Ler os russos
Rebenta na Europa uma guerra que é insana e que a maioria dos europeus acha ignóbil. Claro que é! Todos devemos repudiá-la e evitar tudo o que beneficie o senhor Putin, pois crê-se que será pelo lado das sanções económicas que ele se verá obrigado a parar, quando os oligarcas russos começarem a sofrer e a pressioná-lo. Li, porém, no Facebook que alguém pediu que deixássemos de comer salada russa e, embora pareça brincadeira, parece que não era... Conta também o poeta e ex-ministro da Cultura Luís Filipe Castro Mendes que a irracionalidade brota em todo o lado e que "a Orquestra Filarmónica de Zagreb cancelou dois concertos de obras do russo Tchaikovsky, um compositor do século XIX, famoso por O Lago dos Cisnes ou O Quebra-Nozes." Mas está tudo doido?! Que seria deixarmos, por exemplo, de ler os russos, de prescindirmos do génio literário de Maiakovski, Turgueniev, Dostoiévski, Tolstoi, Soljenítsin, Gorki, e tantos outros? Voltando a citar Castro Mendes, "nenhuma vida se salvará assim na Ucrânia nem tal fará a paz regressar. Pensar que se pode cancelar a colossal cultura russa ao mesmo tempo que se apela aos russos para forçar Putin a mudar, ou a mudar-se, não faz sentido." Apoiado.Vá, leiam os russos, que só vos pode fazer bem. E leiam o senhor Vasily Grossman, que é ucraniano, se isso vos consola.
Por favor, em vez do Gorki, o Tchekov e o Gogol. Ficamos melhor servidos.
ResponderEliminarTodos nós já percebemos que a estupidez não tem limites.
ResponderEliminarComeço a estar farto destes "falsos puristas", adeptos das virtudes públicas e dos vícios privados.
A insanidade é intemporal e transversal, parece-me e creio que não me engano.
ResponderEliminarNão existe mais na actualidade do que noutros tempos, ela esteve sempre presente em todas as épocas ao longo da história da humanidade, suponho que seja própria do homem tanto quanto o seu contrário, o bom senso e a temperança.
O facto é que hoje, pela facilidade das comunicações em tempo real a divulgação dos acontecimentos ou das idéias, mesmo as insanas, gozam de um imediatismo que podem levá-las a níveis insuspeitos de publicitação, aparentemente superiores.
A estupidez, essa continua infinita como o Universo, por muito modernos, evoluídos e esclarecidos que se presumam.
Confundir "os russos" em geral, com os chamados oligarcas, ou mafiosos ou lá o que sejam os senhores do dinheiro, e, com o próprio Putin, é absurdo. Como não se podiam confundir com os russos, os "sovietes".
A Arte Russa, a sua cultura, é, como muito bem aqui se diz imensa e sublime, portanto Extraordinária, desde logo a escrita.
Já disse várias vezes que não sou fã dos escritores nórdicos nem centro-europeus, alemães... porém sou-o dos escritores russos! Sem dúvida. Como aprecio compositores e músicos russos, clássicos e de jazz, o ballet, a pintura...
A arte e a cultura russas são poderosas como o exército. Ignorá-la ou bani-la é um acto de lesa-humanidade, porque são muito superiores ao imperialismo ou expansionismo dos seus dirigentes, formados naquilo que hoje se pretende branquear com atitudes pacifistas acreditando no esquecimento do foi o belicismo que um regime, de onde saíram estes hoje ditos oligarcas, estendeu a todo o Mundo sob a falsa capa falsa da liberdade, em que a AK47 foi a principal ou práticamente único agente da dita cooperação e ajuda.
Faço causa consigo, no apelo a ler os russos, sim.
Que eu saiba o Putin nunca escreveu nada, por isso não corremos riscos.
Saudações russas cá da Cidade Morena, onde sei quem faz uma excelente pirozhki !
O apelo a que deixássemos de comer salada russa foi, certamente, um comentário irónico de alguém que não aprecia legumes cozidos ou tem por hábito deixar talhar a maionese. Caso contrário teria incluído nesse repto de indignação o strogonoff ou o molotov. Levar esse comentário a sério é, na essência, tão perigoso quanto querer boicotar a cultura russa. Não perceber a ironia de um é tão revelador quanto ignorar a importância da outra na resolução das diferenças complexas que conduzem os seres humanos à guerra ou no entendimento de questões simples como, por exemplo, a percepção da ironia em comentários sobre a salada russa.
ResponderEliminarBom dia Extraordinários Leitor@s!
ResponderEliminarMas completamente de acordo! Não se pode confundir a árvore com a Floresta. Um dia deste ouvi que até se preparava um bloqueio a um Restaurante Russo de muita nomeada, situado em... Lisboa.
