Bons indícios

Em Portugal lê-se pouco, e também se lê muitas vezes mal (vale a pena olhar para os TOP e ver os livros dos primeiros lugares para concordar com isto). Ainda assim, apesar de em todo o lado se dizer que nunca a poupança cresceu tanto como neste período da pandemia (pudera, as pessoas não só tiveram medo de perder os empregos e quiseram garantir uns meses de sobrevivência, como sobretudo, em teletrabalho, não saíram para gastar dinheiro), a verdade é que em 2021 os Portugueses gastaram mais dinheiro em livros (as vendas de livros cresceram cerca de 14%, ao que leio). A juntar a isto, a Feira do Livro de Lisboa há muitos anos que não registava números tão bons, fosse nas receitas propriamente ditas, especialmente na Hora H, fosse no número de visitantes, que superou o dos anos anteriores, situando-se nos 350.000. Dizem também alguns inquéritos feitos em território nacional que as pessoas continuam a considerar um livro um dos melhores presentes que podemos dar e que, em consonância, ofereceram bastantes livros no último Natal. Bem, claro que 2021 continuou a ser um ano atípico, mas será que podemos pensar que são bons indícios para o futuro? Oxalá não seja tudo mera excepção.

Comentários

  1. Que se leia pouco, concordo. Agora que se leia "muitas vezes mal"...

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    1. É compreensível que se leia mal. De resto, como poderia ser diferente num lugar onde se vive mal, e pior ainda, onde se morre mal? E já termos abandonado a ladainha de aqui não se lê já é uma conquista. Mas não se pode dar um passo sem que logo não se dê um tropeção. Avaliar qualquer avanço neste assunto tendo como bitola a feira do livro e as garatujas dos autores é que já é embandeirar em arco. Mas admito a minha repugnância em ver o cheiro dos livros a paredes-meias com o cheiro a bifanas. Sou do tempo em que a Agustina foi, gratuitamente, falar de um livro dela a uma aula minha, numa escola secundária à beira de uma estação ferroviária. Tinha 17 anos. A sala estava em silêncio, e no final uma colega minha disse em voz alta, ‘gostei tanto de si que a minha próxima mesada é para comprar um livro seu’. Hoje, isto já não é possível. Nenhum autor em feira do livro alguma irá ouvi-lo. Porque o ticket para nos aproximarmos dele já tem de estar comprado. E chama-se precisamente livro. Os factores estão em ordem invertida. Lê-se mal, mas compra-se pior.

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    2. António Luiz Pacheco20 de janeiro de 2022 às 14:47

      Tunga!
      Cá da Cidade Morena...

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    3. António Luiz Pacheco20 de janeiro de 2022 às 14:48

      Perdoe... eu às vezes sou um bocado parvo, segundo uma, terrível segundo outros.

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  2. Coisa engraçada e a ponderar são também os resultados das Feiras do Livro em que as pequenas e médias editoras tiveram dois anos de grandes feiras e os grandes grupos, o contrário. (Talvez por isso a APEL tenha vindo dizer que nunca mais voltaria a fazer a Feira em Agosto/Setembro.)

    Ligando isso a uma experiência feita por livreiros de uma grande cadeira portuguesa há uns anos que, na ausência de um director de produto livro, durante um Verão decidiram dar destaque aos grandes livros em vez daqueles que habitualmente fiugurariam nos tops. Experiência essa que resultou num número praticamente igual de vendas. Podemos provavelmente extrapolar que, como dizia a minha avozinha: todo o burro come palha, a questão é saber-lha dar e que as opções de más leituras são, fundamentalmente, culpa das editoras, não dos leitores - ou alguém acha que, se se deixásse de repente de publicar maus livros os leitores desapareciam do dia para a noite?

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    1. Bom dia com alegria

      "O caminho da virtude é alto e fragoso mas, no fim, doce, suave e deleitoso" dizia a minha professora de Português

      Hoje existem muitos caminhos disponíveis (reais e virtuais) para os "burros comerem palha", e são bastantes os que não estão para se cansar, nem aos seus neurónios.

