Fosse

Quem compra o jornal Público à sexta-feira tem a sorte de poder ler um dos raríssimos suplementos culturais portugueses: o «Ípsilon». E na sexta-feira passada era matéria de capa a entrevista feita pelo crítico e escritor José Riço Direitinho, especialista em literatura nórdica, a Jon Fosse, de quem aqui falei a propósito de Manhã e Noite e, mais recentemente, Trilogia, que foi, de resto, considerado o melhor livro de 2021 por quase todos os críticos literários portugueses. Mas a entrevista permite-nos ir mais fundo na vida literária do escritor norueguês, que é considerado acima de tudo um dramaturgo, mas que conhecemos mais pela sua «prosa lenta» (é como o próprio chama à ficção). Há surpresas relativamente ao seu processo criativo (o partir para a página em branco sem ideia nenhuma do que vai escrever porque tudo tem de ser uma novidade também para ele) ou o seu pensamento religioso ou filosófico (diz que confia em algo que não consegue descrever, seja na vida, seja na escrita, e que não tem problemas nenhuns em chamar-lhe Deus). Prefere Hamsun a Ibsen e fala também de Knausgard, que foi seu aluno. Uma entrevista com várias pérolas para guardar.

Comentários

  1. Ofereceram-me "Trilogia" pelo Natal e também li a entrevista. Estou muito interessado. Um autor para 2022.

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  2. Bom dia.
    A entrevista que refere está disponível online?

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    1. Então não há-de estar...agora está tudo on-linne, até nós que já andamos com uma corda ao pescoço e o telemóvel pendurado para estarmos imediatamente e 24 horas on-line...que tristeza!
      Não bastava já uma pandemia...

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  3. É de facto um escritor muito interessante e que me fascina imenso. A simplicidade que aparece nos seus livros é de uma tremenda beleza e, enganando as aparências, o mais difícil de produzir.

    Execelente ano 2022 a todos!
    Carla Pais

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  4. Acalento com expectativa a leitura dos livros de Jon Fosse (e também o artigo do Ípsilon). Recomendo, entretanto, o livro Segunda Casa, de Rachel Cusk.
    André Batalha

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  5. António Luiz Pacheco7 de janeiro de 2022 às 09:55

    De modo geral não aprecio a escrita dos autores nórdicos, ou escandinavos se quiserem.
    Não mesmo!
    Portanto não posso falar sobre um autor que nem li, nem conheço. Podia acrescentar que nem me interessa, mas tal não é verdade, pois interesso-me por leitura em geral, o que no entanto não faz este autor, convidativo para mim.
    Devo dizer que achei interessante e me identifico com a forma de pensar sobre o "Criador", mas já com a tal "prosa lenta", nem nada!
    Fazem muita falta os tais suplementos culturais, fazem sim senhor, e, já que as revistas parece que não "pegam" isoladamente, pois que andem à boleia dos jornais de referência, que esse sim seria um serviço do interesse público a apoiar e incentivar através de subsídio ministerial, se tivéssemos ministros da cultura e políticos interessados nela.

    Saudações cá do Bairro Ribatejano.

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    1. Ó Paxeco até a revista dos artigos que usualmente a compõem (ainda a compro porque tenho-as desde o n°.1-só me falta o n°. zero).
      Também não sou leitor dos escritores nórdicos.
      Olha lá já leste "A MORTE DE UM APICULTOR" do sueco Lars Gustafsson. Gostei muito.

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    2. Falava da revista LER.

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    3. Não sei porquê mas ficou completamente sem sentido o que queria dizer sobre a revista LER -
      Como o Paxeco referia "Fazem muita falta os tais suplementos culturais, e as revistas parece que não "pegam" isoladamente".
      E dizia eu que a LER será actualmente a única que se publica e confesso que é um bocadinho maçuda, com artigos muito longos e maçadores, o que realmente, na minha perspectiva, a torna até desinteressante. Precisávamos de uma boa revista literária e a LER até poderia ter todas as condições para preencher essa lacuna. É pena!

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  6. Entrevista de Direitinho com Fosse em pose. E não falha o pequeno delito daquele que se sabe a si mesmo um escritor venerado. Que faz ele? A famigerada “boutade” de tentar interferir no cânone através do gosto pessoal. Dizer que se prefere Hamsun a Ibsen ‘c’est trés original’. Mas é o mesmo que dizer que se prefere Paul Bourget [alguém se lembra de quem é?] a Marcel Proust. Ou Zweig a Kafka! ‘Mon dieu de l’innocence donnez moi de la patience…’

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