Quintas de Leitura

Hoje estarei longe do blogue, no Porto, para participar em mais umas Quintas de Leitura, no Teatro do Campo Alegre. As famosas Quintas não param, e sempre que muda o executivo da Câmara trememos de medo de que alguma luminária se lembre de as extinguir, mas graças a Deus (e aos poetas, diseurs, e ao programador João Gesta- e sua equipa), elas estão aí de pedra e cal. Esta noite a sessão chama-se Não Me Perguntes se as Serpentes Choram e tem uma interessante particularidade, pois centra-se em poemas escolhidos por editores: editores de poesia, mas não só, uma vez que mesmo os editores que não publicam poesia lêem frequentemente poesia e têm os seus poemas preferidos. Foram então eles chamados a escolher «o seu poema», que vai ser lido por actores nesta sessão; e a leitura que será precedida por uma curta conversa entre o jovem editor Rui Couceiro, da Contraponto, e eu, a velhota, pondo no fundo em oposição (ou talvez não) duas gerações de editores. Como sempre, haverá «brindes»: um vídeo do recentemente desaparecido João Paulo Cotrim, um momento musical na abertura (Grutera) e outros a meio das leituras e no fim com Emmy Curl e Paulo Praça. A lista dos poemas escolhidos (mas não lidos, porque há muitos editores) será passada no ecrã. Amanhã regresso a Lisboa.

Comentários

  1. Na última vez em que as "Quintas" foram assunto fiquei entusiasmado e, naturalmente, fiz o seu elogio. Com o programa desta semana a iniciativa parece ser ainda melhor. Parabéns.
    Não sou de ler livros de poesia mas gosto de a ouvir dizer por quem sabe. Infelizmente está fora de hipótese ir ao Campo Alegre.

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  2. De louvar a iniciativa e que assim continue. É preciso cultura, livros, poesia, que cheguem a todos e não sejam vistos só para alguns. Há muito lixo nas televisões a ocupar o tempo e as mentes.
    Boa viagem e excelente evento.
    Bjs

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  3. Como bem diz a Extraordinária Olga, há muito lixo nas TV e em geral nos meios de comunicação, que confundem arte/artistas com dar visibilidade às mini-férias de uma artista de telenovela, às declarações contra um determinado partido por parte de uma cantora, às constantes mudanças de namorados/as das presumidas celebridades (que o são mais pelas polémicas em que se envolvem do que pelas suas obras).
    O espaço dedicado à cultura séria e aos criadores da cultura, aos artistas, é cada vez menor como menos irrelevante a qualidade da arte, o que interessa é que mudem de namorados/as, que façam declarações polémicas, que produzem escândalo e ruído em geral: - LIXO!
    Porque é que as TV generalistas deixaram de ter programas de teatro? A noite de Teatro. De transmitir espectáculos, as variedades com artistas nacionais, dar cobertura a tanto evento cultural, - até de transmitir corridas de toiros, sim, quando se transmitia uma corrida, essa transmissão esmagava todas as audiências!

    Haver uma TV a noticiar, a seguir e a emitir um compacto, ainda que pequeno, de iniciativas deste tipo, era benéfico para todos, mesmo para os não consumidores mas assim pelo menos o público ficava a saber que existem ainda outras opções, que se fazem outras coisas. Quem sabe haveria algum retorno a estas outras práticas e actividades, em vez de se ficarem pelas boçalidades, pimbalheiras e demais algazarra mediática.
    Há muita culpa disto nas políticas ou falta delas, por parte da cultura. Falta haver um ministério que seja mesmo da cultura, alguém culto e cultivado, com gosto e sensibilidade pelas artes mas sobretudo com visão e abertura.

    Votos de uma Extraordinária Quinta-feira da cultura!

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    Respostas
    1. É uma ideia bem bonita dedicar uma Quinta de Leitura à poesia. Mas parece-me que não devia faltar a leitura de poemas. Não seriam todos, nem quase todos, mas alguns seleccionados. Será que a selecção incomodava assim tanto os editores?! Não creio. A poesia é mais, se for oral. E qualquer poeta é mais no poema que na conversa sobre ele. Mas é apenas opinião de quem não assiste a Quintas de Leitura.

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    2. Concordo consigo... fui reler o post original e realmente não se vai dizer/ler poesia.
      Acho estranho, mas que sei eu ignorante traça dos livros?
      A poesia ganha em ser dita - por exemplo aquele link da jovem poetisa a dizer na RTP3 é um encanto. Não apenas por ser muito bonita e ter graça, mas porque diz bem (acho eu).
      A poesia dita por Vilaret... caramba!
      Também acho que a poesia ganha em ser cantada, recordo o Dylan que ganhou o Nobel da poesia, que eu entendo aliás, porque mais do que um cantor-autor, ele é na verdade um poeta, um trovador que conta histórias através da poesia cantada, não será assim?
      A poesia de António Gedeão cantada, que maravilha, sobretudo por Manuel Freire.
      Camões, Pessoa, Florbela, Carlo Tê, Pedro Homem de Mello e a Nossa Extraordinária Anfitriã que tão bem cantados têm sido!
      Enfim, opiniões de traça que valem o que valem.
      Cumprimento-a cá da Cidade Morena.

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    3. Perdão ... na RTP África!!!!

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  4. Também gosto da poesia cantada, é uma forma de divulgar os poetas a quem não lê poesia, de andar nas bocas do mundo que assim os sabe, desconhecendo - tanta vez - que são eles. O povo não se pergunta de quem são os versos que canta, canta-os. E é homenagem involuntária. Como dizia Sophia, "a poesia é oral", e, numa Quinta de Leitura, fazia um pleno. Há uma força das palavras no serem ditas. Eleva-as e cresce com elas o respeito pelo artífice que assim as entreteceu e colocou lado a lado.

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