      E o mercado livre (nada contra) parece impelir para nivelar por baixo (cada vez mais) - embora existam honrosas excepções e gente que desafia a lógica económica/financeira, arriscando obviamente mas, imagino eu, retirando desse risco um grande prazer: o de desafiar

      Salve-se quem puder

      Saúde e boas leituras (com ou sem orelhas de burro)
      cp

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    2. Penso que está enganado, Hugo. Para a LeYa, por exemplo, a última Feira do Livro ficou muito acima das anteriores e eu fiquei muito contente com a quantidade de autógrafos que os autores que publico deram (e já não davam há vários anos). Quanto à «palha», também não sei: ao primeiro sinal de crise, há demasiados leitores que desistem, e são os que lêem mal (por exemplo, coisas como As Sombras de Grey). Não sei se esses voltam quando a situação melhora para ler coisas para eles mais difíceis.

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    3. Bem, nesse caso fui enganado porque foi a informação que recebi por vias que não posso revelar ia nesse sentido no que concerne a Leya, Porto e 20|20.

      Mais estranho, então, o comportamento da APEL...

      Sim, a purga dos públicos flutuantes aconteceu de forma muito clara após a crise de 2008-2011.

      Ainda assim mantenho que sem as chagas da su'alma no mercado, os leitores que as consomem não deixariam de comprar livros. Sem as Nora Roberts e uma série de outros autores cliché, os seus leitores desapareceriam? Eu fiz essa experiência de forma clara há uns anos quando propus a um clube de leitoras que liam regularmente livros de dita literatura cor-de-rosa. E esse clube, durante um ano, leu quatro livros diferentes (o primeiro, é o único que me lembro era o do Sebastian Japrisot «Senhora em Automóvel com Óculos e Caçadeira») e as senhores leitoras ficaram todas fãs dos autores sugeridos.

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  3. Claro que se lê pouco e mal.

    Mas as vendas de 2021 podem ser enganadoras, porque podem estar ligadas a um 2020 praticamente só com vendas "on line".

    Estatísticas com base em apenas dois, três anos, falham quase sempre.

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  4. António Luiz Pacheco20 de janeiro de 2022 às 03:19

    Vejamos, vou ser Extraordináriamente discordante!
    "Em Portugal lê-se pouco, e também se lê muitas vezes mal ". (sic)
    É a tal presunção cultural, que eu formalmente renego, dizer que se lê mal!
    É como dizer que se veste mal, tem mau-gosto, ouve má música ou come mal, só porque se têm gostos diferentes! Discordo e não pratico.
    Eu diria antes: escreve-se é muito mal! Porque a maioria dos títulos que vejo nos escaparates das livrarias, são de livros que eu não gosto, portanto é-me tão legítimo dizer que se escreve mal quanto a Nossa Extraordinária Anfitriã dizer que se lê mal, dando como exemplo a lista dos mais vendidos.
    É que se calhar, houvera mais livros "maus" tornados "sérios" pelas editoras e lia-se bem mais. Será? Questiono, não afirmo! Notem.
    Hoje de manhã, logo cedo, li um artigo do nosso Afonso Reis Cabral, muitíssimo interessante e com uma análise sobre um escritor muito lido, que desconheço confesso e cujo nome não fixei. Agora não consigo encontrar o artigo, li-o no telefone esperto enquanto esperava ser atendido numa repartição... mas se alguém leu, ou for capaz de o localizar, aconselho! Aliás queria lê-lo outra vez, mas não encontro. O telefone é esperto, o burro sou eu.

    Saudações de quem lê de tudo, bom e mau, depende... tenho dias, como a corrente de relógio do sapateiro!

