenho visto aqui, há outros Extraordinários que fazem assim, logo parece ser recorrente. Como ou porque começaram a ler? Quando? Em que circunstâncias? Bom, isso daria um livro interessantíssimo, acredito. Haverá quem queira pegar no tema, recolher as histórias de cada um de nós leitores reunidos neste espaço, e, depois quem o publique?
    No caso presente, acabei recentemente de ler algo de mesmo Extraordinário (Naipaul - "Um caminho no Mundo"), não seria fácil pegar noutro, a menos que me surgisse um Steinbeck inédito, ou semelhante, o que não é fácil. Portanto o que ando a ler agora é a badalada "A mais breve história da Rússia" de José Milhazes... confesso que nunca tenho grandes problemas sobre o que ler a seguir, nem me recordo de o ter tido alguma vez, talvez porque sempre tive o gosto e o hábito pela leitura, desde antes de saber ler - parece contra-senso mas é verdade! Depois de começar a ler, foi um fartote de satisfazer a curiosidade pelos livros de que antes só via as imagens.
    E foi sempre assim, pois leitura dita infantil nem por isso consumi, a minha atenção era para "Las razas humanas" e tudo que fosse sobre geografia, zoologia; a "Enciclopédia pela imagem"; "Os grandes dramas da história"; "Mistérios do continente negro" e do género, em que lia (mesmo em espanhol e desde logo francês ao mesmo tempo que o português), além do Cavaleiro Andante. Depois comecei logo com a Condessa de Ségur, Júlio Verne, Emílio Salgari...fiz a passagem para literatura adolescente e adulto naturalmente e até muito cedo, pois aos 14 anos já lera Blasco Ibañez, Erico Veríssimo, Ferreira de Castro, entremeando com "A caminho do Oregon", "Os Cinco", "Uma aventura nas Berlengas" , "O segredo da gruta espanhola" e claro toda a Biblioteca dos Rapazes. Lembro-me de ter lido "A Baía dos Porcos" com 16 anos, assim como o "O filho nativo" e "Peyton Place" por essa altura.
    Eu não sei e não sei se alguém saberá mesmo qual a solução, qual a forma de pôr os jovens ou os adultos a ler! Julgo que cada caso é um caso.
    Mas essa é a questão para o tal milhão de dólares!
    Temos aqui mais uma interessante proposta, esperemos que funcione.

    Saudações literatas cá da Cidade Morena.

    ResponderEliminar
  3. Cláudia da Silva Tomazi27 de julho de 2022 às 05:43

    Falhou ou desatenta...

    ResponderEliminar
  4. Que excelente ferramenta para orientação de leituras por associação. Vou roubar e ampliar leituras. Obrigada.

    ResponderEliminar
  5. Eu fui ler o livro de contos Dança de Família, de David Leavitt porque foi invocado aqui no blogue há umas semanas e aproveitei para o "desenterrar" da estante onde aguardava há bastantes anos. A seguir passei a um clássico que também esteve nessa situação durante muitos anos, O Monte dos Vendavais, de Emily Bronte.
    Boas leituras e bons planos para tal durante o mês de agosto.

    ResponderEliminar
  6. O meu caro amigo Paxeco disse tudo:
    "Não creio que haja uma receita.
    Para mim, é ter vontade de ler!"

    Acabei agora de ler um livro fascinante, que descobri numa das muitas e constantes idas às livrarias, donde raramente sou absolutamente incapaz de sair sem um livro nas unhas, ("AO LONGE" do jovem escritor HERNÁN DIAZ, que nasceu na Argentina, cresceu na Suécia e hoje vive nos Estados Unidos Unidos da América.)
    Comecei a lê-lo e não consegui parar, até perdia o fôlego antes de passar à página seguinte.
    Apodera-se de mim uma grande ansiedade, quase angústia para escolher o próximo livro (é que só posso ler um de cada vez e tantos tantos que tenho para ler).

    ResponderEliminar
  7. António Luiz Pacheco27 de julho de 2022 às 08:32

    Olha vês... deste-me vontade de ler! Nem mais.
    Mas conta lá, sobre esse "Ao longe".

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório