O teatro
Na mesma semana em que perdemos um dos grande encenadores portugueses, venho falar-vos de novo de teatro. Não de um dramaturgo conhecido, mas de um conhecido escritor que, de ora em quando, se transforma em dramaturgo: José Luís Peixoto. Sim, os romancistas que vivem exclusivamente do que escrevem muitas vezes deixam os romances para se dedicar a crónicas, guiões e peças de teatro, e José Luís Peixoto reincide nesta última vertente com a peça estreada dia 16 no Teatro Meridional, que poderá ser vista ao longo de um mês (de quarta a sábado, às 20h00, ao domingo às 16h00). Chama-se Vida Inversa e tem como epígrafe a frase: «Porque conseguimos continuar e, enquanto continuamos, continuamos. Estamos vivos. Ou acreditamos que estamos vivos, o que é, talvez, a mesma coisa.» Embora não tenha ainda assistido (mas quero muito ir), sei que decorre num ambiente que é e não é absurdo e também que reúne uma série de persoagens que juntam as suas melhores ideias para um projecto para o município de Bucareste, na Roménia. Nesses encontros, porém, todos vão necessariamente expor-se, estabelecer relações de cumplicidade, falar dos seus desejos, dos seus sonhos e do que querem para o futuro. Mas se calhar, pela universalidade, poderia ser noutro lugar qualquer... Tudo afinal é tão perto de tudo. Vamos ver? Eu cá estou curiosa.
Pelo que li, é tão profundo que não é para o meu fôlego.
ResponderEliminarPasso. Não gosto de teatro nem de leitura surreal, absurda ou como queiram chamar-lhe, é demasiada "cultura" para esta traça inculta, barroa, ignorante. Há quem não consiga perceber e portanto assistir a uma corrida de toiros, passa-se o mesmo comigo no tocante a certas peças de teatro ou leituras.
No teatro, se aí estivesse iria ver "A ratoeira", garantidamente.
Mas estimo que aprecie e faço votos de que sim.
Saudações cá da Cidade Morena, votos de um Extraordinário fim de semana para todos!
Não sei se vou ver, é provável que não. Mas vou divulgar a quem pode ir. José Luís Peixoto é escritor que me convence. No teatro não sei, mas acredito na positiva.
ResponderEliminarObrigada pela dica, Rosário.
A Maria do Rosário Pedreira não refere - mas suponho que tem conhecimento - que o facto de esta peça de teatro ter como cenário Bucareste não é fortuito, não é por acaso: José Luís Peixoto esteve na capital da Roménia entre Outubro e Novembro do ano passado para participar numa residência de escritores... com autores de outros países, que, não será ilógico deduzir, são as outras tais «personagens» mencionadas. «Personagens» que, nesses «encontros» não tão fictícios como isso, «junta(ra)m as suas melhores ideias para um projecto», «necessariamente (expuseram-se), estabelecer(am) relações de cumplicidade, falar(am) dos seus desejos, dos seus sonhos e do que querem para o futuro.» Pelo que se justifica a pergunta sobre se as «falas» destas «personagens» nesta «peça de teatro» foram criadas do zero ou se correspondem a autênticas afirmações dos escritores estrangeiros da residência, (in)devidamente registadas e utilizadas por JLP.
ResponderEliminarSeja como for, diria que estamos perante mais um exemplo de «umbiguismo» na literatura, que afecta tanto escritores portugueses como estrangeiros, que, por falta de inspiração e/ou por preguiça, «pegam» em acontecimentos mais ou menos triviais e entediantes das suas vidas, dão-lhes novas «roupagens» e - quantas vezes com a ajuda de editores e de «críticos» - transformam-nos em textos que passam por «grande literatura». Aliás, quando o mais recente «romance» da pessoa em causa tem por título «Autobiografia»... que mais é preciso dizer?
Em "Autobiografia" o que mais se encontra, a meu ver, é uma declaração de amor, na forma de profunda admiração, a José Saramago. Umbiguismo não detetei nessa obra, nem sequer em pequenas doses. Aliás, nem nessa nem nas outras que li do autor, muito pelo contrário - curioso como as opiniões podem divergir - até notei um certo altruísmo.
EliminarAtrevo-me a concordar com o nosso Extraordinário Octávio...
EliminarMas ainda bem que assim é, Extraordinária Susana, a diversidade de opiniões e idéias é a grande maravilha do ser humano! Lutemos para que assim se mantenha essa maravilha que é afinal um símbolo da nossa liberdade!
Saúdo-a e congratulo-me com a sua discordância.
Bom dia, caro Extraordinário António Luiz. Plenamente de acordo consigo! A diversidade de opiniões é uma riqueza ao nosso dispôr! Na verdade, já me aconteceu até mudar a minha opinão sobre alguma coisa após discutir o assunto com alguém que pensa diferente. Ou, se não a mudar, pelo menos crescer com a divrsidade, aprofundar-me, etc. É muito bom.
EliminarAlém de que a vida não teria graça nenhuma se fôssemos todos iguais!
Saudações dos Países Baixos.
Susana, concordo 200% com a sua opinião acerca do livro do José Luís Peixoto. Nota-se que o leu e que entendeu o que leu. É que há quem não o tenha lido e emita opiniões difamatórias: e isso é que eu acho verdadeiramente extraordinário.
EliminarA esse(s), a quem o merecido sucesso do JLP tanto incomoda (porque será?), eu recomendaria um bom hidratante para aplicar nos cotovelos...
Boa semana!
Ahhhh... les Pays Bas!
EliminarAhahahah!
Cumprimentos Susana, vamos falando por aqui em liberdade e com elevação!