Na Torre de Belém

Em pleno século XVI – num período em que Portugal se cumpre como Império – a fortaleza da Torre de Belém torna-se palco de uma série de crimes insólitos e violentos. Acessível apenas por mar e aparentemente inviolável, o monumento é o símbolo máximo da expansão do reino, mas, nos seus pequenos detalhes, parece anunciar também a sua queda… António de Mello, o jovem Ouvidor da Casa do Cível encarregado de investigar as ocorrências e descobrir o autor dos homicídios, debater-se-á entre os que atribuem as mortes à sanha do demónio e os que, observando as afinidades das vítimas, crêem nos planos de uma seita que deplora as mudanças que se avizinham. Porém, em vez de soluções, encontrará cada vez mais obstáculos e a ideia de que, quanto mais avançar, mais tudo ficará na mesma. Num thriller absolutamente excepcional pelo qual perpassam muitas personagens históricas – de Pedro Nunes a Garcia de Orta ou Damião de Góis –, bem como temas tão diversos como a Cabala, a Inquisição, a Astrologia ou a corrupção e os actos praticados em nome de Deus, Luísa Beltrão constrói uma teia exemplar na qual o leitor se enredará tanto como o protagonista para concluir que o passado, ao contrário do que frequentemente se pratica, tem de ser compreendido, e não julgado. O lançamento é amanhã, na Biblioteca Palácio Galveias, às 18h30.


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Comentários

  1. António Luiz Pacheco30 de maio de 2022 às 03:05

    Retive esta passagem: "... o passado tem de ser compreendido, e não julgado.".
    Além de concordar inteiramente com a idéia, a qual e felizmente parece que está a ser entendida na generalidade e o bom senso a superar a histeria activista, direi mesmo que um dos mais importantes papéis da literatura, da escrita, dos livros, é justamente o de fazer testemunho e registar em tempo real e na época, aquilo que é a história do quotidiano, contemporânea, deixando para o futuro o que foi, ainda que no futuro tenha de se fazer o entendimento da forma de pensar de antanho e pesquisar os acontecimentos registados, para serem entendidos.
    Portanto é dar o justo relevo e a necessária importância à escrita como espelho de cada época!

    Votos de uma Extraordinária semana para todos, são os meus votos cá desde a Cidade Morena!

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  2. De Luisa Beltrao li a tetralogia "Uma historia privada" e "Todos vulneraveis".Gostei de todos.E uma escrita corrida,que se le bem e sao todos interessantes.Recomendo.
    Veremos este.Pelos antecedentes,acho que vale a pena espreitar a autora.

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  3. Creio ter lido algo desta autora foccionando os templos da implantação do liberalismo em Portugal. Tenho que ir confirmar.
    Agora esta ficção localizada no Século XVI promete.

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  4. * ficcionando os tempos.

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