Um poeta a ganhar na prosa
Na semana passada, como certamente se deram conta, foi anunciado o vencedor do Prémio LeYa 2021, em cuja lista de finalistas estavam catorze romances. Eram, pela primeira vez, mais de uma dezena (o máximo estabelecido pelo regulamento para enviar aos jurados), mas a colheita era boa e, como no ano passado, por conta da pandemia, o prémio foi interrompido, o júri aceitou ler uma dose maior. A impressão geral sobre o nível dos concorrentes foi boa e, ao que parece, haverá mais livros além do vencedor para publicar; mas a escolha do galardoado foi unânime e teremos um poeta entre os romancistas que já arrecadaram o prémio. Chama-se José Carlos Barros! O autor é arquitecto-paisagista e transmontano (com um sotaque bonito que não perdeu, apesar de viver no Algarve há muitos anos). Já esteve ligado à gestão autárquica e foi deputado à Assembleia da República, onde teve a pasta do Acordo Ortográfico. Escreveu pelo menos dois romances, O Prazer e o Tédio (adaptado ao cinema) e Um Amigo para o Inverno (finalista do Prémio LeYa em 2012), um livro maravilhoso sobre um episódio real acontecido em ditadura que poucos conhecem. E agora é o mais recente vencedor do Prémio LeYa com As Pessoas Invisíveis, que espero que seja tão bom como os anteriores e a sua poesia. Enquanto este não chega, leiamos os já publicados.
Contrariando o que já tinha prometido à Rosário, impulsivamente coloquei o comentário (que pertenceria a este post) no dia 7 de Dezembro, logo após ter sabido do resultado do Prémio Leya.
ResponderEliminarNada teria mais a acrescentar, a não ser pedir desculpas à MRP por contrariar o normal comportamento do comentador, que é cingir-se ao assunto da Autora, colocado diariamente e bem comentado pelos Extraordinários, que cumprimento com elogio.
Como sou frontal, escrevi uma carta ao CEO da Leya no último ano em que não foi distribuído o prémio, tendo mesmo sugerido que a presidência do júri devia ser rotativa e não perpétua e que o montante do prémio, para um mercado livreiro como o deste País, seria mais curial reduzir-se a metade (o que parece ter acontecido, mesmo sem que tenham seguido a minha sugestão), o que já por si indica que não fui, não sou nem serei concorrente neste concurso literário.
Nada a apontar este ano e a este resultado. O autor, Costa Barros, tem provas dadas, tem obras de grande qualidade e esta será uma delas, que eu faço questão de adquirir. Por outro lado, considero que a presidência do júri continua no mesmo jurado, o que pode induzir os concorrentes a introduzirem temas que sejam do seu agrado, tais sejam os que se mostrem no palco do fascismo, com bordoadas ao salazarismo e demais envolvimentos e teias do romance no âmbito da ditadura.
Já escrevi obras de ficção com cenários colocados no segundo e terceira quartel do século XX e abomino essa e outras ditaduras. Não posso conceber é que o tema seja mais valia para um prémio - e acredito que nem terá sido o caso, neste particular.
Boa noite!
ResponderEliminarComo admirador da obra de José Carlos Barros, não tenho muito mais a acrescentar ao que a Maria do Rosário Pedreira, escreveu acerca deste escritor.
Em posts anteriores já tinha citado alguns poemas e agora só me resta esperar que as pessoas o vão ler e descobrir.
Comecem por qualquer um mas se puderem peguem e leiam "Um amigo para o inverno". Excelente!
Depois percam-se pelos bons livros de poemas.
E porque,como já referi,sou um admirador do JCB e como estamos numa época natalícia, deixo aqui um pequeno texto publicado pelo JCB no seu, extinto blog, Casa da Cacela.
"E ainda sobre a literatura 2"
A minha tia Almerinda mandou-me uma SMS a desejar um foliz ano nobo. Não se pode dizer que a minha tia Almerinda seja particularmente devotada às letras. Mas eu emocionei-me e quase me vieram as lágrimas aos olhos. É que sou dos que acham que o importante é a história, o enredo,a mensagem que se quer transmitir. A linguagem é o menos."
Daqui,da margem esquerda do estuário do Tejo,com os desjos de boas leituras.
A. Delfim
Não li. Não conhecia.
ResponderEliminarAcho que visitei o blogue (Casa de Cacela), mas não o associava ao nome.
Gosto do título, "Um Amigo para o Inverno". Pode ser uma boa oportunidade para conhecer o romancista José Carlos Barros.