    Nota: A nossa inacreditável "menistra" da agricultura, também entendeu por útil (para os "técnicos" e empresas contratadas, sem dúvida), lançar um programa de não sei quantos milhões, destinado a criar brigadas de nutricionistas que iriam para o interior rural, "ensinar as populações a comer bem". Imagine-se!!!!! Por este andar, é de esperar que um próximo "menistro" da cultura crie um programa com brigadas que ensine as pessoas a ler bem? E as aulas não serão para isso? Enfim, as famosas e saudosas carrinhas-biblioteca até o faziam, ou não era?

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    1. Este António Luiz é "terrível"! :)

      Eu também penso que se lê mal, porque os livros que se vendem mais são "maus livros". E não estou a falar dos romances de José Rodrigues dos Santos, mas sim da panóplia de livros de "auto-ajuda", quase sempre perto da "charlatice", que enchem os escaparates das livrarias.

      Penso que nos últimos dez anos (para não ir mais longe) decresceu muito o nosso nível cultural, e tudo por culpa da televisão.

      Até vou falar de outra coisa, que não é literatura: a música. Basta olharmos de relance para os programas de entretenimento das tardes dos fins de semana e vemos gente que nem cantar sabe mas que tem palco, porque aceita participar no espectáculo a troco de uma sandes de manteiga.

      Felizmente, os nossos melhores músicos e cantores (e agora até precisavam...), como profissionais que são, não entram nestas festarolas de "play-backs" e de mau gosto. Porque sabem que se o fizessem estavam a prestar um mau serviço à cultura.

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    2. António Luiz Pacheco20 de janeiro de 2022 às 04:37

      Sim senhor!
      É que sou mesmo... bom a minha mulher está sempre a dizer que às vezes sou um bocado parvo. Na verdade acho que tem razão, mas isso será para conversarmos outro dia e noutro local... trataremos disso!
      Mas note, eu não defendo que se leia bem! Tal como não defendo que se leia mal. O que eu renego é a presunção (palavra forte mas que me parece a que melhor se pode aplicar neste caso) de se classificar o gosto alheio pela leitura, dessa forma tão linear!
      Claro que há maus livros, resultado de má escrita e de mau trabalho de tradução, de edição, etc. Mas não posso em boa verdade e honestamente dizer que porque não gosto de ler Lobo Antunes ou Olga Tokarczuk, quem os lê, lê mal!
      Em compensação gosto muitíssimo de ler o José Cipriano Catarino, ilustre desconhecido e nem por isso editado, mas dos tais que escreve próximo das pessoas, sobre as pessoas comuns e para elas!
      Mas tenho a certeza de que sabe isso.
      Gosto sempre de trocar impressões consigo, também é uma pessoa próxima e isso nos conforta e até une.

      Abraço de cá de 7.000 Km a Sul!
      É aí que quero chegar.

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    3. Rui Manuel Conceição Silva20 de janeiro de 2022 às 06:54

      Creio que o artigo de que fala está aqui:
      https://www.jn.pt/opiniao/afonso-reis-cabral/eu-tambem-tenho-sentimentos--14504456.html
      Acho que o Afonso esteve bem.

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    4. António Luiz Pacheco20 de janeiro de 2022 às 09:35

      Isso mesmo!!!!
      Muito obrigado... o que vale este nosso Extraordinário Blog e os seus participantes!
      Vou reler.
      Grande abraço africano.

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    5. António Luiz Pacheco20 de janeiro de 2022 às 09:53

      Esteve bem? Esteve Extraordinário, em relação a ele (ARC) eu nunca me enganei nem ele me decepcionou!
      Temos Homem de Letras, alguém duvida? Só os invejosos...

      Permitam-me citá-lo, pois é mesmo o que penso:
      "Em vez de tapar o nariz, eu gostava de compreender a lógica dos milhares. São demasiadas pessoas plenas de serem pessoa - frágeis e fortes e belas e feias e inocentes e culpadas, decerto em cada uma a ferida aberta de existir -, para que semelhante fenómeno fique catalogado como mero mau gosto. É que existem razões no mau gosto."

