A vida de Pessoa

A personalidade fascinante de Fernando Pessoa, escrevendo por muito mais do que as quatro mãos que os miúdos aprendem na Escola Secundária, atraiu um número bastante grande de académicos para o estudo da sua obra, quer em Portugal, quer no estrangeiro, onde professores e escritores se apaixonaram claramente pela diversidade, pelo volume e pela maravilha dos textos saídos de arcas e mais arcas de tantos em tantos anos. Patrick Quiller, por exemplo, foi um dos responsáveis pela difusão de Pessoa em França, e Antonio Tabucchi, todos o saberão, mostrou-a aos leitores italianos. A edição da obra pessoana em Portugal tem estado, de resto, a cargo de dois investigadores estrangeiros: o colombiano Jerónimo Pizarro, que dirige a colecção na editora Tinta-da-China e ensina Pessoa na Universidade dos Andes, em Bogotá; e o norte-americano Richard Zenith, que coordena a colecção da editora Assírio & Alvim. Era a este pessoano, aliás, que eu queria chegar hoje, pois acaba de ser publicada o seu Pessoa: Uma Biografia, publicado pela Quetzal, um livro que esteve na final do Prémio Pulitzer e do qual  António Damásio disse ser «a equilibrada união entre o génio literário de Fernando Pessoa e os poderes analíticos do seu biógrafo». Muito curiosa com estas mais de mil páginas... para ir lendo e entremeando com outras coisas mais maneirinhas.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco18 de maio de 2022 às 01:30

    GRRRRRR!!!!!! Ai os prémios, os malvados prémios, sempre eles, como se fizessem falta à divulgação das obras. Apetece-me logo não comprar, que querem, sou do contra!
    Bom, depois deste momento de azia e de desopilar o fígado, vamos ao que interessa:

    Sou dos que descobriram tarde o verdadeiro Fernando Pessoa, ou se quiserem comecei a perceber o significado do que escreveu, já em adulto, pois também me parece que é precisa alguma maturidade e mundividência para o entender e valorizar.
    Hoje leio ou interesso-me por tudo sobre ele, já não apenas pelos escritos mas pela sua personalidade multifacetada e até por alguns dos seus interesses.
    Denso e complexo, Fernando Pessoa torna-se fácilmente numa paixão.
    Gostei particularmente da citação de António Damásio, o que me anima ainda mais no tocante à obra aqui trazida, em boa hora. Serão mais de mil páginas de interesse e gozo, portanto, garantidamente!
    Fica para Setembro. Pena é que será demasiado pesado para trazer para cá e difícil que o consiga ler em duas semanas, vai para o lado da biografia do Churchill que ando a ler aos poucos... pelo menos vou-me entretendo e deleitando, sem pena de acabar.

    Saudações Pessoanas cá da Cidade Morena.

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  2. Oh diacho, mil páginas! Terá que esperar... e muito. É que ando a ler Os Sete Pilares da Sabedoria, de T. E. Lawrence, um tijolo de 800 páginas. E tinha pensado reler no verão os três volumes de Guerra e Paz, de Tolstoi, que devem ultrapassar aquela soma.

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    1. António Luiz Pacheco18 de maio de 2022 às 04:20

      Bom livro esse dos 7 pilares da sabedoria, mas para ir lendo sim... que é coisa para mastigar e digerir! Guerra e Paz, esse lê-se mesmo, isto é, temos de ir seguindo o desenrolar da história e acompanhando as vicissitudes dos personagens.
      Estou aqui a pensar que, nenhum desses dois livros ganhou nenhum prémio... o que deve ter-lhes feito muitíssima falta, ás obras e aos autores!
      Boas escolhas essas! Mas o Fernando Pessoa parece-me incontornável!
      Abraço!

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    2. Ó Paxeco, haverá melhor prémio que a imortalidade?

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    3. Desculpem intrometer-me, mas o filósofo norte-americano de ascendência espanhola George Santayana dizia que "O facto de ter nascido é, para o homem, um mau augúrio quanto à imortalidade".

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    4. António Luiz Pacheco18 de maio de 2022 às 11:17

      Não é preciso ser, sequer, filósofo, para saber que se nasce tendo como destino, a morte!
      Eheheheh!
      Mas, como bem diz o Severino, a imortalidade (em termos de ser lembrado) é o que atingem os génios.
      Saudações mortais!!!

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  3. Tem razão em tudo o que escreveu sobre aquelas obras. E também sobre Pessoa. Melhor que ele só as crianças, ele próprio o afirmou (a não ser que o poeta seja mesmo um fingidor).

