Saber e ignorância

Lembro-me de na juventude ter vergonha do que não sabia e de, com a idade, ter a sensação de que, quanto mais lia e consultava, mais noção tinha do que me faltava saber. Porém, de há uns anos para cá desvalorizou-se o conhecimento, e há até quem se orgulhe arrogantemente de ser ignorante. Já aqui contei, creio, que Richard Zimler disse uma vez num festival literário que, na maioria dos Estados dos Estados Unidos (desculpem a frase coxa), «intelectual» é um insulto. Bem, é claro que é cómodo para um preguiçoso contentinho com a sua vacuidade (estou a pensar em certos americanos que vemos em filmes) dizer que a cultura não serve para nada; mas também é um facto que muitos governantes em muitos países prefeririam decerto ter só ignorantes como «súbditos», pois desse modo ser-lhes-ia muito mais fácil dominar a população e fazer a seu gosto. Felizmente que a cultura e o saber ainda são valorizados em certos sítios, sobretudo naqueles que contribuem decisivamente para que o nosso conhecimento aumente, como por exemplo, as bibliotecas. Nelas,  o alimento deve ser intelectual e espiritual e a aquisição de conhecimentos claramente vista como algo que contribui para o crescimento individual. Daí que não resista a partilhar esta imagem que encontrei no Facebook (perdoem não traduzir). Uma pérola.


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Comentários

  1. Mas nem só as formigas, as baratas e os ratos também, já que estes costumam frequentar as bibliotecas antigas!

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    1. É um facto e bem observado. Porém, lá está o valor do saber para analisar a situação, faço notar e porque sei, que formigas são organizadas em sociedade complexa capaz de cooperarem e trabalharem em conjunto para seu benefício.
      Ratos e baratas não. Não tem organização social nem cooperam, se bem que vivam à molhada, porém completamente anárquicos e é cada um por si, pelo que não representam o mesmo perigo. Ainda que um rato ou barata consiga aprender a ler e leia Maquiavel, Marx, Kropotkin, Zun-Tsu, Mao, Mein Kampf, Orwell... não é previsível que conseguirão unir os seus semelhantes para a conquista.
      Com formigas isso pode muito bem acontecer, portanto atenção às formigas!
      E as abelhas, perguntar-se-ão? Bom, as abelhas não fazem mal, fazem mel - nosso lema no PROMEL - portanto nada a temer, salvo umas ferroadas.

      Curiosamente a colónia tem uma raínha, machos e operárias... o que é completamente incorrecto à luz do pensamento actual de boa parte dos humanos.
      Olhando ao panorama nacional na actualidade, é de esperar que o PAN, o BE, o LIVRE, a LGBT e as organizações feministas, a Joacine, assim que saibam disto (saber é poder!) tratarão de apresentar propostas de lei urgentes, no sentido de tornar o formigueiro numa república e depôr a raínha que passa a ser eleita e denominada como "coordenadora de postura de ovos" - terá mesmo de ser coordenadora pois só ela (fêmea) consegue pôr ovos - ; eliminar o termo colónia que passa a ser "unidade operativa formigueira"; abolir as designação machos que passam a "machos e machas", e, operárias que passam a colaboradores/as; além de se criarem quotas para todos/as.
      O PCP, esse vai tentar sindicalizar as operárias, independentemente de terem ou não sexo!
      A IL vai apoiar a liberalização himenóptera e o CHEGA, vai ser contra!
      O CDS vai-se demarcar porque esquadrões de cavalaria é mais pulgas, que não interessam agora ao tema!
      PSD traçará linhas vermelhas, e, PS diz que negociará com todos.
      O PPM, claro, protesta!

      Saudações formigais cá da Cidade Morena, terra da temível quissonde, formiga venenosa.

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    2. Ó Paxeco aqui há uns anos comprei um livro sobre as abelhas que, na altura, achei muito interessante -se calhar conheces- " A Vida Das Abelhas" de Maurice Maeterlinck.

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    3. Claro!
      Olha lá... abelhudo como eu sou, achas que não????
      E há também "A vida secreta das formigas" de Cristina Santos.
      A vida das abelhas é um clássico da filosofia.

      Abraaço

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    4. Afinal sabes mais do que aquilo que eu te ensinei...
      Anda Paxeco...

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  2. Nunca faço publicidade ao que escrevo no meu "largo" (muito menos aqui...).

    Mas ontem ao fim do dia escrevi sobre o que primeiro pensamento que tive de manhã. Pensei no quanto tínhamos crescido desde 1974 e como a Cultura foi ficando para trás...

    Além de fazer referência aos muitos portugueses que nunca entraram numa sala de teatro para ver uma peça, que nunca visitaram um museu, e claro, aos que nunca leram um romance do princípio ao fim.

    E acabei por referir o óbvio, o quanto a ignorância dá jeito a todos os políticos, inteligentes ou medíocres...

    Estivemos quase em sintonia, Rosário.

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  3. A ignorância é sempre relativa, tanto quanto o saber!
    Grande lapalissada.
    Posso saber muito bem de apicultura e posso não saber nada de física.
    Serei ignorante ou sábio?
    Pois, quem sabe responder?
    Porém, sem cultura, não se pode ser completamente humano, penso eu.
    Falo de cultura no sentido daquilo que fazemos todos os dias, que constitui o conjunto dos nossos saberes, fazeres, hábitos, gostos. Isso todos temos e é o que faz de nós gente e povo, porque nos une ou diferencia.
    Pode ser mais ou menos sofisticada, evoluída, mas temos e é grande a sua diversidade.
    A grande ambição de todos os governantes de todos os tempos, sempre foi justamente ter por governados gente tão pouco instruída e pensante quanto possível, pouco esclarecida afinal. Há meios para isso? Claro, hoje mais do que nunca, como bem sabemos e me parece cada vez mais evidente.
    Gente pouco instruída disse eu, notem bem, só que treinada e ensinada apenas para aquilo que a raínha das formigas precisa para existir e se manter. Instruído, saber, são uma coisa, pensar, cultura, são outras. Hoje muita gente tem cultura, até tem saber... mas têm depois o discernimento bastante?

