Vale tudo
Andava eu num motor de busca por causa dos livros de determinado autor de que um amigo me falara quando fui dar a uma dessas livrarias que fazem também vendas online e cliquei ENTER à espera de ver o que procurava. Ui... Abre-se-me uma página com um livro preto com letras vermelhas e umas cuequinhas provocadoras com o título O Poder da Rata. Grande plano. Pensei que era um desses anúncios que saltam quando menos esperamos e de que só conseguimos livrar-nos uns bons segundos depois, mas... não: era mesmo um livro a ser promovido por essa livraria, uma tradução do original de Kara King (deve ser pseudónimo, porque tem mesmo ar de nome de actriz de filmes porno). Por baixo diz que a edição é «brochada» (até me deu vontade de rir, desculpem) e mais abaixo ainda que quem comprou este livro também comprou um data de outros que têm no título (perdoem) a palavra «foder», com as letras todas ou com um asterisco numa letra em falta. Ai, mãe. Ando eu há tantos anos a tentar que as pessoas leiam coisas com algum nível, livros que façam qualquer coisa por elas, e depois o que está na «Primeira Página» das livrarias é isto? Bem, o resumo é logo um brinquinho, diz que se trata de doze segredos que tornam qualquer mulher forte e atraente. Passo. Prefiro a minha massita cinzenta, deixem estar. Ao que chegámos. Vale tudo.
Este comentario vai dirigido aquelas pessoas que dizem que o que importa e ler.Nunca fui a favor disso,e preciso critério e a escolha de leituras tem de ser feita.Não pode ser as cegas.
ResponderEliminarE acredita que alguém comece a ler por este tipo de livros? E que, se o faça, por aí se mantenha? Suponho eu que quem os procura - ou encontre por acaso - não se vincule para sempre ao género. Penso mesmo que se farta e procurará outra coisa, nem que seja para diversificar.
EliminarParece-me que, antes de se fixar em géneros literários, o futuro leitor terá de os experimentar. O que estranho - algo aberrante - é que uma editora se apresente com tal género de livro. Mas admito que tenha público, chama a atenção. Há quem, por tal motivo, elida todos os princípios. Vivemos no mundo do aparecer para existir.
Mantenho que é preciso ler. É a leitura que, aos poucos, irá dando massa crítica e permitindo escolhas cada vez mais acertadas e concordantes com o indivíduo que lê. É todo um percurso de vida na leitura. Porque nem toda a gente tem a sorte de ter alguém que lhe oriente as leituras. Além disso, aquele que a si mesmo se vai orientando, com erros e tropeços, tem a minha sincera admiração. Aprecio quem desbrava mato a pulso.
Cada dia que passa, o "vale tudo", dá mais um passo em frente.
ResponderEliminarAlguém algumas vez pensou que era possível um país destruir outro país, e o resto do mundo, estar, sentado a assistir?
Completamente de acordo, como é possível um país a ser destruído por um assassino louco e a Europa a ver de camarote. Triste, muito triste.
EliminarO merchandising livreiro não é diferente de nenhum outro.
ResponderEliminarAté vinho vegan se publicita!
Vale tudo? Claro, evidentemente, depende da ganância ou sede de protagonismo, daquilo que se almeja e com que força se quer alcançar algum fim.
Concordo que haja critério no que se lê. Porém, a questão reside justamente no que seja o critério, pois é pessoal e bem diversificado.
Há quem seja atraído e leia esses livros, pícaros, pornográficos, licenciosos, como há quem leia outros temas. A indústria livreira sabe-o tão bem quanto os sabe promover e vender!
Já aqui falei na questão de anunciar autores e obras premiadas, sistemáticamente, como forma de atrair e levar à compra. Actualmente deve haver muito pouco livro editado que não seja declarado como vencedor do festival da sardinha de Inverno, do prémio literário Anastácio Santiago Saramago ou grande prémio da Imprensa Falsa. A ponto de já ser quase obrigatório e aliás mui lapalissianamente aconselhado nos manuais para o escritor de sucesso: vencer um prémio literário, nem que seja o do Café Escondidinho!
Falta a etapa seguinte que é criar prémios literários por catálogo, como rótulos.
Vale mesmo tudo, pois vale. Aliás, não valeu sempre e desde sempre?
Uma santa Páscoa para todos, em família, com apetite, saúde e alegria, são os meus votos cá desde a Cidade Morena.
Para esses livros, se não forem uns atrativos sexuais a promovê-los serão uns tiros e uns murros.
ResponderEliminarBom dia
ResponderEliminarHoje o Post é hilário e me permite "desenformar" um bolo de noiva, feito livro ou "bitcoins" de natureza literária e sem ofensas, mas instintiva do alívio. Onde o livro em questão com doze segredos, desafia tornar sei lá, alguma criatura em "marafona" classuda e atraente. Para meu governo nem me interessa, contudo suponho ser piada se lhe haverem no mínimo, unhas de vampiro e tal salto quinze belo, scapam. Nas vergonhas o bigode amparado pela açorda o rende filete, acima melões em silicone à prestação na esquina da fome. Só Deus sabe a industria do sexo e sacrificios a gentileza masculina. Sob alguma ótica desumana a baderna se conclui promissora. Mas, serão as sonoridades na festinha da algazarra se algum senhor lhe bancar o fundilho à investimentos, possivelmente nem fará propagandas, será retorno garantido às escondidas o farto brilhante. E, neurônios porquê?! Cabeça, são cabelos impecáveis e reluzem algo casto e profano (mesmo) numa cadela. Não esqueça o feromónio, qualquer embrulho à marchetaria tem na bachata som de tango "Besame Mucho". Ah, sorria você estará sendo filmada. Com sorte algum sem regras dará no periódico: casa-se actriz com milionário Donald Trump e agora a russa é First Lady e só viaja no Air For One.
