A poesia assusta?

Um dia destes estive a jantar com um agente literário francês que já não via há uns quinze anos e que veio passar uma semana de férias a Portugal com a família. Entre os muitos assuntos de que falámos à mesa, contou-me que em França houve nos últimos tempos um verdadeiro boom dos livros de poesia e que muita gente jovem parece ter despertado repentinamente para o género, havendo até muitos pequenos editores, cujos proprietários são bastante novos, a lançarem todos os dias poetas desconhecidos. Dissemos-lhe, por brincadeira (ou talvez nem tanto), que talvez isso acontecesse porque o texto poético é quase sempre mais curto do que o texto em prosa e que, com o excesso de horas passadas nas redes sociais, há já muita gente que se habituou ao texto telegráfico e, por preguiça e falta de vontade de pensar, rejeita logo um texto mais longo, passando à frente. Ele rebateu o argumento, dizendo que isso até podia ser verdade, mas que a intensidade e a exigência da poesia também obrigam a um funcionamento mais trabalhoso das sinapses cerebrais, pelo que talvez não fosse essa a razão («os textos não se medem aos palmos»). Então, lembrei-me de um cartoon que encontrei há pouco tempo por aí, e que se referia à luta contra a imbecilidade com... poesia. Ele aqui vai. Tenham um bom dia.


Poetry.jpg


 

Comentários

  1. E não suportam mesmo.

    A sua imbecilidade - e falta de sensibilidade - faz com que se assustem com o que o poeta quer dizer, por não perceberem quase nada de "o que se diz por detrás das palavras"...

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    1. Eu não entendi esta "poesia", mesmo no desenho, literalmente.

      Pensei na nossa capacidade de sonhar, de imaginar, de querer ir mais além... É que muitas vezes até isso, nos "querem roubar"...

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  2. Não sabendo exactamente quem sejam os canalhas referidos, mas porque não tenho medo da poesia a despeito de nem por isso ser consumidor, julgo não ser um deles!
    Isto de ter medo da poesia, da literatura, das canções ou daquilo que de um certo modo veicule idéias, críticas ou saberes, penso que é velho como o Mundo!
    O problema, a meu ver, não está na poesia em si, mas nos que a usam e divulgam, pois tanto podem ser do contra como a favor! Lembremo-nos disso. Os tais canalhas sabem-no, como sabem muito bem usar a palavra a seu favor, corrompendo, prostituindo, comprando a poesia e a palavra.
    Não contesto o direito da arte e dos artistas serem "de intervenção", mas para a minha pretensa sensiblidade artística, pessoal, não gosto de arte dita de intervenção, salvo raras excepções. Gosto da arte, por ela mesma, e, concretamente da poesia quando para mim o que leio faz sentido, é claro. Nunca fui muito psicadélico e menos "de protesto" apesar de ter sido anarquista por coisa de um ano, mas foi só para chatear os gajos da UEC.

    Ainda há dias aqui falei e indiquei o link onde se podia ouvir Alice Neto de Sousa a dizer um dos tais belos poemas que me parece muito claro, nada subjectivo nem daqueles tão profundos que corremos o risco de achar petróleo, portanto da tal poesia de que gosto e não me mete medo.

    Saudações tranquilas, aqui da Cidade Morena, terra de acácias, matrindindes e do poeta Sousa Lara!

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    1. Em resposta ao Senhor extraordinário na Cidade Morena:

      É a arte pela arte que assusta: https://www.theartstory.org/definition/art-for-art/

      "Não existe nem pode existir obra mais digna — mais supremamente nobre do que este mesmo poema — este poema em si — este poema que é um poema e nada mais — este poema escrito unicamente por causa do poema."
      Edgar Allan Poe
      O Princípio Poético (1850)

      Muito bom dia
      Russell Boncey - Fontainebleau

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  3. É um cartoon não conseguido, dúbio, sem contexto infra ou supra. Fiquei sem saber se são canalhas porque não suportam poesia ou, por serem canalhas "bombardeiam-se" com poesia.
    Para mim, a poesia não é para atirar a ninguém e cada um usa a que quer. Até porque, tais como as sanções do Ocidente perante a Rússia, quando a poesia lhes cai em cima... é para o lado que dormem melhor.

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    1. Exacto. Os ucranianos que contem consigo mesmos. Infelizmente.

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  4. pois, outra questao sem soluçao.

    Nao me pronuncio sobre poesia, mas li o post.

    Diria que se nao há previamente a paixao, todos os textos se medem aos palmos . Nao sei o que pensam as pessoas quando o texto é poesia, mas decerto muitas conseguem ler sem pestanejar.

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