    Saudações pensantes cá da Cidade Morena.

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    1. Ou seja, depreendo do seu escrito que à informação deve corresponder a formação; que o saber livresco deve ser informado de sabedoria e o saber ler se completa na prática do viver. Dizia um professor que o problema surge sempre com a relação. Tendo cada vez mais a crer que estava certo.
      A ignorância não deixa crescer, é atrofio do pensamento, impede a clareza. Impede-nos de ser quem somos, animais racionais.

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    2. Extraordinária Bea, concluiu da melhor maneira aquilo que eu escrevi!
      Gostei particularmente do "o saber ler se completa na prática do viver" o que faria de nós meros académicos, livrescos.
      Esse Professor era um Sábio, parece-me.

      Tiro o chapéu e saúdo-a desde aqui da Cidade Morena!

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  4. A propósito de ignorância permito-me citar alguém (certamente muito sábio) que disse: "quanto mais aprendo mais alargo o campo da minha ignorância".

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    1. Espero que não acredites nessa frase, Severino. :)

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    2. Mas ó Caro Luís olha que acredito e todos os dias o constato!

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    3. Eu sei que estas frases são sempre um pouco dúbias, Severino.

      Eu sei que o conhecimento faz com que alargue as minhas dúvidas... agora em relação a alargar a minha ignorância, tenho dúvidas (embora perceba onde se pretende chegar).

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  5. Eu creio que actualmente a ignorância é o pão nosso de cada dia. Posso estar a ser injusto mas uma grande maioria dos actuais licenciados (talvez) de há uns 10/15 anos para cá têem grande dificuldade em, por exemplo, construir uma frase e a sua incultura geral é quase total e absoluta.
    Ou estarei enganado?

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  6. Penso que esta coisa da sabedoria é muito relativa. Os meus avós, por exemplo, eram analfabetos mas sabiam tudo sobre a terra, as estações, os humores do tempo. Viesse um letrado da cidade dar-lhes lições e levava uma abada. Um dos meus tios, por parte da minha mulher, tinha um irmão sedento de conhecimento, que tirou dois doutoramentos, um de História e outro de Filosofia. Colheu tanta informação, que começou a ficar maluco. Era anti-social e, um dia, teve uma coisa na cabeça e foi desta para melhor. O irmão, por seu turno, nunca leu um livro e sempre foi muito sociável e alegre. Ainda hoje, vive rodeado de amigos e a casa parece que tem pulgas, anda sempre na rua. É o tio que mais admiro, pela sua extraordinária forma de ser. Provavelmente, se houvesse uma disciplina com esse nome, ele teria um doutoramento de Socialosofia.
    Apesar de tudo, acredito na busca pela sabedoria. Leio o que posso, numa boa média para mim. Porém, ainda assim, começo a acreditar que a cigarra talvez não seja assim tão estúpida. A formiga trabalha que nem uma desgraçada e a cigarra usufrui da vida.
    Na verdade, a nossa vida é uma existência fugaz. O que são setenta ou oitenta anos na imensidão dos séculos e dos milénios? Somos um mero sopro. Pelo que às vezes me pergunto: quem estará certo? Aquele que abandona tudo para ir viajar pelo mundo, ou aquele que se fecha numa sala a ver os atlas? Talvez o melhor seja mesmo o viver de improviso. Lendo, aprendendo, mas sem esquecer que a sabedoria de um marinheiro é a mais correcta quando se tem de enfrentar o mar. Com cinquenta e oito anos de vida, há coisas que aprendi que preferia não ter aprendido. Acho que é por isso que há mais de vinte anos que não vejo um filme ou leio um livro de terror. Honestamente, acho que não preciso disso.
    Há dias, li um estudo que dizia que a Humanidade ainda só atingiu 1% do conhecimento possível. Pois então, no meu caso, devo andar na casa dos 0,00001%. Ou ainda menos. Pelo que acabo como comecei: isto da sabedoria é muito relativo.

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    1. Já respondeu à minha pergunta:
      - Afinal tão sábio é o mestre apicultor quanto o doutor em física!
      Porém, ainda o saber das coisas, diz-nos que são sabedorias diferentes, as quais se complementam, e, por isso somos homens a viver em sociedade, ajudando-nos uns aos outros, quais formigas ou abelhas humanas (é ler "A vida das abelhas" ).
      O mestre apicultor sabe usar quadros nas colmeias para as abelhas os encherem de mel e ele fácilmente os retirar da colmeia. O doutor em física, esse, sabe determinar que havendo impenetrabilidade da matéria, deve então a distância entre quadros ter o espaço bastante apenas para caber a abelha obreira que assim coloca o mel só no favo. Pois, caso esse espaço seja maior, a laboriosa abelha irá preenchê-lo todo com mais cera e mais mel, formando uma amálgama que una os quadros todos e dificulte depois ao apicultor retirá-los um a um, para fazer a cresta do mel.
      Grande lição de saber!

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    2. Muito bem observado!
      Disse tudo no seu texto.
      Quando os diversos saberes se completam, todos beneficiam.
      Um abraço beirão

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  7. Não esqueçamos aquele grego antigo um sábio, que dizia "só sei que nada sei".

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