Medos e mais medos?
Aqui há tempos, encontrei-me com a cantora e compositora Luísa Sobral por causa de um podcast que ela tinha sobre letristas. E, maravilha das maravilhas, desse contacto nasceu um belíssimo livro para crianças que publicámos em Abril. A Luísa tinha-o todo escrito, e em verso, como uma canção, e até já tinha algumas das ilustrações feitas por Camila Beirão, que é uma ilustradora com um grande talento e muito bom gosto. O livro, chamado Quando a Porta Fica Aberta, fala de uma menina que, quando a mãe vem apagar-lhe a luz, para ela dormir, quer que se fechem as portas do armário, não vá sair de lá de dentro algum monstro ou coisa esquisita. Mas... pelo contrário! Dentro do armário, como a mãe da Emília explicará, sucedem-se as festas mais espectaculares e, por isso, não há nada a temer. Lindo e inteligente, este é um livro que até os adultos gostam; e, se tiverem jeito para a música, podem tentar cantar a história, e não só contar, aos mais pequeninos! O lançamento, integrado no festival 5L, será na manhã de sábado, às 11h, na Ler Devagar. Toca a levar a criançada, que as autoras têm muitas surpresas!

Acho Extraordinária qualquer iniciativa que seja dirigida a levar os mais pequenos aos livros, ou vice-versa. Portanto estão de parabéns tanto as autoras quanto os promotores e todos os demais envolvidos nesta acção!
ResponderEliminarAgora, isto sou eu a diabolizar-me, ponho uma questão que pode parecer maldosa mas não é, é apenas discorrer e procurar esclarecer algo que pode ajudar ao tema: - divulgar os livros junto da pequenada.
Que eles gostam de histórias é um facto.
Que as histórias vêm nos livros é outro. Eles sabem-no. Adoram a leitura!
No entanto o que a mim parece, na generalidade, é que alguns ou muitos livros não respeitam o "princípio da salsicha", ou "dos douradinhos!".
Explico: os garotos têm mau gosto, é verdade. A indústria alimentar sabe-o bem, eles gostam de coisas como ovos Kinder, de salsichas e de douradinhos! Nós adultos nem por isso... Ora com a leitura não será o mesmo?
Ainda não há muito tempo tive a curiosidade de ler um livro dito infantil, novidade, na biblioteca da minha mulher. Era uma história dedicada ao lobo, onde o lobo era bom, não comia capuchinhos, nem avós, nem ovelhas! Política e ecológicamente correcto, que os adultos adoraram. O autor pretendia desmistificar a imagem do lobo no jardim infantil, isto é, escreveu para ele mesmo e os que pensam como ele, os adultos, tentando influenciar as crianças de tenra idade, que nem sabem o que é um lobo, menos ainda têm dele a imagem que os adultos fazem. Poderia ter escrito sobre o tema para jovens que já têm compreensão, explicar o enquadramento do lobo e aí sim, haveria uma boa oportunidade de mudar mentalidades. Fazê-lo como uma "história" para crianças, é um falhanço e uma tolice. Acontece justamente que o livro não teve qualquer sucesso entre a criançada e a minha mulher concordou que não era adequado nem interessante, os garotos não se interessaram e menos gostaram!
É ao que me refiro. Há que escrever para as crianças livros-salsicha ou livros-douradinhos, que não agradam aos adultos porém são populares entre a criançada e é a forma de os fazer comer. Nenhum garoto normal, recusa umas salsichas com ovo e batatas fritas! Nunca vi nenhum garoto não delirar com o João Pateta a despejar o jarro de leite no bolso das calças, a levar um queijo fresco na cabeça, a arrastar um presunto atado com uma corda, ou a ser arranhado pelo gato que tentou levar nas mãos, ou com o burro às costas...
Não sei se me expliquei bem?
Tenho visto livros muito elaborados, com muitas morais (as do autor...) cujo objectivo parece ser mais alimentar o ego e as filosofias pessoais de quem escreve do que contar uma boa história, cheia de palermices que chamam a atenção e entretêm as crianças, servindo para as puxar para a leitura e os livros, que são divertidos! Que criança gosta de coisas sérias, cheias de moralidade e filosofias? Por isso a história dos animais cantores é sempre um sucesso infantil!
Sei que há Extraordinários dedicados a este tema, peço desculpa por estar eventualmente a dizer asneiras, porém é o que penso, honestamente, e, não creio estar completamente errado. Quando dou aos meus algum livro, podem crer que opto pelas Histórias do Arco da Velha, contos de Perrault, os irmãos Grimm ou o Petzi. O Petzi, que eu avisadamente guardei quando os meus sobrinhos mais velhos deixaram de o ler, já vai hoje na terceira geração de sucesso, com desenhos, leituras e a criatividade de um ursinho engenhocas!
Saudações salsicheiras e surdas, cá da Cidade Morena.
Nota: A idéia de um armário festivo, acho muito boa! Cabe no conceito da palermice saudável que os miúdos adoram e em que devem ser envolvidos, pois acredito que ajuda a terem humor, serem descontraídos, menos formais e mais felizes!
EliminarQuem não gostaria de ter um armário desses?
Lembra a história daquele que foi acordado de noite por um barulho de música, que saía do guarda-vestidos... foi ver, era a banda do casaco!
Já me tinham enviado o programa e é bastante apelativo. Todos os dias há alguma coisa - ou várias - a que gostaríamos de assistir. Tenho esperança que o programa "A Força das Coisas" aproveite alguns momentos. Já li que Luís Caetano estará presente num dos painéis.
ResponderEliminarE acredito que o talento de Luísa Sobral se dê bem com a literatura infantil.
Alegria e mais alegria com os pequeninos sempre vale a história. Este Post recordou-me a doce leitura a infância. É que, grande maioria das crianças brasileiras na década de setenta recebiam mensalmente a Revista "Nosso Amiguinho". De meu pai segui a tradição e por minha vez, em lide com assinatura a mantive com meus filhos e sobrinhas a saudosa revista infantil.
ResponderEliminarCreio ser a criança um universo iluminado e (quase pronto) no objetivo em saber se lhe habitar. Ali, através de respostas, atenção e carinho, os anseios infantis alimentam todos os dias a formação emocional o futuro indivíduo. Feliz de quem tem aspiração e importância familiar, o máximo é suprir as necessidades de uma criança, penso eu. Lógico, principalmente em verso e do modo como menciona delicadamente "medos" a MRP leva em causa e contempla a vida, este livro: antes de dormir. Excelente !