As possibilidades da ficção
Uma das autoras que mais recentemente descobri, a norte-americana Elizabeth Strout (que começou a publicar já tarde, como Saramago), está a tornar-se uma das minhas preferidas. Em primeiro lugar, porque se percebe logo que não se deixa influenciar pelas modas politicamente correctas, é ela própria em todos os momentos, custe isso a quem custar; em segundo lugar, porque é muito diferente dos escritores da sua geração e descobriu uma forma de fazer romances às fatias, introduzindo personagens novas em todos os capítulos, que compõem histórias independentes que quase podem ser lidas de forma autónoma, embora, claro, ganhem e se iluminem com tudo o resto. A minha mais recente leitura de Strout foi Tudo É Possível, e é fantástico como o anterior O Meu Nome É Lucy Barton é como uma preparação para este livro cheio de possibilidades, onde reencontramos figuras que já conhecemos mas uns anitos mais velhas, incluindo a própria Lucy Barton, que se tornou uma escritora famosa e regressa à sua aldeia natal para visitar o irmão, um rude afável e nervoso que a admira muito e até compra um novo tapete para a receber. Profundamente humana e sem lamechice, esta é uma literatura muito próxima das pessoas, sem paninhos quentes nem mitificações. A ler, portanto.
Ficou registado. Porque tudo é possível.
ResponderEliminarQuase todos dias aprendemos coisas novas, mesmo sem darmos por isso. É também por isso que a descoberta de bons escritores nunca é demais. :)
Esta escritora não conhecia mas já vi algo desse estilo em Alice Munro e gostei muito.
ResponderEliminarBom, sem dúvida que vai ao encontro daquilo que digo e daquilo que gosto de ler!
ResponderEliminarQuando é que os escritores portugueses (os tais que escrevem livros sérios, os que são publicados) entram nesta onda aqui referida de fazerem literatura para e perto das pessoas?
Não falo do Afonso Reis Cabral nem do Paulo Moreiras, evidentemente, que dos publicados são dos poucos neste âmbito.
Saudações um bocadinho ácidas, todavia satisfeitas pelo que li, cá da Cidade Morena.
Sim, comprei Olive Kitridge ou lá como é … a conselho seu aqui neste blog . Estou a gostar ,a personagem é muito rica , o marido um santo ! Pois é farmacêutico ( tal como eu …) …
ResponderEliminarAs histórias ou contos são histórias de vidas , histórias muito reais e problemas atuais da sociedade .
Mas o estilo final da coisa , não sei se das personagens ,se das histórias ,se da forma como são contadas o estilo fica muito “americano “ demasiado americano , tal e qual aquelas séries televisivas q se podem ver nas Netflix .
A começar a escrever tarde também , prefiro a autora de Manual de mulheres de limpeza -
Lucia Berlim .
Bom ano de leituras e agradeço sempre sugestões ,obrigada.
M.A.