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  4. Cláudia da Silva Tomazi18 de maio de 2022 às 05:31

    Bom dia. Hoje deu para ver que estamos extraordinariamente pela honra do "tijolo". Nem seja por isso e por aqui vou, também com minhas 700 paginasitas amassando barro (iiirc).

    Obviamente o assunto é outro e nem vou desviá-lo porque bucolimente discordo do amigo ALP. Sobre àquela pequena, mas não menor e se lho deixa ser (redundante) porque, implica com a sombra de Pessoa. Pudera. Se... o extraordinário que nem faz pálida ideia o quanto o poeta Fernando Pessoa é ostentado em terras brasileiras. Pois se... o amigo aceitasse algum desafio, iria perder e teria de desfilar com estandarte em punho pela baixa de Lisboa escrito "amo Fernando Pessoa". Mas, com esse ribatejano só vendo para crer. Então se... nada lho diz, sugiro que consulte outro amigo: o Mister Google. Aliás, barrão corrija-me que a chamada nem o apresentar com elevado primor entre pensamento e poesia, posicionam milhares de entradas em posts as redes sociais brasileiras e nem só. Prestam-se espanhol e inglês, já o fazem parte a cultura inclusiva o digo motivacional.

    Este agregar límpido, quase tudo muito sacro e santo não se interrompe e segundo a filosofia Zygmunt Bauman urge tanto quanto importância as notas de rodapé. Bem, é isto. Portanto ecoa de um modo ou de outro, independente de quaisquer vontade Fernando Pesdoa segue o fluxo em citações ou da agremiação à memória do tão ilustre a Língua Portuguesa.

    Saudação deste lado da campanha do Atlântico.

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    1. António Luiz Pacheco18 de maio de 2022 às 05:48

      Pequena? Tudo vale a pena, se a alma não é pequena... escreveu o nosso bem-amado Pessoa!
      Sei que no Brazil também é muito apreciado, sei sim senhora! Não precisarei de desfilar por força desse detalhe.
      Eheheheh!

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    2. António Luiz Pacheco18 de maio de 2022 às 05:55

      Pequena?
      Tudo vale a pena se a alma não é pequena!
      Ora, eu sei muito bem o quão apreciado é aí no Brazil, o nosso bem-amado Pessoa, sei sim senhora!
      Não corro risco de ter de desfilar por causa disso.
      Eheheheh!

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    3. António Luiz Pacheco18 de maio de 2022 às 05:57

      Bolas, esta coisa às vezes dá-me a volta, publica-não publica...
      Que me dizes, ó Cláudia deste interlúdio Pessoano?

      O Víctor quando me viu abeirar das escadas, ergueu e mostrou-me as mãos: Não notas nada?
      Tens as mãos lavadas?
      Não, burro. Olha-só! Vês algum cigarro? Deixei de fumar, ya!
      Então e o Fernando Pessoa?
      Parece que o meu Destino não me o concede, afinal… já não saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos. Retorquiu-me no seu tom mais sereno.
      Acenei-lhe, gritando: - Adeus ó Esteves! E rimos todos da pilhéria pessoana.
      Esteves, com ou sem metafísica? Perguntou-me Sónia, entrando no jogo.
      Compreendi-te… disse-lhe com um sorriso cúmplice mas a fitá-la avaliadoramente, ela arvorando um ar perfeitamente neutro, alheada e impassível, tudo demasiado para não ser estudado… conhecia-a bem, àquela!
      E o Universo reconstruiu-se sem ideal nem esperança! Declamou atrás de mim a Vi, abrindo os braços curtos e gorduchos na sua habitual pose teatreira - tinha jeito apesar de tudo. Depois virando-se para mim: O que foi? Surpreende-te a minha cultura pessoana, pessoal? Posso até dizer que sou eu mesma uma pessoa.
      Pessoa? Tu nem sequer és humana! Declarou Sónia.
      Rimos, eu respondendo: - Acredito… Bom, quero dizer, talvez… mas és seguidora dele em qual aspecto? Neopaganismo? Decadente… ou pela cirrose hepática que arriscas vir a contrair?
      Novas gargalhadas, ela ficando ali plantada a olhar de um para o outro, com ar embufado.
      - Ah-ah-ah! Que engraçados sois. Não posso conter o riso! Olha-só! Respondeu empertigando-se num trejeito de supremacia e desprezo. Virou-se para mim: - Vocês os literateiros têm a mania que nós, os das ciências exactamentistas, pelo nosso pragmatismo não temos a sensibilidade para entender os conceitos iniciáticos dos mestres-escreventes. Mas é exactamente o inverso, pois sobra-nos a acuidade enquanto a vós falta a visão para visualizarem com exactidão o Universo, como nós o vemos, com a racionalidade do simbolismo modernista.
      Rendo-me! Admiti. Até por causa desse gajo atrás de ti, todo baboso pelo que acabas de dizer, apesar de não ter percebido patavina. É isso o realismo? (Referia-me ao Lucas). Encaixa no modernismo ou no simbolismo?
      Fez um largo gesto passando-lhe o braço pelos ombros: Não! É decadência-mesmo. Racionalismo portanto!
      Risada geral, incluindo o aludido, sem entender coisíssima nenhuma do que estávamos a falar, o qual passou-
      lhe o braço pelo que deveria ser a cintura, com o ar mais embevecido deste Mundo. Era óbvio que tinha o maior orgulho na namorada, de quem já me havia dito ser inteligentíssima e culta. Bom, e lá isso era!
      É-mesmo! Afirmou prazeiroso, fazendo-nos rir novamente.
      Certeiro, o Víctor declamou no seu tom sardónico:
      - Com uma tal falta de gente coexistível, como há hoje, que pode um homem de sensibilidade fazer senão inventar os seus amigos, ou quando menos, os seus companheiros de espírito?
      Vénia teatral da Vi: agora é que me compreendeste, portanto valorizas o esforço que faço para vos inventar. Porque se olhares bem, ninguém seria jamais capaz de inventar personagens assim. Foi por isso que me inventei a mim mesma, para poder emparelhar com a espantosa gente que me rodeia.
      Batemos-lhe palmas perante este “grand final” de sua inteira autoria, porém coerente.
      Que me dizes agora, ó literato analítico tropical? Desafiou-me.
      Encolhi os ombros: Eu? Eu é mais António Gedeão, tipo… lancei ao mar o madeiro, e assim, tás a ver?

