Eça e a descendência

No mesmo dia em que Luísa Costa Gomes recebia o Prémio Literário Correntes d'Escritas pela sua colectânea de contos Afastar-se, recebi a notícia de que o meu autor Afonso Reis Cabral, autor dos romances O Meu Irmão (Prémio LeYa) e Pão de Açúcar (Prémio Literário José Saramago) fora eleito presidente da Fundação Eça de Queiroz pelos seus pares na administração, Ivone Abreu, José António Barros, José Luís Carneiro, Paula Carvalhal e Paulo Pereira, todos desempenhando funções pro bono. A Fundação Eça de Queiroz tem sede na belíssima Casa de Tormes, a que inspirou A Cidade e as Serras e em cujo restaurante se serve ainda o frango dourado com arroz de favas que serviram a Eça da primeira vez que visitou a casa em Baião. A Fundação Eça de Queiroz trabalha em actividades tão distintas como a educação e a agricultura e tem agora como presidente um jovem cheio de garra que ainda por cima é descendente do grande mestre da palavra. Parabéns ao Afonso Reis Cabral, esperando que este novo cargo e as várias crónicas que escreve para os jornais, bem como o recente programa semanal da Antena 1 («Biblioteca Pública») em que participa com Dulce Maria Cardoso e Richard Zimler, não façam jus ao título do livro premiado de Luísa Costa Gomes e o afastem demasiado da escrita.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco7 de março de 2022 às 01:02

    Dada a juventude do Afonso (Reis Cabral, perdoem a familiaridade do trato) parece-me que só tem a ganhar com a diversificação das suas actividades, somando experiência, que essa sim se reflectirá oportuna e positivamente na sua escrita posterior.
    É uma opinião e vale o que vale. Ele tem muito tempo à sua frente para escrever, só beneficiará em "ganhar bagagem", como se costuma dizer.

    Votos de uma semana Extraordinária, cá desde a Cidade Morena.

    ResponderEliminar
  2. Pouco depois de o Afonso Reis Cabral ganhar o prémio LeYa, creio que eu 2014, uma amiga recomendou-me "O Meu Irmão", livro eu li sofregamente. Que murro no estômago é a história e que beleza a escrita do jovem ARC! Um tempo depois, tive um estagiário a trabalhar comigo, um moço esforçado e cuidadoso na escrita do seu relatório, um outro jovem com muito potencial e vontade de crescer. No final do estágio, ofereci-lhe "O Meu Irmão". Mas nunca mais o vi e não sei se ele o leu, embora intimamente acredite que sim.
    Também gosto muitíssimo das crónicas do ARC!
    Espero que tenha um futuro brilhante e que não se afaste da escrita, a bem de toda a comunidade incluindo o próprio!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. António Luiz Pacheco7 de março de 2022 às 03:20

      Sem dúvida Susana, esse livro pode considerar-se um murro no estômago, tanto pelo tema inusual quanto pela sensibilidade revelada pelo jovem autor, que estranhamos pelo seu profundo humanismo e entendimento. Também me pareceu que era um novo tipo de autor a surgir no panorama literário que creio dominado pelos "umbiguistas" os que vivem virados para dentro deles mesmos.
      Portanto quando saiu "Pão de Açúcar" corri a ler. Não só não me desiludiu como ainda elevou mais a fasquia em que tinha posto este jovem autor: surpreendeu-me ainda tanto pelo tema que foi buscar, como pela forma como o conseguiu tratar! Que grande livro!!!! Onde é que ele foi buscar tanta maturidade?
      Fiquei grande fã do Afonso, que não me traiu ainda e depois com o seu diário de viagem "Leva-me contigo", embora num contexto e temas completamente diferentes, mas a tal sensibilidade, o ser humano, estão lá.
      Se a Susana não leu "Pão de Açúcar", não deixe de ler, mas aconselho-a vivamente a que faça antes e diáriamente flexões de tronco, porque o murro no estômago vai ser daqueles de levar ao tapete.
      Cumprimentos cá da Cidade Morena.

      Eliminar
    2. "Pão de Açúcar" ainda não li. Quando saíu, também ia a correr comprá-lo mas ao ler a sinopse meti travões no ímpeto. Creio que nessa altura estava a ler "Auschwitz: um dia de cada vez" da Esther Mucznik e andava com a alma tão rasgada e dorida, que deixei o "Pão de Açúcar" para mais tarde. Sim, claro que os temas destes dois livros são muito díspares, mas a minha alma é só uma e tem limite para a dor, mesmo que a sinta através dos livros. Enfim, cá fraquezas minhas.
      O "Leva-me contigo" realmente ainda não calhou, mas na calha está! Talvez por literatura de viagem não estar no topo das minhas preferências, a vontade de pegar neste livro do ARC foi muito menos potente, digamos. Ficou, porém, agora espicaçada com a sua opinião, que muito agradeço, caro Extraordinário António Luiz!
      Abraço aqui da lisboeta beira do Tejo!

      Eliminar
  3. Não me parece que exista poder que possa afastar da escrita Afonso Reis Cabral . E acho muito bem que seja ele - um descendente também dedicado à literatura - o escolhido. Além disso, é sangue novo, deve ter ideias outras e parece rapaz para pô-las em prática. Portanto, daqui vai o meu desejo de que consiga o que pretende nesse âmbito. E parabéns pela escolha. O Eça merece. E ele também.

    ResponderEliminar
  4. A casa de Tormes é uma maravilha e o frango com o arroz de favas também, como fã de Eça não podia perder nem uma coisa nem outra, quanto ao Afonso, descendente do nosso maior romancista, vai com certeza merecer a distinção, parabéns ao Afonso Reis Cabral.
    Henrique Cheira

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório