Dólitá

Quando era miúda, havia uma distribuidora que colocava nas papelarias e tabacarias portuguesas um monte de livros de quadrinhos e revistas brasileiras. Eu lia muitos Tios Patinhas nas férias, era uma fã do Peninha e detestava o Gastão, mas do que gostava a sério era de uma revista de actividades para crianças chamada Recreio, com textos para ler, figuras para recortar e montar, passatempos, jogos educativos e até ideias de presentes para pais e avós. Uma vez até levei um raspanete porque tinha levado as revistas sem autorização e preguei um calote na papelaria da dona Aninhas que a minha mãe teve de pagar... Mas nunca mais vi nada do género em Portugal, o que é uma pena, pois as crianças pequenas vão logo direitinhas aos telemóveis dos pais quando se querem entreter e já há estudos que dizem que a baixa do QI e a crise de criatividade estão ligadas à massificação do digital. Por isso apoiei a saída em Fevereiro próximo de uma revista infantil com o nome Dólitá, dedicada sobretudo a crianças até aos seis anos, que está aí numa campanha de crowdfunding na plataforma PPL e procura apoios até 28 de Janeiro. Histórias curtas para os pais lerem ao deitar, jogos, desenhos para pintar, bandas desenhadas sem texto para as crianças imaginarem a história, e tudo em material resistente para não ir logo parar ao lixo, há de tudo nesta revista de Mariana Mota Soares que desejamos que chegue depressa a todas as crianças. Para quem quiser apoiar, mando o link:


https://ppl.pt/dolita


 

Comentários

  1. O que a Rosário me foi lembrar... a quantidade de banda desenhada que li na infância e adolescência (toda a nossa geração o deve ter feito, até porque os livros antes de Abril eram muito caros, as bibliotecas na maior parte das casas limitavam-se a uma prateleira do móvel da sala...).

    Lia sobretudo aventuras ("Falcão", "Mundo de Aventuras", "Condor", "Ciclone", etc). Da "Disney" as aventuras do Zé Carioca eram impagáveis...

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    1. Gostei muito do Falcão, ainda tive alguns exemplares que guardava religiosamente na garagem, mas os bichos do papel deram cabo deles e tive de os mandar para o lixo, com muita pena minha!

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  2. António Luiz Pacheco19 de janeiro de 2022 às 01:57

    As anteriores gerações dependiam muito da leitura, fossem livros ou revistas... tenho uma colecção enorme de revistas - sobretudo "Patinhas" em geral - que enchem várias estantes e prateleiras pelo corredor do fundo, onde ficam 5 quartos e 2 WC.
    Por acaso o meu preferido era mesmo o pão-duro implacável e tirânico do Tio Patinhas, depois o Zé Carioca e adoro os Metralha! Eheheh!
    Juntem-se os almanaques (tenho a colecção completa do Almanaque Bertrand) e outras edições similares que traziam sempre jogos e entretenimento a par da leitura variada.
    Resumindo e concluindo esta treta toda que acabo de escrever - parece que estou em campanha eleitoral - , faz de falta muita falta uma revista infantil como forma de distrair os mais pequenos, da electrónica! O papel e a sua magia por oposição ao frio do digital.
    Votos de sucesso a esta boa iniciativa que espero seja oportuna e que os pais percebam a sua utilidade.

    Saudações papeleiras cá da Cidade Morena!

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  3. Gostava sobretudo do " Mundo de Aventuras" e do "Condor", as histórias de cowboys eram as preferidas, mas também gostava de Mandrake. Quando me deparei com os super-heróis o meu entusiasmo foi comedido e o surgimento do "Homem de Borracha" deitou tudo a perder. Um herói que vivia algures nos EUA e dali topava num lugar longínquo do globo um "mau" a fazer uma maldade, bastando-lhe aumentar o seu braço de borracha, abraçá-lo e trazê-lo para o devido castigo, esse herói fez a corda esticar demais e ela partiu-se. Nunca mais li uma banda desenhada, exceto uma ou outra tira que me surgia quando lia o jornal.

