Ler e compreender

Li com surpresa e contentamento (apesar de o pão actualmente não saber a nada...) que se consumiram menos 26,5 toneladas de sal e menos 6256 toneladas de açúcar nos últimos três anos em Portugal. Realmente, o facto de se terem retirado dos refeitórios escolares coisas que faziam muito mal e engordavam imenso foi uma excelente medida, sobretudo porque os jovens portugueses, com essa mania de viverem dentro de casa a jogar no computador, estavam a tornar-se perigosamente obesos... Mas, segundo leio noutro artigo, não pode ter sido apenas um conjunto de restrições o responsável pelo decréscimo do consumo de pizas ou leite achocolatado. O programa para a promoção e alimentação saudável está de facto a chegar finalmente às pessoas, e a literacia, como agora se diz, está a permitir que muitos dos que antes não pescavam nada do assunto agora consigam compreender o que lêem; e entendam que têm de olhar para os filhos logo desde pequenos e perceber que, se evitarem dar-lhes certo tipo de alimentos, prevenirão a sua obesidade futura. Reparem que até num caso que é tão prosaico (como este da comida) «ler» e «compreender o que se lê» é fundamental. O único problema é que quem titula o artigo diz «Se intervirmos» em vez de «Se interviermos» e então o melhor é que quem quer ser lido e compreendido aprenda a sua língua antes de se pôr a escrever para os outros... Por isso, fomentem a leitura desde cedo e, na mesmíssima medida, não dêem sal e açúcar em excesso à miudagem. Um livro, por muito açucarado ou salgado que seja, não é prejudicial. Um erro num título do jornal sim.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco14 de março de 2022 às 03:18

    A humanidade vive desde há muitos milhares de anos a consumir sal, açúcares, hidratos de carbono, glúten, carne, gordura, álcool. Agora é que descobrem o que são as dietas saudáveis?
    Haja paciência, que eu não tenho, para estas coisas!
    Há aqui milhares de pessoas cuja alimentação diária é uma mão-cheia de farinha de milho cozida em água... e pelo Mundo fora outras mais ou menos iguais, milhões! Vão dizer a esses milhões que comam saudável ou que a sua dieta é a ideal. Olhem que esta malta é magra, seca e escorreita, até elegante... morrem é muito e com facilidade.
    Escreve-se e fala-se muito, sobre comida e sal e sei lá que mais... porém não é por tirar o chocolate aos miúdos, ou o pão com chouriço, que os fazemos saudáveis nem evitamos a obesidade, é tirando-os da frente dos aparatos electrónicos que os sedentarizam, é pondo-os a correr e a andar de bicicleta, a jogar à bola, não virtualmente mas a esfolar joelhos, ganhando músculo em vez de ficarem ou gordos porque vivem no sofá, ou magros das dietas infantis - coisa estúpida - porém sem massa muscular.
    Mas não se preocupem, porque a comida saudável e escassa se calhar já está no horizonte, mas não porque os "dietistas" queram. Infelizmente, veremos.

    Saudações alimentícias cá da Cidade Morena, votos de uma boa e suculenta semana!

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    1. António Luiz Pacheco14 de março de 2022 às 06:46

      Nem de propósito...tinha apanhado uns abacates maduros e belíssimos, no quintal!
      Estavam guardados, esmagados numa pasta, no frigorífico. (Está correcta a construcção da frase, assim? Ajudem lá por favor)
      Numa tigela, uma lata de atum, desfeito; cebola picada; tomate aos cubos. Misturei tudo muito bem com a pasta, que temperei de sal grosso e pimenta preta moída na altura.
      Numa outra tigela, deitei farinha de milho e uma pouca de trigo para aglutinar, deitei água e fiz uma papa. Na frigideira anti-aderente com um fio de azeite, cozeram umas tortilhas, finas, que depois cortei em triângulos.
      Com a pasta de atum e abacate, nem queiram saber!!!!!
      Bom apetite, são os votos cá da Cidade Morena.

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  2. Muito bem! Muito bom e importantíssimo poste, Rosário!

    Cristina Carvalho

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  3. Se um homem fôr nalgumas conversas dos ditos "peritos" no assunto não comemos nem bebemos nada. -beba água porque faz bem, não beba água porque faz mal, não coma chocolate porque faz mal, coma chocolate porque faz bem, etc etc etc. - Eu penso que TUDO O QUE FÔR EM EXCESSO É QUE FARÁ MAL-!!!!

    Contudo, não me querendo no entanto contradizer, admito que a política de alimentação nas escolas, com as referidas medidas, melhorou e certamente terá trazido algum benefício para uma mais saudável comida e, consequentemente, para a saúde dos portugueses.

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  4. A propósito de
    "Um erro num título do jornal sim."
    Já repararam que, pelo menos, tanto na TVI como na CNN não sabem escrever quando há ou se à - nunca sabem (se há oito semanas) se o há é sem h ou com h - é uma tristeza! Vejo este erro com frequência nos títulos de informação. É muitos outros erros de português que são de envergonhar qualquer homem com a 4.classe...

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  5. Como eles falam mas não escrevem, no a com e sem h não se nota o erro. Quando teem que conjugar o verbo haver é que é o diabo.

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  6. Concordo que os erros de português nos arrepiam,e então com o verbo intervir é certo e sabido que raramente não vem asneira pela certa!
    Mas a redução do sal e do açúcar é um imperativo nacional.Não se pode permitir que continuemos a pactuar com as quantidades excessivas dos supra ditos nas escolas,nos restaurantes,nas pastelarias,sem fazer nada.A educação não é só ler prémios Nobel.Também temos obrigação de zelar pela nossa saúde.

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  7. Um tema muito pertinente! Ler e compreender também se aplica à comida, de facto. Fico satisfeita com essas estatísticas de redução das quantidades de sal e açúcar que passaram para dentro do corpo dos portugueses nos últimos 3 anos. Aposto que isso se poderá traduzir num aumentozinho da longevidade média!
    Mas eu ainda não estou satisfeita com a saga "cereais de pequeno almoço". Das últimas vezes que procurei, no corredor normal (ou seja, não no dos produtos dietéticos) de vários supermercados, uma caixa de cereais sem açúcar adicionado, encontrei apenas uma em, sei lá, umas 20 diferentes. E essa era, curiosamente, a mais cara de todas.
    Mas sem dúvida que estamos no bom caminho.

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