Justíssima distinção
Recentemente, o nosso Presidente foi aos Países Baixos (cuidado, que agora já não se diz Holanda!), país onde se situa a empresa que, ao que soubemos há uns dias, será em breve a dona da LeYa. Há muitos anos, fui a Amsterdão, mas infelizmente quase não conheço o resto do país. Nele, porém, conheço um casal muito talentoso: ela é fotógrafa e chama-se Ana Carvalho (sim, é portuguesa); ele é um grande tradutor de língua portuguesa, inclusive aqui desta vossa humilde blogger, de quem traduziu uma antologia poética intitulada Scherven (creio que significa mais ou menos «cacos» ou «estilhaços») e chama-se Harrie Lemmens. Mas Harrie é de há longos anos o tradutor de autores portugueses de épocas várias, como Eça, Pessoa, Saramago, Lobo Antunes, Rentes de Carvalho, Agualusa, Mia Couto, Dulce Maria Cardoso, e também de alguns brasileiros, entre os quais João Ubaldo Ribeiro. É também autor, tendo publicado um livro sobre Lisboa, e editor de uma revista bem interessante chamada Zucca! Ora, quando o presidente foi recentemente aos Países Baixos, entre os distinguidos com uma condecoração justíssima estava o nosso querido Harrie Lemmens. Parabéns ao Harrie, uma das pessoas responsáveis por a nossa literatura chegar mais longe. E obrigada.
Com esta leitura vim a saber duas novidades: a primeira, que me parece indicar que a Leya está à venda e já tem comprador, talvez até com a proposta de colocar um moinho de vento ou um daqueles tamancos de bico como logo; a segunda, que há uma revista com o nome Zucca (menos um "c" em português).
ResponderEliminarEnfim, em tempos de guerra, não falta humor.
Fui confirmar a notícia - não porque não acreditasse na muito séria Anfitriã, mas para saber pormenores - e li que a Leya Global (para já Portugal e Moçambique) passa para a sede em Utrecht da "Infinitas Learning", e que a Sra. Ana Rita Bessa, presidente executiva do grupo português, "está entusiasmada" com o negócio, o que me deixa mais descansado.
EliminarComo aprecio e sou cliente da Leya, espero que, com isto, não fique como o título do livro de antologia poética "Scherven".
Um cidadão da Holanda era um holandês, estou curioso para saber como se designará o cidadão dos Países Baixos.
ResponderEliminarNeerlandês?
EliminarNeerlandês parece-me bem. Agora é preciso que a palavra seja integrada na Língua Portuguesa, que adquira uma grafia portuguesa para se saber como se pronuncia.
ResponderEliminar«Cuidado, que agora já não se diz Holanda!»?!
ResponderEliminarEra só o que faltava! Vou continuar a dizer, e a escrever, «Holanda» - e «holandes(a)(es)» - as vezes que eu quiser.
Apoiado!
EliminarRevoltemo-nos contra estas modernices, viva a Holanda, viva a revolução!
Hum... será que o outro passa a chamar-se Chico Buarque dos Países Baixos?
Também concordo consigo, sr. Octávio. Eu também irei continuar a falar na Holanda. São hábitos que nos ficam. Mas já agora eu pergunto: Porque é que agora não se "deve falar" em Holanda?
EliminarBoas Leituras
Celeste Silveira
*Rectificação: "Falar da Holanda". E não: "na Holanda", evidentemente.
EliminarCeleste Silveira
Cito Beatriz Ferreira no «Observador»:
Eliminar«Na realidade, a Holanda é o nome de duas regiões dos Países Baixos. O Governo quer agora alterar a imagem do país no estrangeiro e investiu cerca de 200.000 euros na mudança oficial do nome, para que se torne mais inclusivo e promova todo o país — não apenas algumas regiões.»
Muito obrigada!
EliminarCeleste Silveira.
(cuidado, que agora já não se diz Holanda!)
