O que ando a ler
Se gosta de Salinger, este autor é para si: John Fante, um norte-americano que inspirou Bukowski, o autor responsável, aliás, pela sua redescoberta nos anos 1980 como um dos grandes vultos da literatura norte-americana. Fante é sobretudo um fantástico narrador da época da Depressão e, nascido em 1909, publicou vários romances até a diabetes o deixar cego (e, mesmo assim, ditou ainda um ou outro à mulher). O livro que agora tenho em mãos foi publicado em 1938, chama-se A Primavera Há-de Chegar, Bandini e é o primeiro romance de uma série de quatro dedicados a Arturo Bandini, um filho de imigrantes italianos pobres que, neste primeiro volume, tem apenas catorze anos e está dolorosamente apaixonado por Rosa, colega na escola católica que ambos frequentam. Arturo tem dois irmãos (August e Federico, de dez e oito anos, respectivamente), a quem faz tropelias sérias e criticáveis; além disso, detesta ser italiano e pobre, idolatra o pai que não vale nada (joga, bebe, engana a mãe) e é capaz de odiar a mãe, profundamente terna com os filhos e excessivamente católica (a sombra do pecado está sempre na cabeça dos miúdos quando fazem uma asneira, como roubar da travessa as duas pernas do frango quando há frango, o que é raro). Vamos ver se a Primavera chega a Bandini, pois até onde li a vida é extremamente difícil para esta família a um tempo marginalizada e digna de compaixão, e mais ainda para Aurturo, que atravessa a mais dura etapa da sua vida: a adolescência. Comparável a romances como Pela Estrada Fora ou À espera no Centeio, vale muito a pena.
Estavam os anos 90 a chegar ao fim, vi o filme «A Primavera Virá, Bandini» de Dominique Deruddere, com o Joe Mantegna, Ornela Muti e Faye Dunaway. O ter gostado do filme, o saber que era a adaptação de um livro, deveria ter-me levado a procurar o livro. Falhei. Ainda terei olhos para o ler? Vou tentar. Passou-se o mesmo com «O Poder do Cão».Na «Almedina», estive com o livro nas mãos, não avancei, voltei a pensar nisso quando vi o filme, de que gostei muito, ao contrário dos críticos-oscarizados-de-hollywood. A idade que vou tendo ensinou-me que os livros estão primeiro, sempre. Mas há deslizes… o velho Pessoa dizia que nunca conheceu quem tivesse levado todos os seus conhecidos eram campeões em tudo.
ResponderEliminarEstavam os anos 90 a chegar ao fim, vi o filme «A Primavera Virá, Bandini» de Dominique Deruddere com o Joe Mantegna, Ornela Muti e Faye Dunaway. O ter gostado do filme, o saber que era a adaptação de um livro, deveria ter-me levado a procurar o livro. Falhei. Ainda terei olhos para o ler? Vou tentar. Passou-se o mesmo com «O Poder do Cão». Estive com o livro nas mãos, não avancei, voltei a pensar nisso quando vi o filme, de que gostei muito, ao contrário dos críticos-oscarizados-de-hollywood. A idade que vou tendo ensinou-me que os livros estão primeiro, sempre. Mas há deslizes… o velho Pessoa dizia que nunca conheceu quem tivesse levado porrada, todos os seus conhecidos eram campeões em tudo.
ResponderEliminarAndo a ler Amanhã na Batalha Pensa em Mim de Javier Marías, para o Clube de Leitura da Universidade Sénior da Portela; não estou a gostar nada apesar dos elogios ao autor, futuro nobel espanhol!? Estou a acabar Recordações da Casa dos Mortos de Dostoievski e acabei Nos Passos de Santo António de Gonçalo Cadilhe.
ResponderEliminarBoa partilha esta.
ResponderEliminarGosto de Salinger, de J. Fante lembro-me de ter lido - e gostado! - de "Pergunto ao pó".
Estamos então perante uma série? Ou coisa do género, com sequelas?
O grande escritor da recessão, para mim, continua a ser o Steinbeck, sem ser o único evidentemente, mas foi talvez o mais prolífico.
Acabei de ler "Vinte e Quatro Horas na Vida de uma Mulher" de Stefan Zweig. Li-o por curiosidade (nunca tinha lido nada deste autor, que se refugiou no Brasil durante a Segunda Guerra e onde nos deixou...). É um livro que se lê de um fôlego, até por não ter muitas páginas, mas não me deixou muito impressionado.
ResponderEliminarTambém estou a descobrir (por acaso... tenho vários livros que "desconhecia"...) a poetisa Natércia Freire.
