Uma questão de invisibilidade

É obra quando um livro, como uma espécie de corredor de fundo, consegue furar por entre outros setecentos e tal livros e cortar a meta com distinção e levar o Prémio LeYa. Foi o que aconteceu, de resto, com As Pessoas Invisíveis, de José Carlos Barros, conhecido também como poeta, mas já finalista deste mesmo prémio há uns anos com Um Amigo para o Inverno, que recomendo vivamente. As Pessoas Invisíveis é um romance admirável que fala de vários tipos de invisibilidade. Mas fala também de jazidas de ouro perdidas em terrenos anónimos, da morte de Sá Carneiro, de uma amizade insuspeita entre um provinciano e um engenheiro alemão, de trabalho escravo em São Tomé, de curandeiros e santinhas, de um homem que anda a apontar tudo num caderninho para Salazar saber e, sobretudo, de alguém que descobre ter vários poderes, entre os quais o de ser invisível, que é também o de desaparecer no melhor da história. O Prémio LeYa, anunciado em Dezembro, vai ser entregue no próximo dia 13, e a apresentação estará a cargo de Rodrigo Guedes de Carvalho numa sessão em que o Presidente da República e o Ministro da Cultura nos honrarão com a sua presença. Apareça!


convite PRÉMIO LEYA ao baixo_final.png


 

Comentários

  1. Dois comentadores que por isso ascenderam a altos cargos públicos (o Ministro da Cultura acumulava o comentariado político com o do futebol em defesa do Benfica, como André Ventura) é assunto que me desmoraliza, não acho que honrem o que quer que seja. São animadores, animam, isso sim.
    Desculpem o desabafo, fruto do aturdimento, da publicidade e do mundo do entretenimento.

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  2. António Luiz Pacheco3 de maio de 2022 às 02:41

    Fico contente por José Carlos Barros, a quem felicito e desejo sucesso agora nos escaparates.
    Pelo exposto, tem de ser um livro muito bom, uma vez que superou nada menos do que 700 concorrentes!
    A ler, evidentemente, até pela apresentação que aqui foi feita.
    Depois falaremos...

    Saudações cá da Cidade Morena.

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    1. Ó Paxeco tás melhor? Espero e desejo que sim.
      SL

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    2. António Luiz Pacheco3 de maio de 2022 às 09:52

      Estou, mas ainda tenho o ouvido a "picar" e a latejar, tal como não desapareceu por completo a pressão interior que me está a comprimir o nervo óptico e desfoca o olho daquele lado!
      Mas consigo ler o que aqui se vai postando! Eheheheh!
      Abraço!

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    3. José Carlos Barros3 de maio de 2022 às 10:06

      Obrigado! Um abraço.

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    4. António Luiz Pacheco3 de maio de 2022 às 10:43

      Olha quem apareceu... eheheh!
      Agradeço e retribuo.

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  3. Conheci alguns poemas do José Carlos Barros em algo que se chamava Resumo: a poesia em anos que foram desde 2009 a 2013, edição da Assírio & Alvim com o apoio da FNAC, depois acabaram com «aquilo», talvez porque as caixas registadoras não tilintavam e a FNAC quis começar a vender Legos aparelhos e aplicações para isto e para quilo, borrifando-se nos livros e nos discos.
    Esses Resumos deram-me a conhecer uma série de poetas que me estavam a passar ao lado. José Carlos Barros é um desses poetas.
    Quanto ao resto apetece-me dizer que Rodrigo Guedes de Carvalho é uma pessoa estimável mas por que raio um «pivot« de televisão para apresentar um livro?
    É provável que existam fartos motivos mas não encontro nenhum, Também devo dizer que sou um tipo desconhecido que volta e meia reconhece que a ignorância é atrevida e o leva a disparatar. E sobre a presença do Presidente da República e do Ministro da Cultura entende que deve ficar por aqui, mas não quer sair sem deixar um poema do José Carlos Barros que conheceu naqueles tais Resumos, o do ano de 2009:

    DO QUE A VIDA PODERIA TER SIDO

    Os amigos juntam-se e falam do passado,
    da música que já não se ouve na rádio,
    do inverno em que choveu semanas a fio
    e o rio saiu das margens para desenhar

    nos troncos das árvores os círculos imperfeitos
    da idade. Eles sabem para si mesmos que falam
    do que nunca existiu: das mulheres
    que se renderam para sempre às palavras do amor,

    das perdizes caindo de asa nas encostas
    iluminadas da urze, das corridas memoráveis
    do vinte e cinco de abril, das tardes de domingo
    que haveriam de envergonhar a uefa

    se a televisão estivesse presente nas finais dos torneios
    dos bombeiros voluntários. É disso que os amigos
    falam: do que a vida poderia ter sido
    se não fosse a filha da puta de vida que foi.

    dos bombeiros voluntários. É disso que os amigos
    falam: do que a vida poderia ter sido
    se não fosse a filha da puta de vida que foi.

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    1. José Carlos Barros3 de maio de 2022 às 10:10

      Muito obrigado pela atenção e por trazer o poema a estes comentários. (Quanto ao Rodrigo Guedes de Carvalho, permita-me recordar que além de jornalista — e de “pivot de televisão”, como diz — é um dia grandes escritores portugueses. Honra-me muito, aliás, está possibilidade de ter um autor como o RGC a apresentar o meu livro.)
      Obrigado!, e um abraço.

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  4. Não é picuinhice, apenas rigor:

    dos bombeiros voluntários. É disso que os amigos
    falam: do que a vida poderia ter sido
    se não fosse a filha da puta de vida que foi.

    Estes versos estão repetidos.
    As minhas desculpas.

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    1. António Luiz Pacheco3 de maio de 2022 às 09:54

      Está desculpado!
      Bela idéia que teve, e, um bonito tributo ao autor.
      Gostei do poema, sim senhor... e não apenas pela evocação das perdizes de asa, mas porque assim são as conversas de amigos.
      Grande abraço, cá desde a Cidade Morena.

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  5. José Carlos Barros3 de maio de 2022 às 10:03

    Obrigado!, Rosário.

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  6. Comecei por conhecer o José Carlos Barros pela poesia, de que gosto bastante. Neste momento, estou a terminar Um Amigo para o Inverno e tenho à espera As Pessoas Invisíveis, que adquiri no fim de semana.

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  7. Olá. Boa noite.
    Sei que venho atrasado mas não quis perder a oportunidade de manifestar a minha admiração, já antes aqui manifestada, pelo José Carlos Barros e pela sua obra.
    Comecei por conhecer o JCB através da sua poesia mas também já tive o prazer de o conhecer e do cumprimentar.
    No Verão, salvo erro de 2001, e quando passeava pelas pombalinas ruas de Vila Real de Santo António, estava o JCB em amena cavaqueira com um grupo de pessoas numa mesa de um restaurante onde se comia uns excelentes choquinhos à algarvia regado com um lagoa bem fresquinho. Isto para não falar da excelente estupeta de atum!
    Foi tudo excelente. O almoço e o encontro.
    Na altura recebi o seu livro "Rumor" numa edição de autor.
    Vamos ver se dia 13 o vou cumprimentar de novo. Pena que tenha fechado o seu blog.
    Parabéns!!
    Daqui da margem esquerda do estuário do Tejo.
    A. Delfim

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