Coleccionar

Quase todos nós fomos, em algum momento, coleccionadores. Eu fiz colecção de postais aos doze anos, mas há quem tenha preferido cromos, selos, moedas, canetas, paliteiros, caixinhas ou outra coisa qualquer. Há um belíssimo livro de Edmund de Waal, oleiro e ceramista, chamado A Lebre de Olhos de Âmbar, que se debruça justamente sobre uma colecção de pequenas peças japonesas (netsuke), muito em voga no final do século XIX, como, aliás, outras «japonesices». De Waal herdou esta colecção de um tio-avô e observa-a com a maior das atenções: as peças variam muito, incluindo animais, pessoas exercendo ofícios, frutos e até cenas eróticas; as pecinhas cabem numa mão fechada e têm um certo ar de talismãs. O autor resolve então ir atrás dos anteriores proprietários e regressa a uma riquíssima família de judeus, os Ephrussi, cultos e amigos dos impressionistas, que viviam entre Viena e Paris e se tornaram grandes coleccionadores de arte, nomedamente um dos irmãos, Charles, que privou com os Goncourt, e foi o primeiro proprietário dos netsuke. Vale muito a pena ler este delicioso livro premiado sobre tempos que não voltam e pessoas que também já não há. Em 5ª edição, creio, o que para uma não-ficção sobre arte está bem acima das expectativas.

Comentários

  1. Bom dia, Extraordinári@s Leitores:
    Sim, é livro muito interessante de ser lido. E naturalmente já lido. O espírito de coleccionista também me tocou em tempos. Agora são mais as canetas de todas as cores, lápis idem, mas principalmente as leituras. Já que as vou contabilizando desde há muito tempo. E quando falo em contabilidade nestas áreas é exactamente isso: registar tudo o que vou lendo... e sendo uma mania, confesso, vai-me fazendo muito feliz!
    Quanto ao livro, soube da existência do mesmo, aqui nesta nobre salinha, frequentada por muitos. E diariamente. Por tudo o que aqui vou aprendendo (e beneficiando também, quero pensar assim, a minha actividade profissional), muito obrigada Maria do Rosário. Que esta salinha literária nunca feche portas.
    Boas e mui profícuas leituras para Tod@s!
    Celeste Silveira

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  2. António Luiz Pacheco11 de maio de 2022 às 02:35

    Já ouvi falar desse livro, sim. Também creio que foi aqui no HE. Sem dúvida que para um romance sobre uma colecção de miniaturas japonesas, é impressionante a saída.
    porém o que a mim mais impressiona, é a continuada e exagerada premiação literária, lá vem mais um! Não critico que se diga ter sido premiado, notem, no entanto não consigo aceitar e menos entender esta fúria premiativa de tudo o que seja livro, desde que interesse promovê-lo evidentemente, através da premiação. É o "pague-um-leve-dois" livreiro, não posso deixar de pensar.
    Haverá já quem coleccione prémios literários? Imagino que sim, como o Cristiano Ronaldo colecciona recordes.
    Saudações premiadas cá da Cidade Morena.

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    1. Cláudia Da Silva Tomazi11 de maio de 2022 às 05:51

      Bom dia Extraordinário ALP. Gostaria de o atualizar com relação a distinta coleção de prémios futebolistas; vai demorar alguém do setor desbancar Jorge Jesus, em um ano e quatro meses arrebatou cinco campeonatos (entre) nacionais e internacionais com o Clube de Regatas Flamengo. Esteve por aqui semana passada para o Carnaval e na mídia do Iapoque ao Chuí faz barba água. O povo em coro o cognomina “Cometa Jorge Jesus” à equipa seleção brasileira. Ser dirigente a seleção Canarinho. Haja coleção de título!

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    2. António Luiz Pacheco11 de maio de 2022 às 08:06

      Haja Jesus!!!! É caso para se dizer ó Cláudia!
      Ahahah!

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  3. Li-o em primeira edição e confirmo: é um livro extraordinario!
    Nada tenho contra livros premiados, antes pelo contrário...
    Há cerca de 20 anos que anoto todas as minhas leituras - e também os filmes.
    A minha primeira colecção foi de postais e durou quase toda a vida.

    Recadinho para o SEVE:
    Já sei que embirra com o programa de literatura das terças à noite na rtp2, mas vá espreitar o de ontem se quer ouVer a entrevista da "nossa" Maria do Rosário a propósito do seu novo livro.
    📚Boas leituras!

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  4. Cláudia Da Silva Tomazi11 de maio de 2022 às 05:59

    As crianças amam coleção e desde sempre já a infância oferece este “amealhar” conchinhas, figurinhas, carrinhos, bonecas e até pedrinhas! A intimidade da coleção faz-se presente inclusive e propriamente com a elevação cultural da coleção de palavras, creio que deva ter tanta delicadeza quanto intimidade com a natureza humana.

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  5. Tal como a Extraordinária Celeste, conheci esse livro nesta salinha literária e num momento feliz o comprei! Posso dizer que o li, mas diria melhor que o devorei! Que belíssima história da História nos conta de Waal! Não me admiro nada que vá na 5ª edição. É um livro que me deixou o coração cheio de ternura, tão feliz fiquei com a sua leitura (e vão duas rimas num mesmo comentário, peço desculpa).
    Boa tarde e boas leituras!

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  6. "A Lebre de Olhos de Âmbar" - creio que há cerca de três, quatro anos comecei a ler este livro mas por volta da pág. 30 "deslarguei-o" pois nunca consegui entrar na história. Na altura achei-o simplesmente maçador.

    Uma sugestão: porque não falar, por exemplo uma vez no mês, dos livros que desistimos antes do fim.

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    1. Oh, excelente ideia!
      Eu achei maçadores certos livros de que outras pessoas gostam muito! Alguns até quase tenho vergonha de dizer que achei maçadores, mas o que fazer? Nós não escolhemos gostar ou não gostar das leituras.

      Por exemplo, o mês passado li um livro que também "levei daqui" do blogue e que, não foi bem achar maçador, mas não consegui encontrar-lhe a vibração que esperava e terminei-o já um bocado em esforço: "O país dos Outros" de Leila Slimani.

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  7. Adorei este livro, que de alguma forma me veio à memória quando li o Homem do casaco vermelho, pelas magníficas viagens no tempo que me proporcionaram.

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    1. Aconteceu-me o mesmo ao contrário. Estava a ler este e a lembrar-me do livro de Barnes. Les beaux esprits...

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  8. Acabei de o ler. Um livro maravilhoso! Um passeio pela História da Europa, pelos bons e terríveis acontecimentos do século XX. Grata pela sugestão.

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