JOHN FANTE - Absolutamente empolgante, um escritor fantástico que adoro e que aconselho vivamente.
ResponderEliminarA saga de ARTURO BANDINI é composta por quatro grandes/enormes livros, este "A PRIMAVERA HÁ-DE CHEGAR" , "ESTRADA PARA LOS ANGELES", "PERGUNTA AO PÓ" e "SONHOS DE BUNKER HILL", este ditado à mulher depois de ter ficado cego em 1978, depois de em 1955 ter sido atingido, como a MRP já referiu, pela diabetes.
Estes são livros absolutamente imprescindíveis, quem gosta de John Steinbeck irá gostar de John Fante.
Saliento ainda o excelente "A CONFRARIA DO VINHO" um romance claramente autobiográfico - John FANTE teve uma vida duríssima (era filho de italianos pobres imigrados), passou fome, vagabundeou sem descanso, viveu em sórdidos móteis, envolveu -se com as mulheres erradas, trabalhou numa fábrica de conservas e como condutor de autocarros, teve graves problemas com o álcool, proclamou que era um génio incompreendido.
Não deixem de ler John FANTE; não será um escritor fácil mas é daqueles que nos obriga a pensar e, penso eu, são estes livros que nos obrigam a pensar que vale a pena ler.
Estes livros podem ser lidos isoladamente e não têem que ser lidos de seguida porque nenhum é a continuação do anterior.
EliminarEstes livros (da saga) podem ser lidos isoladamente, não têem que ser lidos de seguida porque nenhum é a continuação do outro.
EliminarAndo a ler "ONÉSIMO PORTUGUÊS SEM FILTRO- UMA ANTOLOGIA".
ResponderEliminarEstou a acabar e a gostar deste livro de pequenas histórias onde cabe Portugal, os portugueses, a América, os americanos, os luso-americanos e os Açores.
Onésimo Teotónio Almeida; açoriano em Portugal, português na América, americano nos Açores deambula há quarenta anos, Professor na Brown University (Rhode Island, EUA), escreve estes belos ensaios de que estou a gostar.
Curioso citares aqui esse Grande Conversador que é Onésimo de Almeida!
EliminarGrande Conversador lhe chamo, como foi Victorino Nemésio e são tantos dos açorianos, grandes conversadores que não raro dão em escritores.
Não sei explicar, mas há algo nos Açores que propicia a reflexão, a conversa, e, a escrita!
Durante vários anos, entre 1976 a 1990 e poucos, fui assíduo dos Açores, fiz por lá bons amigos, chegava a ir lá passar o fim de semana, a casa do meu compadre em comissão militar na ilha Terceira. tenho saudades das noites bravas de tertúlias, na Terceira, nas Velas de S. Jorge, nas Lajes das Flores... conheci Grandes Conversadores, poetas e poetisas, pintores, gente das letras e da escrita, gourmês, mas sobretudo Grandes Conversadores!
Depois dos anos 90, retomei África onde estivera em 1984, também há aqui Grandes Conversadores!
Abraço, Severino!
"Anda Paxeco"
EliminarAqui há uns anos ouviu -se, durante uns tempos, este slogan - não sei a sua origem. Um abraço Paxeco.
O Pacheco era um dos acompanhantes musicais da fadista Hermínia Silva, que fazia gosto em dizer: "Anda Pacheco".
EliminarObrigado Luís (um mestre na fotografia, como se comprova no blogue LARGO DA MEMÓRIA).
EliminarGostei muito de ler Fante, aqui há uns anos. Julgo que o recomendei no livro das caras.
ResponderEliminarEstou a começar a ler um livro que foi uma enorme surpresa ver traduzido para português: "Ofuscante - A asa esquerda", de Mircea Cãrtãrescu, eterno candidato ao nobel da Roménia. É uma edição mesmo muito bonita da E-primatur.
Bom fds,
Rui Miguel Almeida
Adorei Salinger, na minha adolêscencia.
ResponderEliminarNunca li nada de John Fante.
Continuo a amar Bukowski.
Ando a ler CRIME HOTEL BRIGHTWELL da americana Ashley Weaver
Estou a ler “Gente melancolicamente louca “de Teresa Veiga.Um livro de contos muito interessante,com uma escrita que se lê bem e que facilmente nos conquista.Já tinha ouvido/lido muito boas referências à autora e que se justificam plenamente.Entre outros venceu o Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco/APE
ResponderEliminarEstou a ler Maestros, Obras-primas & Loucura de Norman Lebrecht.
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