A ama que ama demais
Quando leio determinado autor que não conheço, costumo começar pelo primeiro livro, sobretudo se se trata de obra premiada e aplaudida. Não foi, porém, isso que me aconteceu com Leila Slimani, escritora francófona nascida em Marrocos, vencedora do Goncourt com o seu romance de estreia. Iniciei-me com O País dos Outros, de que devo aqui ter falado na altura; e só agora li Canção Doce, vendido e traduzido já em muitos países, e com várias edições em Portugal. A autora, linda, inteligente e cheia de energia, esteve no Festival Literário de Óbidos recentemente e gostei muito de a ouvir trocar conversa com Juan Gabriel Vásquez, outro excelente autor, mas colombiano. Canção Doce é um livro palpitante. É a construção irrepreensível de uma personagem, Louise, uma ama que vai para casa de um jovem casal com dois filhos pequenos, um deles ainda bebé, quando Myriam, a mãe das crianças, se sente frustrada depois de tanto tempo em casa e quer voltar a trabalhar. Contudo, esta ama de ouro, que, além de tomar conta das crianças, limpa, cozinha, arruma, compra, ensina, vai de férias com a família..., torna-se tão obsessivamente dependente desse emprego que, quando Adam, o menino mais pequeno, começa a aproximar-se da idade de ir para a escola, entra em pânico ao pensar que a poderão dispensar, uma vez que não existe mais nada além do trabalho na sua vida. E então... Leiam o livro, brilhante, todo ele carne e osso, nervo e humanidade. A não perder.
Muito diferente de O País dos Outros, mas belíssimo! Comecei por este e adorei.
ResponderEliminarVou ver se gosto. E comprar se for o caso. Pelas referências dadas, parece que sim.
ResponderEliminarHá uma reserva de Arte no título Doce Canção; desperta-me a natureza de aconchego e liga-se intimamente a maternidade em algo leve, fluído e marcante. Talvez uma nota de sabor onde o afeto me escapa frente a realidade temporal. Este íntimo saber refresca-me e, é necessário saboreá-lo com excelentes leituras.
ResponderEliminarDesconheço a autora marroquina em causa, está fragilidade literária cerca-me de modo "cruel" juntamente com o mundo que segue nos pendores da angústia. Necessária faz-se leituras e que sejam delicadas, significativas de calor humano e luz. Possam (talvez) marcar a história da humanidade feita uma página em branco ingenuamente.
Cláudia da Silva Tomazi