Más contas ou mau português

A escritora Margaret Atwood, a quem perguntaram se era feminista, respondeu que sim, que se não fosse ela a defender os próprios direitos, quem o faria? Concordo completamente com esta visão, a de as mulheres quererem ter os mesmíssimos direitos dos homens, mas infelizmente há um radicalismo impossível de aturar nos tempos que correm (do tipo: bom ou mau, homem é para liquidar). Um dia destes, um jornal trazia uma notícia sobre os números do ano passado da violência doméstica e aparecia em título: «A violência doméstica fez em 2021 23 mortes: 16 mulheres e duas crianças.» Ora, como até sei fazer contas, aqueles dois pontos irritaram-me, porque 16 + 2 não é igual a 23. Os que faltam são, obviamente, homens; e, só por serem homens, não estão no título. Presumo (mas, reparem, a notícia nunca o diz) que estes homens não mencionados sejam, na sua maioria, os perpetradores que matam as mulheres e depois se suicidam. Mesmo assim, não deixam de ser mortes, pois não? Ou se diz que a violência doméstica fez 18 vítimas (e até podemos aceitar a exclusão dos homens autores dos crimes e vítimas de si próprios), ou se fala em mortes e tem de se incluir os mortos todos, independentemente do sexo. Ou então, tiram-se os dois pontos, põe-se ponto final e escreve-se uma segunda frase a dizer «Destas [mortes], 16 são de mulheres e duas de crianças.» Até pode ter havido alguma mulher que matou o respectivo companheiro, nunca se sabe, mas eu tenho a secreta suspeita de que esta desvalorização imediata do masculino é deliberada e pertence ao ar do tempo. Ora, isso não serve a ninguém.

Comentários

  1. Casos de mulheres que matam os companheiros, são bastantes também!
    Há motivações diversas que vão desde a defesa ou o cansaço dos abusos por parte destes, mas também por cupidez, ganância.
    Violência doméstica é um mal que tem de se erradicar, porém duvido, pois enquanto houver duas pessoas haverá sempre potencial violência. Pode achar-se que não, mas sabemos que é assim.
    Quanto ao feminismo, há o esclarecido e o que é justo, quando se trata de assumir a igualdade de direitos, óbvia, e há o extremista, o imbecil que só dificulta o relacionamento.
    Outro dia vi o confronto entre a jovem deputada do Chega, serena e tranquila no seu anti-feminismo, entra a imbecilidade agressiva de dois supostos entrevistadores/moderadores que deveriam ter vergonha ou ser afastados da função que não desempenharam, e o ódio destilado por uma Joana Amaral Dias a quem deve andar a faltar alguma coisa, bem patente no olhar e na expressão, como nas palavras e forma como se dirigiu à jovem.
    Por mim, prestou um péssimo serviço à causa feminista.
    Estou curioso de ver as reacções que por aí vêm, estou pois... quando o tema são livros ou literatura ninguém participa, hoje temos tema polémico hão-de vir aí algumas "obras-primas".
    Aguardem!

    Saudações masculinas, respeitadoras das mulheres (tive ou tenho avós, mãe, irmãs e sobrinhas), cá da Cidade Morena.

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    1. Ó Paxeco sobre mulheres/homens ouve a fanática Inês Pedrosa (O ÚLTIMO APAGA A LUZ-RTP3 6.feira à noite); em todos os programas destila ódio sobre os homens. Incrível. (Entristece-me ainda mais porque é escritora e eu gosto dos escritores).

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    2. Foram aqui apontados nomes de duas senhoras pelos dignos Extraordinários Pacheco e Severino. Jornalistas, tudólogas, feministas que é lá com elas, até negacionistas, com campo aberto na liberdade (e bem) para se expressarem como quiserem e entenderem em prol da sua facção.
      Estou com aquele ditado popular quando se trata de algumas feministas exasperadas, não necessariamente incluídas as duas apontadas. O que diz tal ditado? Resposta: "franga que canta, quer galo".

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    3. Há aqui uma boa reacção pública à entrevista que refere (infelizmente, acho que só para assinantes do Público): https://www.publico.pt/2022/02/05/opiniao/opiniao/insuportavel-superioridade-moral-relacao-chega-1994314.
      Infelizmente há muita gente frustrada e agressiva por aí, e qualquer desculpa é boa para rebaixar ou humilhar alguém. Os alvos são secundários, vão precisamente variando com o ar do tempo.
      Filipa

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    4. Tem razão no que diz Filipa! Muita!
      Creio que a tal desarmonia e intolerância que refiro, tem a ver com o que diz quanto às frustrações! Temos de aprender a viver com elas, até porque, e, sobretudo, porque ter coisas para alcançar é que nos deve mover, humanos (homens, mulheres, sucedâneos) e sempre foi isso que fez a humanidade avançar! Ora eu acredito na humanidade.
      Saúdo-a cá desde a Cidade Morena.