Esse é Restaurante que nunca frequentei, mas confesso, fiquei com muita vontade de ir.
E a cultura russa, senhores! Grandiloquente em todos os sentidos.
Tenho por cá alguns leitores russos, ucranianos e de uma infinidade de origens. E todos eles são sempre muito bem vindos. Boicote-se sim o Putin e os seus interesses directos, para que a Besta pare. E não se repudie gente inocente que se esforça todos os dias para ser útil e fazer a diferença. Com as suas famílias, integradíssimos na Comunidade.
Sei que o momento é aflitivo, mas por favor, que impere a sanidade. Para louco já temos o outro lá no Kremlin. Erradiquem-se pois os preconceitos e os maus (e sobretudo injustos) juízos. Que implicam sempre, "prejuízos".
Para bem de todos nós!
Boas Leituras! E em Paz!
Celeste Silveira
O biltre – e que calminho estou hoje!... - do Putin nem a Ordem de Serviço do exército Russo consegue ler, quanto mais os clássicos russos…
ResponderEliminarEu que não tenho a doçura, a sabedoria dos poetas, apanho esta boleia para entrar, fora de cena, em areias movediças e referir que, existirão razões, certamente, mas, por exemplo, o «MeToo» depressa caiu em exageros hipócritas e perigosos, fundamentalismos que não ajudam qualquer causa e não auguram nada de bom.
O marinheiro George Mendonza que, em Agosto de 1945, celebrando a vitória dos Aliados na 2ª Guerra Mundial, beijou, em Times Square, uma enfermeira desconhecida, morreu aos 95 anos, e logo saltou o «MeToo» saltou o «MeToo» gritando que aquele beijo foi um acto abusivo.
Brigitte Bardot, hoje com 88 anos, que sabe mais da poda a dormir que o «MeToo» todo de olhos abertos, disse numa entrevista que a maior parte das denúncias de abuso sexual no cinema, são casos hipócritas e afirmou que muita(o)s intérpretes «aquecem os produtores para obter um papel.»
Sharon Stone que, em «Basic Instint» protagoniza uma das cenas mais espantosas do cinema, quando lhe perguntaram sobre essa história do assédio sexual às actrizes, soltou uma sonora, larga e clara gargalhada.
E Sharon Stone também muito bem sabe da poda.
Mas eu vinha para me indignar contra a censura à cultura russa – será que temos de deixar de ler José Saramago por ter sido comunista? – e acabei por colocar a pata na poça num enorme charco.
Peço desculpa.
Fui ver quem foi Vasily Grossman!
ResponderEliminarSegundo a minha pesquisa, gugueliana, foi repórter do exército vermelho durante a II guerra, depois caiu em desgraça por escritos não favoráveis aos soviéticos, sendo censurado e impedido de publicar, até 1988, já depois da sua morte.
Também li que a sua principal obra, "Vida e destino", vem sendo comparada ao Guerra e Paz, de Tolstoy. "Grande afresco da II Guerra Mundial, essa obra prima humanista relata não apenas os horrores do Nazismo, mas o anti semitismo e a opressão presentes também no regime estalinista. A desumanidade de buscar os fins, "o bem", por quaisquer meios. Uma obra prima em favor da tolerância, da liberdade e do respeito à dignidade humana." (sic)
Tolstoi, Dostoievski, Tchekov - no topo da literatura. Mas também na música Rimsky-Korsakov, Tchaikovsky, Stravinsky, Shostakovich. Isto sem invocar a tabela de Mendeleiev ou a versão clássica do ballet, de que outros poderão falar com propriedade.
ResponderEliminarNa pintura... há pintores extraordinários:
Eliminar- Llia Repin, Viktor Vasnetsov, Kandinsky, Vasili Surikov, Ivan Konstantino, Ivan Krams, Brodski, Isaac Levitan, Vasilievich, Vasily Polenov.
Obrigado pela sua contribuição. Apenas conheço Repin e Kandinsky julgava-o escultor. Entretanto lembrei-me de Hartman, mas foi por causa da peça musical " Quadros de uma Exposição", de Mussorsky. Gosto imenso de Chagall mas creio que não era russo.
ResponderEliminarGrande abraço.
Chagall era russo, sim! Judeu nascido no Império russo, depois francês. Daí a confusão, pois foi a partir de França que se tornou conhecido.
EliminarTambém Kandinsky foi alemão e depois francês, ignoro se esculpiu. Gosto muito da sua pintura, eu que não sou muito dado ao abstraccionismo, porém era genial!
Abraço!
Bom dia a todos
ResponderEliminarEntão e o Pasternak? Não gostam ou esqueceram-se?
Têm sugestões de escritoras russas e ucranianas? Obrigada
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