Mário Soares, a obra

Como trabalhei alguns anos numa editora de certa forma associada ao Círculo de Leitores, que era quem então publicava os livros de Mário Soares, fui muitas vezes a apresentações por esse país fora com ele, e era sempre um gosto ouvi-lo e ver como tinha tantos admiradores, mesmo entre os mais jovens. Era, além de uma pessoa incrivelmente inteligente, um homem com imenso humor e sempre com um sorriso para toda a gente, nunca mal-encarado. Há uns dias, fez-se na Fundação Calouste Gulbenkian a apresentação do volume zero das suas Obras Completas, que muito provavelmente chegarão aos 20 volumes, já que o antigo Presidente da República era um homem que escrevia muito e, ao que sei, nunca se chegou ao digital. Nessa sessão, contou-se uma história muito divertida. Mário Soares convidou o poeta e artista plástico Mário Cesariny para um evento no Palácio de Belém e este respondeu que não podia ir, pois não tinha um fato escuro nem dinheiro para o ir comprar. Então, o Presidente respondeu-lhe que viesse com o fato claro, até porque, com aquela sua magreza, o fato escuro não devia ficar-lhe nada bem. Agora, sem o homem, leia-se a sua obra.

Comentários

  1. Considero justa essa publicação. Goste-se ou não do Dr. Mário Soares, concordo com o que a Rosário escreveu. E serei um leitor, embora arredio da arregimentação política, que não tenho.
    O meu comentário de hoje (pois que não comento com assiduidade, para bem de todos) prende-se precisamente com a compilação de textos que se vão publicando a granel, de forma diária ou eventual de acordo com a oportunidade e a disposição.
    Onde eu quero chegar? Precisamente ao que já aqui considerei, por mais de uma vez, que era: a poetisa MRP; e a leitora MRP; e a editora MRP; e a prosadora MRP; bem como finalmente a bloguista MRP fazer o mesmo que agora premeia em outros, que é editar alguns dos seus posts destas Horas Extraordinárias... em LIVRO.
    Fácil é perceber que não chegariam os 20 volumes, mas cabe à própria Rosário saber o que é mais interessante em ficar no papel e em livro - que todos os Extraordinários tanto enfatizam como a melhor forma de publicação perene - para que tenhamos ensejo de reler calmamente o seu excelente e incansável trabalho no "Horas".
    E pronto. Se calhar estive a pregar em deserto e posso esperar sentado a decisão da anfitriã. Sempre vos digo que, mesmo assim, é melhor esperar sentado do que em pé.

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    1. Obrigada, Fernando, pelo seu interesse. Talvez um dia, na reforma, tenha tempo de voltar a estes textos e ver quais morreram e quais estão ainda vivos e podem ter outra vida ainda. Para já, estou a cuidar de outros textos meus, mas ainda é segredo. Um abraço.

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    2. Tudo o que seja "passar a papel", eu apoio!
      Extraordinária sugestão caro Fernando! Esperemos que a nossa Multifacetada e Extraordinária Anfitriã pense sériamente nisso!
      Abraço aí para o Planalto Beirão, cá dos cabeços do Bairro Ribatejano, mais precisamente do planalto do Graínho!

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  2. Goste-se ou não do falecido Dr. Mário Soares, há que reconhecer a sua ilustração, inteligência, cultura e claro a diplomacia e o humor, quem com ele privou o refere, dizendo mesmo que ele tinha fortes tiques monárquicos... o que considero uma qualidade, esclareço.
    Infelizmente não deixou grande escola, pois os governantes que temos tido e vamos tendo, primam pela boçalidade, pesporrência, incultura, insensibilidade, arrogância, elitismo, e, muitas outras características das quais nem sequer o humor sobressai, aliás sempre ouvi dizer que o humor é justamente prova de inteligência.
    Precisamos de políticos e governantes diferentes... acho mesmo que se perdeu recentemente uma boa oportunidade de iniciar um novo ciclo, em vez de nos mantermos no tal vicioso e viciado.

    Nota: Estou zangado com a Drª Maria do Rosário... eu sabia, disse-o aqui que não ia ler, mas caí na tentação de o folhear, tive de o comprar e fui obrigado a ler! Irra, eu sabia... afectou-me, a mim que não preciso, que não queria, que já tenho frustração que baste!
    Mas quem me mandou a mim...
    Depois conto!

    Saudações amarguradas cá do Bairro Ribatejano e do seu Sol de Inverno nas folhas vermelhas das vinhas! Paisagem linda!

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    1. Para me deitar a adivinhar, direi que a "zanga" do Extraordinário António Luiz é com o "Manhã e Noite" de Jon Foss. O autor é norueguês e ele - já o disse - não aprecia escritores nórdicos.
      Ficaria perplexo se fosse o livro "dos naufrágios", porque o Pacheco, que é um homem dos mares profundos, sabe e aprecia esse mundo marítimo, vedado à maioria dos Extraordinários, principalmente eu, que só nado à superfície.
      De qualquer forma, se bem me apercebo, dada a bonomia e disposição do António Luiz, o estar zangado é uma força de expressão, passageira.

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    2. Ora vê!!!!!
      Sente-se culpada? Mas o livro é muito bom!!!!

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    3. Fernando, o problema é que o livro é mesmo muito bom! Bom demais... e eu já tenho sarna que chegue, não preciso de mais!!!!
      Abraço.

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  3. Comprei esse livro aconselhado aqui .
    Li-o com muito agrado mas deixou-me uma tristeza profunda. Antes de o ler tinha-o aconselhado à minha mãe
    que o leu apenas uma noite . Na manhã seguinte perguntei-lhe -então está a gostar ? Parece que é bom .
    - Aí não , não , filha ,arranja-me outro pf. Já não posso ler disto . Não me está a agradar …
    Vi logo que aquilo mexia connosco .Mas que é bom , é!

    M.A.

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