Uma medida necessária
Quando hoje lemos notícias, artigos de opinião, crónicas, etc., num jornal ou revista, não raro descobrimos erros de ortografia, pontuação, faltas de concordância, palavras usadas com um sentido que não têm... Nos rodapés das televisões acontece tanta vez que o Facebook está cheio de partilhas de fotografias de ecrãs com erros de palmatória. Ora, os meios de comunicação, que chegam a tanta gente, tinham obrigação de ter mais cuidado com o português pois podem ser responsáveis pela disseminação das incorrecções que publicam. Soube que há um jornal no Brasil, a Folha de S. Paulo, que se preocupa seriamente com esta questão. Todos os dias os jornalistas e colunistas da Folha recebem uma mensagem de uma linguista contratada sobre os erros encontrados no jornal do dia anterior, a sua correcção e uma explicação detalhada dos porquês de ser dessa maneira, e não de outra. Pode parecer que os jornalistas recebem a mensagem e a apagam sem ler, mas não, porque a verdade é que têm certamente medo de que os erros tenham sido feitos por eles próprios e querem de certezinha aprender de uma vez por todas para não sofrerem mais nenhuma «humilhação» junto dos confrades. Eu acho uma excelente prática que deveria ser adoptada por todos os media para o nosso bem comum. E, já agora, vou escrever a um comentador da TSF que passa a vida a dizer «ciclo vicioso» em vez de «círculo vicioso», o que é extremamente irritante num homem da sua importância.
Bom dia, Maria do Rosário
ResponderEliminarExcelente tema. É muito importante respeitarmos a nossa língua e escrevê-la, ou dizê-la, bem.
Uma das coisas que não gosto de ouvir nas peças jornalísticas é a indicação de velocidade como "quilómetros hora". falta o "por", é "quilómetros POR hora", se nos referimos a uma velocidade. Tive uma professora de Física na faculdade que anotava os erros dos jornalistas e este era, precisamente, um dos que ela detestava ouvir. E continua, infelizmente, a ouvir-se muito.
Mas o "ciclo vicioso" em vez de "círculo vicioso", acho que vem da nossa forma de falar, comendo letras. As pessoas que dizem a forma errada provavelmente nunca a viram escrita e não se questionam. Elas ouvem "ciclo vicioso" e é isso que repetem. Eu, quando aos 9 anos fui fazer o bilhete de identidade pela primeira vez, fiquei muito admirada quando vi, no próprio papel que viria a ser o meu primeiro bilhete de identidade e onde assinei o meu nome, a palavra "identidade". Eu sempre a havia ouvido como "entidade" e dizia, até então "bilhete d'entidade". Enfim, estamos sempre a tempo de corrigir.
Ahhhhhhhh! Ainda estou com os cabelos da nuca ouriçados!
ResponderEliminarPorque fico sempre assim quando oiço nas instrucções de bordo, na voz melodiosa da locutora, dizer: "em caso de amaRRagem"! Isto em todas as companhias aéreas onde se fala português! Ninguém corrige nem sabe que poisar no mar é amaRagem que se diz?
Um dos muitíssimos exemplos que deveriam envergonhar alguém, mas parece que não!
Não tenho pretensão de me exprimir num português perfeito, porém esforço-me por isso.
E sim, absolutamente, jornalistas, escreventes, locutores, todos deviam dar o exemplo e as TV ou jornais, deveriam ser mais atentos a isso...
É absolutamente estúpido a utilização do habitual "os assaltantes armados de caçadeiras shotgun..." . Seria como dizer que estavam de metralhadora machine gun! Pois shot gun é precisamente caçadeira em inglês! Ninguém percebe o disparate e a redundância ou diz que o jogador chutou a bola ball? O que podem querer dizer é caçadeira semi-automática, ou então usem o termo adequado àquelas espingardas caçadeiras semi-automáticas usadas pelas forças de segurança, de coronha cortada e no sistema de bomba (pump gun) que são justamente chamadas de "riot gun" ou "espingarda anti-motim".
Isto pode parecer um preciosismo como chamar ao escafandro autónomo de garrafas de ar comprimido, garrafas de oxigénio, o que é disparatado! Porém apenas revela a má preparação da notícia e a deficiente informação, que se é assim nos detalhes tidos por despiciendos, nos leva a suspeitar carecer do mesmo nos que sejam importantes. E sabemos que muitas vezes são mesmo!
As notas de rodapé que passam nos noticiários, são mesmo uma vergonha!!!!
Só espero ouvir um daqueles ditos pivôs, quando "encha chouriços" nalgum directo, dizer ofegante: o veículo controlou a rotunda!
Saudações cá do Bairro Ribatejano, já tinha saudades de ouvir chamar-me de "sor'Atóino Luiz"... em vez de "chefe", ahahahah!
Bolas... é absolutamente estúpidA ... lá está: - A quem cospe para o ar...
EliminarExcelente ideia.
ResponderEliminarMas também há ciclos que se tornam viciosos, Rosário. :)
Os constantes erros de português nos rodapés das várias estações de televisão são o que mais me põe vesgo.
ResponderEliminarBom, comecemos então:
ResponderEliminar- será “o” Folha de São Paulo [o jornal] e não “a” Folha [por antonomásia]…
- o determinante possessivo em voz passiva deve fazer-se da contratação da proposição “de” com pronome pessoal…; logo, “um homem da importância dele”, e não esse ‘espanhlismo’ de “um homem da sua importância”.
A história é antiga: corrige que logo acabas corrigido.