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  4. Gostava do CONDOR e do MUNDO DE AVENTURAS, Buck Jones e Billy the Kid, mas, sobretudo, lia tudo de MANDRAKE que era o meu preferido.
    Nunca gostei muito dos Tio Patinhas.

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  5. Já aqui foram apontadas algumas das revistas no âmbito das publicações infanto-juvenis, que os Extraordinários assumiram ler. Apontaram estes títulos, embora houvesse mais para todos os gostos, designadamente de aventuras, como o caso de O FALCÃO ou TINTIN (revista). O CONDOR POPULAR, o CICLONE ou O MUNDO DE AVENTURAS fizeram a delícia dos leitores (alguns coleccionadores) numa época onde os autores de ficção científica nem sequer sonhavam com tablets, youtubes, portáteis, EBooks e outros meios comuns - e necessários, concordo - da e para a civilização, embora grande parte dos conteúdos sejam mais para ver do que para ler e depois deitar fora ou apagar.
    Do Mundo de Aventuras tenho gratas recordações e a maior parte da colecção encadernada, tanto mais que fui colaborador da revista durante alguns anos - inclusive, um episódio completo, da minha autoria, foi publicado no penúltimo número da publicação - e me trouxe momentos de leitura muito agradáveis.
    A frontalidade e o assumir destas leituras por parte dos Extraordinários, só prova que não têm receio de o dizerem publicamente, ao contrário de outros que as leram e - para os parentes não caírem na lama ou perderem a "intelectualidade" - afirmarem que nunca lhes puseram a vista em cima.

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    1. António Luiz Pacheco19 de janeiro de 2022 às 09:17

      Ainda ninguém falou no Cavaleiro Andante e o Jornal do Zorro... serei eu porque sou mais velho???? Parece-me que há aqui malta da minha idade...
      Eheheheh!

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  6. Fora do contexto, gostaria de lembrar aqui o poeta Eugénio de Andrade, que faria hoje 99 anos. Se puderem leiam um poema dele, para não ser esquecido...

    Relativamente à nona arte, gosto muito mais dela agora do que em criança.
    Boa tarde e boas leituras!

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  7. Aceitei a sugestão e fui ler um poema de Eugénio de Andrade, que hoje faria 99 anos.

    Já não se vê o trigo,
    a vagarosa ondulação dos montes.
    Não se pode dizer que fossem contigo,
    tu só levaste esse modo

    infantil de saltar o muro,
    de levar à boca
    um punhado de cerejas pretas,
    de esconder o sorriso no bolso,

    certa maneira de assobiar às rolas
    ou então pedir um copo de água,
    e dormir em novelo,
    como só os gatos dormem.

    Tudo isso eras tu, sujo de amoras.

    (Do livro Branco no Branco, que era o que ele mais gostava)

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    1. Muito obrigada Amalivros por ter escolhido este poema tão bonito. Onde quer que ele esteja, envia-lhe um sorriso e eu também.

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  8. Não sei qual o meu poema preferido de Eugénio de Andrade, sei que, sem explicação, vou gostar de lê-lo até à morte. Deixo um poema curto como um sopro

    Apenas um rumor

    E no teu rosto aberto sobre o mar
    cada palavra era apenas rumor
    de um bando de gaivotas a passar.

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  9. Dou os parabéns, obrigado, por finalmente lembrar-me o nome dessa revista brasileira: 'Recreio'. Páginas de cor diferente, quase cartolina, suave, com textos intuitivos e imagens bem desenhadas e coloridas, convidavam a criança / jovem a tocar, abrir e recortar; era impressionante o fascínio que irradiava, só mais tarde refletido. Creio que a geração dos nossos pais tinham construções de papel para armar no 'Mosquito', mas no nosso tempo não havia nada similar. Por isso pouco ou nada deve restar nos alfarrabistas. Conheci a revista porque na minha loja havia venda de jornais e revistas, entre elas as brasileiras importadas com o remetente da Livraria Bertrand.

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  10. Alerta: esta mensagem transporta matéria perigosa - o Saudosismo mata! Em caso de ingestão em doses aumentadas, procurar cuidados clínicos.

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