Eça e a descendência
No mesmo dia em que Luísa Costa Gomes recebia o Prémio Literário Correntes d'Escritas pela sua colectânea de contos Afastar-se, recebi a notícia de que o meu autor Afonso Reis Cabral, autor dos romances O Meu Irmão (Prémio LeYa) e Pão de Açúcar (Prémio Literário José Saramago) fora eleito presidente da Fundação Eça de Queiroz pelos seus pares na administração, Ivone Abreu, José António Barros, José Luís Carneiro, Paula Carvalhal e Paulo Pereira, todos desempenhando funções pro bono. A Fundação Eça de Queiroz tem sede na belíssima Casa de Tormes, a que inspirou A Cidade e as Serras e em cujo restaurante se serve ainda o frango dourado com arroz de favas que serviram a Eça da primeira vez que visitou a casa em Baião. A Fundação Eça de Queiroz trabalha em actividades tão distintas como a educação e a agricultura e tem agora como presidente um jovem cheio de garra que ainda por cima é descendente do grande mestre da palavra. Parabéns ao Afonso Reis Cabral, esperando que este novo cargo e as várias crónicas que escreve para os jornais, bem como o recente programa semanal da Antena 1 («Biblioteca Pública») em que participa com Dulce Maria Cardoso e Richard Zimler, não façam jus ao título do livro premiado de Luísa Costa Gomes e o afastem demasiado da escrita.
Dada a juventude do Afonso (Reis Cabral, perdoem a familiaridade do trato) parece-me que só tem a ganhar com a diversificação das suas actividades, somando experiência, que essa sim se reflectirá oportuna e positivamente na sua escrita posterior.
ResponderEliminarÉ uma opinião e vale o que vale. Ele tem muito tempo à sua frente para escrever, só beneficiará em "ganhar bagagem", como se costuma dizer.
Votos de uma semana Extraordinária, cá desde a Cidade Morena.
Pouco depois de o Afonso Reis Cabral ganhar o prémio LeYa, creio que eu 2014, uma amiga recomendou-me "O Meu Irmão", livro eu li sofregamente. Que murro no estômago é a história e que beleza a escrita do jovem ARC! Um tempo depois, tive um estagiário a trabalhar comigo, um moço esforçado e cuidadoso na escrita do seu relatório, um outro jovem com muito potencial e vontade de crescer. No final do estágio, ofereci-lhe "O Meu Irmão". Mas nunca mais o vi e não sei se ele o leu, embora intimamente acredite que sim.
ResponderEliminarTambém gosto muitíssimo das crónicas do ARC!
Espero que tenha um futuro brilhante e que não se afaste da escrita, a bem de toda a comunidade incluindo o próprio!
Sem dúvida Susana, esse livro pode considerar-se um murro no estômago, tanto pelo tema inusual quanto pela sensibilidade revelada pelo jovem autor, que estranhamos pelo seu profundo humanismo e entendimento. Também me pareceu que era um novo tipo de autor a surgir no panorama literário que creio dominado pelos "umbiguistas" os que vivem virados para dentro deles mesmos.
EliminarPortanto quando saiu "Pão de Açúcar" corri a ler. Não só não me desiludiu como ainda elevou mais a fasquia em que tinha posto este jovem autor: surpreendeu-me ainda tanto pelo tema que foi buscar, como pela forma como o conseguiu tratar! Que grande livro!!!! Onde é que ele foi buscar tanta maturidade?
Fiquei grande fã do Afonso, que não me traiu ainda e depois com o seu diário de viagem "Leva-me contigo", embora num contexto e temas completamente diferentes, mas a tal sensibilidade, o ser humano, estão lá.
Se a Susana não leu "Pão de Açúcar", não deixe de ler, mas aconselho-a vivamente a que faça antes e diáriamente flexões de tronco, porque o murro no estômago vai ser daqueles de levar ao tapete.
Cumprimentos cá da Cidade Morena.
"Pão de Açúcar" ainda não li. Quando saíu, também ia a correr comprá-lo mas ao ler a sinopse meti travões no ímpeto. Creio que nessa altura estava a ler "Auschwitz: um dia de cada vez" da Esther Mucznik e andava com a alma tão rasgada e dorida, que deixei o "Pão de Açúcar" para mais tarde. Sim, claro que os temas destes dois livros são muito díspares, mas a minha alma é só uma e tem limite para a dor, mesmo que a sinta através dos livros. Enfim, cá fraquezas minhas.
EliminarO "Leva-me contigo" realmente ainda não calhou, mas na calha está! Talvez por literatura de viagem não estar no topo das minhas preferências, a vontade de pegar neste livro do ARC foi muito menos potente, digamos. Ficou, porém, agora espicaçada com a sua opinião, que muito agradeço, caro Extraordinário António Luiz!
Abraço aqui da lisboeta beira do Tejo!
Não me parece que exista poder que possa afastar da escrita Afonso Reis Cabral . E acho muito bem que seja ele - um descendente também dedicado à literatura - o escolhido. Além disso, é sangue novo, deve ter ideias outras e parece rapaz para pô-las em prática. Portanto, daqui vai o meu desejo de que consiga o que pretende nesse âmbito. E parabéns pela escolha. O Eça merece. E ele também.
ResponderEliminarA casa de Tormes é uma maravilha e o frango com o arroz de favas também, como fã de Eça não podia perder nem uma coisa nem outra, quanto ao Afonso, descendente do nosso maior romancista, vai com certeza merecer a distinção, parabéns ao Afonso Reis Cabral.
ResponderEliminarHenrique Cheira