5L
E não é que o Festival 5L voltou a ser presencial? Maravilha. Até dia 8, há actividades por essa Lisboa fora para dar e vender (e desculpem não ter avisado antes, já estamos em cima do acontecimento, hoje à tarde o certame abre com uma conversa entre Leïla Slimani e Dulce Maria Cardoso sobre o silêncio e a escrita, com a moderação de Tânia Ganho, escritora também ela e tradutora). Mas haverá mais debates, filmes, performances e lançamentos de livros nesta que é a terceira edição do 5L, festival organizado pela Câmara Municipal de Lisboa com a curadoria de José Pinho, o livreiro empenhado e criativo que fez o FOLIO e encheu de livrarias a vila de Óbidos. Este ano, o 5L associou-se à Temporada Cruzada Portugal-França, pelo que teremos connosco vários autores franceses, entre eles o poeta Jean-Pierre Siméon, que estará numa mesa com Nuno Júdice. As coisas passam-se em vários locais, desde o foyer do São Carlos (onde eu própria vou falar do que é descobrir novos talentos com o editor da Companhia das Ilhas, Carlos Machado, no dia 8 às 12h) até ao Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, passando pela Livraria Ler Devagar e muitos outros espaços. Consulte o programa e vá ouvir falar de livros!
Ontem falou-se de livros e de leitores na RTP1. Parece que não tem a ver, mas talvez tenha...
ResponderEliminarFala-se sempre das mesmas coisas, dos mesmos problemas. E é claro que é sobretudo um problema cultural (continuo a pensar que quem não lê livros, também não vai a museus e ao teatro, mesmo que sejam coisas diferentes).
Mas o que eu quero aproveitar, é esta oportunidade de se falar de um "Festival Literário" (é uma moda recente, que me parece não ser mais que uma "feira de vaidades" para escritores, que também têm esse direito, na nossa sociedade consumista...), por ter a sensação que estes não têm contribuído em nada para melhorar os índices de leitura. E isso também é preocupante, principalmente quando se continua a dizer que cada vez se lê menos livros, etc, etc.
Claro que aceito todas as opiniões contrárias... desde que fundamentadas.
Tenho de concordar consigo, Luis!
EliminarTambém não me parece que os escritores façam muito pela leitura, além de escreverem os livros, mas depois ficam por aí, género: eu fiz a minha parte, façam vocês a vossa! Como se as pessoas fossem obrigadas a lerem os autores porque estes acham que sim. Esquecem-se os autores de que têm de atrair as pessoas, falo das pessoas comuns, as que lêem nos comboios e nas horas vagas, não falo de académicos nem de profissionais como os editores, críticos, etc. e nem sequer de uma elite intelectual que se presume leitora e bem-pensante, que frequentem os citados festivais, muitos até porque lhes fica bem aparecerem e dar um ar da sua graça de gente culta. O escritor ensimesmado, que vive fechado no tal isolamento de que se falava outro dia, antipático, soberbo e elitista não é um divulgador de livros nem da leitura, não faz mais nada por isso. Ser excêntrico, isso pode ajudar...
Ah e tal, antigamente, o Eça e coiso e isso... Pois, mas os tempos eram outros! Hoje estamos em 2022 e é o que temos, ou se vive no Mundo real com pragmatismo ou então de que serve andar a viver e a pensar no passado, quando ainda por cima se rejeita o passado para umas coisas e se é saudosista noutras? Incoerência.
Ainda ontem li uma declaração do celebrado Escritor Lobo Antunes, um exemplo do que não se pode ser em termos de postura, pois é francamente antipático e se acha superior, pelo que não atrairá leitores que não sejam mesmo-leitores, sem querer saber dele. Dizia ele que um país de gente que leia nunca será um país de escravos!
Opinião dele... mas pergunto: Ai não? Então o Esopo não era escravo? E na ex-URSS não se lia até muito, e o que eram os soviéticos senão escravos do regime? E em Cuba?
Ser bom escritor é uma coisa, ser popular é outra, e, ser sábio ou ter razão no que se diz é ainda outra. Conciliar tudo é muito difícil... parece-me.
Abraço para si!
Gosto muito de ler estes posts em que se dão a conhecer programas e fala destes eventos de literatura, livros, escritores, etc.
ResponderEliminarSão a prova de que a literatura está viva e activa, ao contrário daquilo que se diz e os cinzentos anunciam constantemente. Mas é preciso que haja quem organize e leve a cabo, quem empurre, quem participe e claro, quem assista! Parece-me que sim.
Ainda bem, louvo as iniciativas e desejo sincero sucesso!
Saudações cá da Cidade Morena.