EliminarPara vermos como isto é tão ridículo, e não passa de mais um caso de politicamente correcto no pior dos sentidos, o Reino dos Países Baixos existe assim oficialmente com este nome desde o século XIX. Todas as constituições do Reino, incluam ou não todo o Benelux ou digam apenas respeito ao Reino moderno depois da secessão da Bélgica e do Luxemburgo, o reino e o rei é sempre indicado como " dos Países Baixos".
Se foi isso que o Observador entendeu então errou - o investimento não foi na "mudança oficial do nome", que ridículo, mas sim no uso que os próprios usavam fosse no governo ou nas plataformas turísticas, ou nos passaportes.
Trata-se de um caso normalíssimo de pars pro toto, que não tem mal nenhum, ainda menos em Portugal tendo em conta as relações históricas entre os dois países.
Acho completamente absurdo que na televisão alguns jornalistas vão a medo dizer "Holanda" e depois dizem que "agora já não é assim", ignorando que "já não é assim" há 200 anos.
Acho bem que Octávio dos Santos e outros continuem a falar da "Holanda" como eu também falo, não tem mal nenhum, não é nenhum desrespeito em relação às outras províncias, não é nenhum erro, tem uso consagrado de 4 séculos na nossa língua.
Vejamos, e os habitantes serão mui portuguêsmente os "paisesbaixanos?" ou "paisesbaixenses"? É que neerlandeses não dá jeito nenhum. Mas como os habitantes do Egito são egípcios em vez de egícios... nunca sabe-se!
ResponderEliminarAliás e na verdade não é novidade nenhuma: "Pays Bas", Países Baixos, era um termo usado e que eu ainda li por exemplo no Júlio Verne ou no Emílio Salgari, quem não usavam o termo "Holanda", essa é a verdade. Mas isto a gente gostamos de refilar!
Seja como seja, o nosso amigo tradutor e divulgador está óbviamente de parabéns e celebremos por haver quem o faça!
Saudações cá da Cidade Morena para a Neerlândia, ó lá o que seja então.
A nova dona da Leya fixou sede nos Paises Baixos (Utreque) porque:
ResponderEliminar1) é uma entidade capitalista e busca vantagens fiscais
2) é uma pessoa ou entidade neerlandesa que entendeu que o objeto lhe vai render lucros (dizia-se que os holandeses viviam acima de tudo pelo dinheiro)
3) é uma pessoa ou entidade neerlandesa que decidiu apostar num determinado nicho de cultura (como o ditoso condecorado)
4) deve haver mais hipóteses mas não me ocorre outra
ResponderEliminarPor hábito costumo chegar a estas Horas manhã cedo, mas umas lides domésticas não o permitiram. Já quase na noite deste dia, e fora de Horas, gostava de dizer que sou contra a concentração editorial, se bem que considere o fenómeno normal mas não o considere inevitável. Em tempos idos, Maria do Rosário Pedreira corrigiu uma afirmação minha quando eu disse que um fulano, amante de corridas de automóveis, era o dono da Leya. Já não era. Espero, agora, que o futuro holandês dono da empresa, tenha a ver com livros e não com diamantes ou plantações de cannabis em jardins.
Há nestas aglomerações livreiras algo que me desagrada: as editoras deixam de ter personalidade própria. Um pormenor como outro qualquer: quando a Caminho entrou na Leya, perdi aquelas capas amarelas dos livros de José Saramago, de que gostava, passei a outras de nunca gostei. Uma editora, pequena ou grande, tem uma marca.
Procurando uma antologia de Eduardo Guerra Carneiro - «Mil e Outras Noites» editado pela Língua Morta, dirigi-me a duas livrarias na Avenida de Roma a Leya/Fnac e a Bertrand, estão ao lado uma da outra. Na Leya não recebem livros de pequenas editoras, na Bertrand também não, mas a trabalhadora da Bertrand ainda soube dizer-me que talvez encontrasse o livro na «Letra Morta» na Calçada do Combro.
ResponderEliminarA Livraria na Calçada do Combro chama-se «Letra Livre».
As minhas desculpas.