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  2. O ar do tempo, diz bem. O tempo não vai nada bom e, neste particular, o ar fede.

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    1. Sou tentado a concordar consigo, e, com o adágio do Fernando Costa!
      Vamos por partes:
      .1- Não compreendendo muito bem porquê, quando estamos em 2022 e seria de celebrar o quanto evoluímos (homens e mulheres) , as liberdades que conquistámos (homens, mulheres, homossexuais e transgéneros) e que deveríamos ter chegado a um ponto onde a tolerância e a harmonia andassem de mãos dadas!
      Mas não! Nem existe harmonia pois parece ser política, social, ecológica e sexualmente incorrecta, nem há tolerância e esta parece até ser cada vez menor. Os novos censores, inquisidores e juízes do mais negro que existiram parecem ter ressuscitado em novas formas e com novas fórmulas! O ar fede... às vezes é que fede mesmo!

      .2 - Sobre galos e galinhas, o que será de esperar quando há feministas extremas (que por acaso parece que são actrizes porno) , que se dedicam a separar as galinhas dos galos, para as defender (às galinhas) de serem violadas pelos galos... (o termo "galar" é aliás explícito na nossa língua na versão rústica)? Ora gente com cérebro de galinha, sejam homens ou mulheres ou seus sucedâneos, que ganham mediatismo com tamanhas tolices, faz-nos questionar se evoluímos mesmo?

      Podem perguntar-me o que entendo por evolução? Ora, justamente a tal harmonia e a tolerância que nos permita viver em liberdade e felizes, cada qual no papel que escolha para si, sem se impor nem violentar os outros.

      Um abraço!

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  3. Para descomprimir: https://www.youtube.com/watch?v=cGXU7268Z50
    Se me permitem, porque adoro - o filme, os Blues Brothers e a Aretha!

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  4. Este texto da Rosário é sobretudo equilibrado, pertinente e isento. Diz aquilo que a maioria já constatou, porque os extremos ou excessos tocam-se, à guisa do planisfério que se transforma em cilindro.
    Estes casos também fazem parte da literatura e da sociedade, havendo necessidade de serem comedidos nos seus actos e apreciações, porque tanto homens como mulheres, em todos os deveres e todos os direitos, são IGUAIS.
    Se determinada função tiver lugar apenas para 10 candidatos, existindo 8 mulheres capazes e apenas 2 homens também capazes, sejam colocadas a oito mulheres; na inversão dos sexos, a mesma coisa. É ridículo, por causa da igualdade, colocarem 5 de cada, porque 3 competentes darão lugar a outros(a) tantos(a) incompetentes.
    Enquanto não houver equilíbrio das mentalidades, corre-se o risco de se ver as feministas, de ambos os lados do caminho, com sacos dos hiper carregados de seixos, numa intifada à passagem do sexo oposto. É aquilo a que eu posso chamar "A Guerra dos Seixos" para não dizer "A Guerra dos Sexos".

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    1. Sem engraxar, sou o primeiro a reconhecer as qualidades que refere à Nossa Extraordinária Anfitriã, não preciso de a engraxar pois não pretendo nada a não ser que este blog se mantenha. Mesmo não concordando em tudo ou a cem por cento, ganhou o meu respeito.
      Abraço cá da Cidade Morena aí para o seu planalto beirão, Fernando.

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  5. Hoije tou pr'áqui virado prontos...
    Este, de 2000, ainda é melhor!
    O garoto é simplesmente Extraordinário!
    E a Aretha????? Inclassificável, estoira todas as tabelas...
    Quem é que alguma vez pode subestimar, desvalorizar, desmerecer, inferiorizar, as mulheres?
    https://www.youtube.com/watch?v=OD3WOKLTRyQ

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  6. Engano-me, decerto, porque as maiorias tendem a ser silenciosas, mas parece-me que os extremos se extremam nesta infinita facilidade de dividir o mundo entre nós e eles (sendo nós os bons e eles os maus). Parecendo que não, é tão simples: não obriga a pensar, a ponderar, a decidir. Tudo de um lado, nada de outro... Fosse, de facto, tudo assim tão simples! Acredito, contudo, que a maioria ainda pensa, pondera e decide que a vida tem pouco de simples em natéria de categorias estanques e pré-definidas.

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