Só para constar, amanhã é sexta-feira Santa o regime a carne. Se vos apetecer, há àquelas sensacionais "bonecas infláveis" de modesto valor, criação oriental em plástico reciclável da China, agora em tamanho Plus Size.
Escadalizem-se ou não, exemplo é que nao falta e tanto para bem como mau. Aqui é Brasil.
Fez-me lembrar o título de um livro de poesia publicado recentemente, Ode Triumphal à Cona, de Cláudia Lucas Chéu.
ResponderEliminarMeu Deus!O que aqui vai!!!...
ResponderEliminarO que se pode fazer com uma açorda! Nunca pensei.
ResponderEliminarhttps://horasextraordinarias.blogs.sapo.pt/linguajar-censurado-543657
ResponderEliminar«Acabo de publicar um livro infantil de David Machado, com ilustrações incríveis de David Pintor, que é o melhor presente que pode haver para crianças que estão a aprender a ler: Chama-se "O Alfabeto Nojento" e é completamente escatológico. Acho que os miúdos sempre adoraram histórias com cocós, arrotos, puns, etc., e que por isso vão aprender o alfabeto em três tempos com as partidas (nojentas) do protagonista. Mas há sempre o perigo de os pais bota-de-elástico não pensaram assim… » MRP, 2019/11/18
Boa Páscoa! ;-)
Nada que ver uma coisa com outra. Brincadeira não é coisa séria.
EliminarQuem realmente adora , respira e respeita ler, os livros, a palavra,.. não se interessará por lixo. Haverá sempre lixo ,infelizmente ,a rondar o que de mais belo há pelo mundo.
ResponderEliminarO que parece lixo para uns não é para outros, se todos fossem iguais o mundo seria muito aborrecido.
EliminarHoje já nada, ou quase, me espanta. Mas, em 1993, quando entrei para gerente da Livraria Bertrand, em Coimbra, chocou-me, sim, ter ficado a saber que uma livraria era uma “loja” e ter verificado que vender livros era, mais ou menos, como vender batatas. E, igualmente, me chocou que, para o tornar mais vendável, um livro de Miguel Esteves Cardoso, editado em 1994, tenha saído com o título “O Amor é Fodido”, quando um o título como, por exemplo, “O Amor é Difícil”, sumariaria bem o conteúdo. O marketing utilizado pouco difere do utilizado para divulgar o livro referido por MRP. mas… o livro vendeu como rebuçados e, pelo menos teve já nove edições.
ResponderEliminarPor falar em leitura, transcrevo de “Uma História da Leitura”, de Alberto Manguel
[…] A leitura serve como veículo metafórico, mas, para ser compreendida, tem ela própria de ser reconhecida através de metáforas. Assim, como os escritores falam de cozinhar uma história, de refazer um texto, de ideias a serem desenvolvidas para um enredo, de dar picante a uma cena ou dar corpo a um argumento, transformar os ingredientes de um romance cor-de-rosa em prosa cheia de melaço, um naco de vida condimentado com alusões nas quais o leitor pode cravar o dente, assim também nós, os leitores, falamos de saborear um livro, de encontrar nele alimento, de devorar um livro de uma assentada, de regurgitar um texto, de ruminar um excerto, de enrolar a língua as palavras de um poeta, de se banquetear com a poesia, de fazer uma dieta de policiais. (pp. 179-180)
[…] “Os que sabem ler vêem duas vezes melhor”, escreveu o poeta ático Menandro, no século IV a.C. (p. 195)
+++++
Boa Páscoa e boas leituras.
Manuel Dias da Silva
Interessante excerto nos trouxe aqui!
EliminarAbraço Pascal cá da Cidade Morena, como moro atrás da Sé Catedral estou a ser embalado por cânticos, aliás bonitos e que nos enchem de paz, uma particularidade das missas locais.
Hoje já nada, ou quase, me espanta. Mas, em 1993, quando entrei para gerente da Livraria Bertrand, em Coimbra, chocou-me, sim, ter ficado a saber que uma livraria era uma “loja” e ter verificado que vender livros era, mais ou menos, como vender batatas. E, igualmente, me chocou que, para o tornar mais vendável, um livro de Miguel Esteves Cardoso, editado em 1994, tenha saído com o título “O Amor é Fodido”, quando um o título como, por exemplo, “O Amor é Difícil”, sumariaria bem o conteúdo. O marketing utilizado pouco difere do utilizado para divulgar o livro referido por MRP. mas… o livro vendeu como rebuçados e, pelo menos teve já nove edições.
ResponderEliminarPor falar em leitura, transcrevo de “Uma História da Leitura”, de Alberto Manguel
[…] A leitura serve como veículo metafórico, mas, para ser compreendida, tem ela própria de ser reconhecida através de metáforas. Assim, como os escritores falam de cozinhar uma história, de refazer um texto, de ideias a serem desenvolvidas para um enredo, de dar picante a uma cena ou dar corpo a um argumento, transformar os ingredientes de um romance cor-de-rosa em prosa cheia de melaço, um naco de vida condimentado com alusões nas quais o leitor pode cravar o dente, assim também nós, os leitores, falamos de saborear um livro, de encontrar nele alimento, de devorar um livro de uma assentada, de regurgitar um texto, de ruminar um excerto, de enrolar a língua as palavras de um poeta, de se banquetear com a poesia, de fazer uma dieta de policiais. (pp. 179-180)
[…] “Os que sabem ler vêem duas vezes melhor”, escreveu o poeta ático Menandro, no século IV a.C. (p. 195)
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Boa Páscoa e boas leituras.
Manuel Dias da Silva