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    4. Cláudia da Silva Tomazi18 de maio de 2022 às 06:56

      "Bolas, esta coisa às vezes dá-me à volta"... Caríssimo ALP tem mais haver consigo.

      O lembro: são apenas metáforas que nos provocam. Quando um "apanhado" independente de quaisquer excerto se lhe aponta sentido?! Ora sim, ora não.. Se toda ciência gramatical à exerce, portanto quando a razão nos faculta conhecimento o domínio da razão, já se lhe tornou literatura e convenhamos o sucesso a perfeição gramatical é muita água. Embora o universo de Pessoa, há quem o descreva controverso exibe-o de conteúdo e assinatura intelectual, homem com elevada paixão Língua, o pendão universal em Portugal de quantos continentes?... Em tudo se lhe verte uma posição, uma resposta; onde não mais que serviçal ou mestre às futuras gerações por exemplo. E por final, percebê-lo humilde.

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    5. António Luiz Pacheco18 de maio de 2022 às 07:13

      Creio que o Universo de Pessoa é controverso, sim, talvez por ser tão largo e profundo!
      Não para mim, que nem me atrevo a tal, tomara conseguir aperceber-me apenas daquilo que encerra ou significa. Para mim é fascinante! Morrerei certamente sem o ter atingido, aliás nem sou um estudioso, apenas um interessado que vai tentando dar umas dentadas na vasta travessa que compõe.
      Quanto á controvérsia, esta sempre anda aliada ao génio penso eu. Não consigo lembrar-me de nenhum Génio digno desse nome que fosse cordeiro, "mainstream", colaborante, cooperante, assecla, esbirro, seguidista, ou mesmo "bonzinho" e concordante com tudo e todos. Estarei errado?

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    6. Cláudia da Silva Tomazi18 de maio de 2022 às 08:13

      Acredito ser a controvérsia um mundo em paralelo a defesa de gostos e têm quem o arrefeça em defesa. Mas, a ideia de génio trata-se o brilhantismo a naturalidade, onde lhe é superior naturalmente o modo de sentir e expressar; o vislumbre ou decepção. O mundo se lhe domina sob força ou sob fórmulas. Através o formato escrita, as letras, as palavras são fórmulas e acessam esta identidade (muitas vezes) com ou sem proselitismo, porém de uma "força extraordinária" por apresentarem algo que nos é desconhecido ou não. Emoçõe(s) é (são) lapso(s) temporal(ais) e a leitura devolve impulsos e integração e integridade, nos constroe, forma, atribui e só.

      Estarás sempre certo em indagar quaisquer atitude.

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  5. Não gosto de ler livros com mais de 500 páginas, mas percebo que uma boa biografia de Fernando Pessoa, de Alberto Caeiro, Álvaro Campos, Ricardo Reis, Bernardo Soares e companhia, teria de ter muitas páginas.

    E só podia ser da autoria de Zenith ou Pizarro.

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