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    6. Rui Manuel Conceição Silva21 de janeiro de 2022 às 15:27

      Sim, o Afonso esteve extraordinário.
      Fui forreta no elogio.
      Um abraço beirão

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  5. Um amigo meu (poeta, escritor) quando eu (do alto da minha sobranceria e preconceito) referia esse facto (ler mal) ele respondia-me sempre: ó Sev é preciso é ler, ler é o mais importante, seja o que fôr, ler ler ler!
    (E eu "encaixava" pois a sua experiência e sabedoria calavam-me e até quase me envergonhavam).

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    1. António Luiz Pacheco20 de janeiro de 2022 às 04:29

      Ora vês??? É preciso é ler, sem dúvida!
      Uma vez, já anos 80 e eu ainda andava de "camioneta da carreira", entrei numa com um colega, de direita (um facho assumidíssimo do CDS de Évora), e, reparámos que o motorista aguardava cá fora, encostado ao autocarro e a ler "O Avante", claro... o meu amigo António Alberto, não deixou de fazer um remoque: olha para aquele gajo! Nunca leu nada na vida, mas como é o Avante, já lê!
      Bom eu recordei-me justamente disto agora ao ler-te a ti, pois o que disse ao António Alberto foi o mesmo: olha, o que importa é que leia! O meu amigo, antigo condiscípulo e correligionário simpatizante monárquico, por acaso é professor de história!
      Mas tu, também és dos que eu acuso de sobranceria cultural, tu se pudesses "puribias" as telenovelas e programas das manhãs, as revistas cor-de-rosa... toma lá que é para te assoares!!!!
      Abraço populista! Ahahah!

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    2. Anda Paxeco...chega-lhe.
      Raspeja-te...

      (Ó Paxeco, esta do raspeja-te não conhecias tu)

      Raspeja-te=dito ancestral e do mais puro alentejano que significa sair de mansinho, sair com o rabo entre as pernas, de alguém que se armou em xico-esperto.

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    3. Estou plenamente de acordo com vocês.

      O mais importante é ler, ler, ler.

      Depois a prática (com a respectiva "prova"...) pode levar as pessoas a começarem a preferir "uma bela sandes de presunto transmontano" ou de "queijo da serra", a uma banal sandes de "queijo fatiado ou fiambre".

      (sei que esta "comparação" pode não ser a mais feliz, porque também envolve a "parte económica", mas foi o que saiu)

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    4. António Luiz Pacheco20 de janeiro de 2022 às 09:35

      Ouve lá, achas mesmo que não conhecia essa????
      Francamente, mas por quem me tomas tu... olha, vou-me sacudindo...
      Ahahah!

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    5. António Luiz Pacheco20 de janeiro de 2022 às 09:37

      Ora vê, que bela imagem... é isso mesmo!
      A gastronomia ao serviço da literatura, ó Paulo Moreiras, vê? Vê?
      Ahahah!

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    6. Bom, na minha terra diz-se raspa-te e não raspeja-te. Será de ser um início do Alentejo, simplificou.
      Desconheço o autor de que toda a gente fala e vende muito. Mas estou com o jovem escritor, é preciso saber a razão da preferência. E, digo eu, se descobrimos que parámos nesse ser adolescente, vamos ficar assim para sempre, cruzamos os braços e já está...cada um que trate de crescer por si. É que não me soa.

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  6. Eu também penso que ler, ler, ler é um bom princípio. Mas lá no fundo acredito que aqueles que o fazem acabam por decidir "estes são bons, aqueles não prestam". Bem, creio que a questão voltou ao seu início.

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    1. António Luiz Pacheco20 de janeiro de 2022 às 09:37

      Pescadinha de rabo na boca????

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  7. Um livro era uma bela prenda. Outrora oferecia-os com mais facilidade. Hoje, não só me custa oferecê-los escritos naquela coisa ortográfica a que chamam acordo, como leio os meus de lápis na mão, a fim de lhes corrigir a ortografia.
    stc

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    1. Ora nem mais. Há traduções mazinhas de bons livros e bons autores. Por vezes também dou por mim a corrigir.

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