Romance biográfico

O escritor cabo-verdiano Mário Lúcio Sousa, vencedor de muitos prémios literários com as obras anteriores (O Novíssimo Testamento, Biografia do Língua, O Diabo Foi Meu Padeiro) tornou-se finalista do Prémio LeYa em 2021 com A Última Lua de Homem Grande, sobre um dos vinte maiores líderes da história da Humanidade: Amílcar Cabral. Com uma vida cheia, mas apenas 49 anos e tanto por fazer, Cabral regressa a casa certa noite para encontrar a morte. Sem poder fugir aos tiros, cai junto do automóvel e, observando a Lua cheia, reconstitui, em prodigiosas regressões, todos os passos da sua vida pública e privada para compreender quem o terá assassinado e porquê.  Usando a terceira pessoa num original e inusitado monólogo, aquele a quem os seus chamavam «Homem Grande» revisita a infância, a relação com a mãe, a vida de estudante, os amores, as traições, o sonho da independência para as suas duas pátrias – Guiné e Cabo Verde – e põe a nu o absurdo de uma guerra, os meandros dos interesses internacionais e os desmandos do poder em África. A não perder. (O lançamento será no dia 17 no Centro Cultural de Cabo Verde.)


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Comentários

  1. Bom dia!
    Confesso que apenas conheço o Mário Lúcio como cantor enquanto componente do grupo Simentera.
    Com a publicação deste livro chegou a altura de conhecer o escritor. A personagem do livro, Amílcar Cabral, tem para mim muito significado e importância.
    Nos 50 anos do meu regresso da guerra na Guiné-Bissau, é um livro que vou ler com redobrada atenção.
    Aproveito para informar que o Mário Lúcio estará dia 10 de Junho, em Almada para um espectáculo no TMA, acompanhado pela Orquestra da Gulbenkian. A não perder!!
    Daqui, da margem esquerda do estuário do Tejo, com um abraço.
    A. Delfim

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  2. Cláudia da Silva Tomazi12 de maio de 2022 às 04:51

    Bom dia. Gostaria de mencionar ou lembrar, embora que nem o saiba o sentido ou dimensão a dor e as quantas anda o caos a guerra, guerrilhas e tiranos; náquele contiente, africanos as africanas, os campos de concentração a sofrida gente de (certo modo) resvala no que somos. Tanto desalento tais campos de guerra em África os exibem a falência de uma gente, todos indigentes; assim por dizerem frestas à realidade e me assombra tanta crueldade. Os jazem fome e violência, são fantamas ou seres suas temerosas e famintas crianças; despidas e ausentes de paz estão às moscas.

    A palavra é vergonha, porquê a sinto do lado de cá e, quando me deparo com uma cultura a qual desconheço e a sei que há muito filtra, mescla-se em origens do meu país, Brasil. Corre-me um alento e o sei hipócrita. Minha falta de sensibilidade creio percebê-lo abaixo a razão. Óbvio, a razão sempre terá seu apreço junto a formação, ao quem tem de ser (ok). Em quê esquina se lhe ficou desencantado meu olhar de apego humano e literalmente me aborrece, o teria de ter feito mais... Pois, me faço rogada em coisas outras que não as que dêem verdade ou as quê me afligem o espanto as pois, doem em verdade(s).
    A Cultura cabinda fez-me e faz, desde o primeiro livro falta e um de lá, uma vez eu quis; o queria ler, ter. Há décadas não podia e se hoje posso, já não o alcanço (talvez) por minha insensibilidade forjada em outras peças os anais a história. Este, creio trata-se o mármore branco e infinito que aveludado nos aborda enquanto arte, lidar que só tenho fome de respostas ou que não me disciplinam, acolhem às movidas histórias humanas. Reconheço-o pontualmente e se me há de salvar a empatia faço mãos à palmatória o quanto me comove a realidade de um escritor acertar a pena em obra. Parabéns Mário Lúcio Sousa o aplaudo de pé.

    Abraço a extraordinária MRP deste lado do Atlântico

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  3. Eu estava em Bissau, na Guerra Colonial, no dia em que o assassinaram. A partir de então a nossa insegurança aumentou muito nas ruas, nos restaurantes, nas saídas de curta distância a partir de Bissau.
    Era um indefetível defensor da independência mas um partidário da cultura portuguesa.

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  4. António Luiz Pacheco12 de maio de 2022 às 06:32

    Um tema que me interessa muitíssimo!
    Para ler, portanto, mesmo que o autor não fora premiado...
    Saudações cá da Cidade Morena.

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  5. Não estou, certamente, entre aqueles que desvalorizam Amílcar Cabral enquanto homem notável pela sua cultura e pela sua combatividade, mas... «um dos vinte maiores líderes da história da Humanidade»? A sério?! Quem afirmou e/ou escreveu isso? E, já agora, quem são os outros 19?

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    Respostas
    1. António Luiz Pacheco12 de maio de 2022 às 08:05

      Estava a pensar nisso mesmo... também não o estou a ver nessa posição no referido ranking, só falta o Pinto da Costa ser um dos vinte mais...
      Abraço Extraordinário Octávio.

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    2. Cito da introdução do romance:
      “Quem é o maior líder da História?, alguém que exerceu poder e teve um im-pacto positivo na humanidade?” Esta é a pergunta que o BBC History Maga-zine lançou aos historiadores no início do ano 2020, quando este livro já se encontrava escrito havia três meses. Entre os nomeados— santos, papas, guerreiros e guerreiras, reis e rainhas, imperadores e imperatrizes— um sur-preendeu. A lista foi posta a votação, para o espanto do mundo, esse um, de nome Amílcar Cabral, o mais discreto e o menos poderoso de todos, emergiu do tempo como o segundo maior líder da História.
      Obrigada.

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    3. Porque a nossa anfitriã não o fez, deixo eu aqui a ligação para o artigo-iniciativa-lista da referida unidade da BBC...

      https://www.historyextra.com/magazine/who-greatest-leader-world-history/

      ... que responde também às minhas perguntas sobre quem são os outros 19 e quem os «escolheu». Há textos-explicações-justificações para todos os «nomeados», e adianto que Amílcar Cabral ficou à frente de Winston Churchill! Subjectivo, controverso, sem dúvida... mas merece leitura e reflexão.

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    4. António Luiz Pacheco12 de maio de 2022 às 11:45

      Bom... opiniões são como os umbigos: todos têm!
      Não faço a menor idéia de quem terá sido o maior líder da história. Mas duvido muito que tenha sido aquele líder dos sikh, como duvido que Amílcar Cabral tenha sido o segundo e até Churchill o terceiro...
      Modas, no fundo... para mim, tolices que nenhum respeito merecem, tanto quanto o Magnífico Reitor da Universidade de Coimbra banir a carne de vaca das cantinas universitárias! Não me merecem e pronto, que hei de eu dizer e o que se há de fazer sobre isso? Nada... fiquem na deles que eu fico na minha, mas sei que amanhã outro destes estudos/inquéritos dirá coisas completamente diferentes, e, eu rio-me porque sei disso perfeitamente, voltando a dizer que são meras tolices, por muito académicas que pareçam, mas na verdade há académicos como há cientistas loucos.
      Renovo o abraço!
      Nota: volto a afirmar o meu interesse neste romance, que irei comprar e ler.

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