Ortografia e ortoépia têm uma prima mal-amada, a ortopedia. Antigamente, era coisa de curiosos: ‘os endireitas’…
Corrige que acabas corrigido... pois, é o tal círculo vicioso!
EliminarToda a gente diz «a Folha» no Brasil, e eu fui atrás. Queria dizer «contracção» quando escreveu «contratação»? A voz passiva que conheço não é igual à sua... e isto é um blogue de voz activa (risos). Abraços e obrigada.
EliminarFiquei sem saber se a Marquise é a protecção da varanda, se é a "endireita" da língua portuguesa. Para utilizar e deturpar um rifão português, terei de dizer que "emenda de corrector e prognóstico de ortopédico, serão o que for".
EliminarDe qualquer forma, direi a Folha de São Paulo, porque não me vejo a entrar num quiosque no Brasil ou em outro lado qualquer e pedir - "tem cá o Folha de São Paulo?". Para assim ser mais explícito, teria de juntar a palavra "jornal" - "tem cá o jornal Folha de São Paulo?"
Note-se, cara Marquise von O, que não a estou a corrigir; tão só a dar o meu parecer.
Aqui, sim, um ‘sua’ muito bem empregue.
EliminarJá o argumento “da que conheço” não é igual à do outro, é recurso a conjectura neutra para disfarçar argumento de autoridade. Assim parece.
Abraço retribuído
Escreve-se "preposição".
EliminarOops...
EliminarNão era aqui.
Escreve-se "preposição".
EliminarA paronímia é no que dá!...
EliminarQue correção tão grata.
Até aqui só tinham corrigido concordâncias e "va savoir".
Caros,
ResponderEliminarNão chega a ser um pedido. Apenas uma recomendação.
Pelas nossas bandas, não entrem na tabacaria para comprar "o" Sábado. Deixem que ele ainda seja gratuito.
Comprem apenas "a" Sábado.
Não tem grande importância. É apenas a "contratação" de uma concordância merecida.
E a título de saudação, estando longe de qualquer 'protecção da varanda' [que se diz "guarda"], 'Marquise' é apenas como em «Madame la Marquise».
Estou a aprender consigo, Madame.
EliminarSe me permite (que sou plebeu) "marquise" é um galicismo (em francês até se aplica a "toldo", que não guarda a chuva, mas o toutiço molhado e o que quer que seja), assim como "von O" é um germanismo, bem como a troca do "a" pelo "o" - e o seu contrário - nos títulos da imprensa, é um preciosismo.
Numa coisa tem razão...quanto à Sábado. Não me atrevo a entrar na papelaria e dizer mais ou menos isto: - "venho comprar o Sábado".
É um gosto enorme a troca de texto com Senhor como o Senhor, Cavalheiro Francisco Costa.
EliminarDe resto, é a maior virtude destes engenhos digitais: mais do que dobar [asseguro que existe e não é gralha] convicções, antes trocar ideias, argumentos e palavras.
E os argumentos do Senhor a respeito da minha identidade vão bem ao encontro do pensamento mais avançado da actual linguística. Não há domínio de uma língua sem uma segunda língua. O que não quer dizer um idioma estrangeiro, mas um simples idiolecto pessoal, familiar ou de infância, que sustente a fala e a escrita da norma. É por isso que a defesa de um monolinguismo dominante é tão perigosa. Mais ainda, com medidas de policiamento, e de ortogonalidade, como a que hoje defendeu aqui, na sua entrada, a nossa celebrante-mor: muito perigosa. É um passo sempre fácil no sentido da discriminação do outro. Chama-se glotofobia. Não aceitar o modo como os outros se exprimem, é o que está na origem da divisão patrimonializante da língua entre bárbaros e civilizados. Só alimenta outras fobias com étimos menos admissíveis. Uma delas, de recorte social. A dos ‘que sabem’ contras os ignorantes.
Quanto à minha identidade, se me dá licença: “google me…”
Até já!
Enfim, opiniões são como o ... umbigo! Toda a gente tem. Opiniões discutíveis, evidentemente, num blog que se pretende de gente esclarecida e até (passe a presunção) de gente culta e educada.
EliminarAssim, permito-me contrariá-la - se bem que a entenda porque bem explicada, e, portanto a aceite - pois também me parece que usar bem uma língua, sobretudo a nativa, é mais do que exprimir ilustração, ser correcto! Uma coisa são erros populares de escrita ou fala, das pessoas comuns, outra são estes erros da ignorância pura, por parte de quem tem obrigação de ao divulgar notícias, ser exemplar na sua forma de expressão oral ou escrita.
Saudações cá do Bairro Ribatejano, onde aliás mui mal se fala!
Cavalheiro António Luiz,
EliminarLíngua-nativa? Isso era no tempo da outra senhora e do seu “estatuto do indígena”.
Diz-se língua-mãe, que até pode ser a de um lugar de onde não se é nativo.
Um gosto,
muito sua M. von O
Aceito a correcção, porém esclareço que não quis usar o termo "língua-mãe" pois achei que podia ser mal interpretado pelos falantes de português não nascidos em Portugal. Usei portanto "língua-nativa" no sentido de ser a língua que se aprende e fala por nascimento.
EliminarÉ que para mim "nativo" significa aquele que nasceu em - eu sou nativo do Ribatejo- e não tanto o indígena (aborígene) no sentido desactualizado do tempo colonial, que por se ter extinto perdeu essa mesma conotação depreciativa e creio que a razão de ser da sua utilização.
Enfim, a língua portuguesa pela sua riqueza e diversidade presta-se a confusões creio eu.
Saudações cá do Bairro Ribatejano, minha cara personagem... cinéfila ou livresca? Romheriana ou von Kleistiana?