A feira de livros comum, trivial ou seja sem inúmeros atrativos trata-se desacelerada e restrita por seleta. Quando se lhe oferece outra(s) proeza(s), emergem-na actualizando os "teens". A diferença nem pífia, indiretamente se lhe alcança em diversidade, o possível jovem leitor. Este sim, cada vez mais necessário, encontram-se o "pool cultural" de workshops e até aulas com escritores. A feira tem de colaborar no sentido mais amplo, pulverizando o mix de mídias com imagens do acontecimento. A presença na web faz, justamente este caminhar par a par as novas gerações. O mundo esta assim, se lhe exige comunicação firme e atuante. Não menos significativo é celebrar valores. O livro sem algum espaço intinerante o considero sair do estande à prateleira, ilustrando somente a exclusiva reserva; convenhamos, escritores são mais que isso.Escritores são exemplos de conhecimento a juventude e repeesentam através a literatura: força, ânimo e coragem ao conhecimento. Amei o título 5L !
ResponderEliminarA conversa intelectualóide dos escritores e de outros(as) como os de ontem na RTP1 (salva-se o Francisco José Viegas) não leva ninguém a ler, pelo contrário-tudo conversa que ninguém entende, nem eles próprios; ler é como saber jogar à bola-nasce e depois trabalha-se e ler dá muito trabalho.
ResponderEliminarO "Dante..." é um comprimido para dormir que passa às 3.feiras à noite na RTP2, e garanto-vos que só a voz do Lamares é uma dose cavalar...é de fugir, quem não lê fica completamente vacinado contra qualquer leitura, venha ela donde vier.
Sev, com todo o respeito por ele, lembras-me o Dr. João de Freitas Branco!
EliminarA falar de música, sabia muito mas era chatérrimo... só quem o ouvia era a minha avó, aliás ele era conhecido e fui colega de liceu do filho dele. Era uma pessoa intolerante para o que não fosse o seu gosto, o filho, João, estava proibido de ouvir música que não fosse a do pai, clássica, o que era castrante num rapaz de 16, 17, 18 anos que não podia ouvir Led Zeppelin nem Santana ou o que não fosse Beethoven, Chopin... uma seca! Mas nos seus programas falava e insurgia-se de como no tempo deles, os músicos que ele considerava, haviam sido incompreendidos. Sem perceber que se tivesse vivido naquela época, ele teria certamente feito parte dos que os condenavam e não reconheciam!
Ou seja foi uma daquelas pessoas que não aprenderam nada com a história, a despeito de cultas... só que inteligentes se calhar nem por isso. Não o considero um divulgador da música, era um chato que não cativava gente nova! Deus me perdoe.
Pelo contrário lembro-me do Maestro José Atalaya que era o oposto, um comunicador que atraía o pessoal do meu tempo, chegou a ir ao liceu de Oeiras fazer uma apresentação, ainda antes do 25 de Abril. Igualmente o saudoso Maestro Leonard Bernestein com o seu programa "música para os jovens", tinha eu aí uns 14 anos, esses eram o oposto daquele cara-de-pau sorumbático e inexpressivo musicólogo, muito sabedor mas nada comunicativo.
Creio que é o grande problema da maioria dos escritores ou da gente da cultura: são uns chatos! Não divulgam nem comunicam, só desdenham dos demais.
Abraço!
Extraordinário Seve, amanhã tem Teolinda Gersão em Luso-brasilidades por exemplo. Aqui no Brasil vai ter início às 15:00 horas a conversa e comentários sobre a obra dela, inclusive com participação da própria Teolinda. De repente você até acha chato, mas por aqui no Brasil ter uma escritora desta envergadura e maravilhoso.
EliminarTeolinda Gersão - grande escritora, aconselho vivamente "PASSAGENS".
EliminarÓ Paxeco claro que não se pode generalizar.
EliminarEstive hoje no encontro entre Leila Slimani e Dulce Maria Cardoso, moderado por Tânia Ganho e amei! Em seguida, corri para ouvir Laborinho Lúcio. Foi um belo final de tarde e será uma bela semana. Susana
ResponderEliminarExtraordinária Suzana, também considero que o Dr. Laborinho Lúcio é uma pessoa muito culta e interessantíssima, que fala e comunica muito bem!
EliminarOnde e a que propósito foi ouvi-lo? Só por curiosidade.
É interessante dizer que há muitos juízes que se enquadram naquilo que disse do Dr. Laborinho Lúcio... o meu falecido tio João Malato de Sousa, o dr. José Marques Vidal, aqui em Angola o Dr. Carlos... os juízes são algo desconhecidos nessa sua valência cultural!
EliminarAssociação 25 de Abril. Tema: Liberdade política. Boa semana
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