Leonor Xavier (1943-2021)

Começámos mal esta semana. Morreu-nos a escritora e jornalista Leonor Xavier, sobre a qual sempre se dirá que era alguém realmente especial. Acho que ainda o meu pai era vivo quando falei com ela pela primeira vez, na antiga Feira das Indústrias de Lisboa, já não sei bem à saída de que evento, pois o Raul Solnado, com quem a Leonor viveu muitos anos, era um amigo próximo do meu pai nos últimos anos das vidas de ambos. Mas, ao longo do tempo, estivemos imensas vezes juntas, quer nas editoras por onde eu fui passando, quer em festivais ou feiras do livro, quer até em almoços ou jantares por esta ou aquela razão (lembro-me de um no Ritz por ocasião de um saudoso Prémio Máxima). E a Leonor era aquela pessoa que tinha sempre uma palavra agradável para os outros, que, com a sua capacidade de estar com todos, tinha amigos de todos os quadrantes políticos, que tinha uma forma de viver tão positiva que nem nas piores alturas da sua doença acreditámos que iria abandonar a vida, porque tinha a força de um boi e deve ter iludido a morte um montão de vezes. Jornalista e escritora, biografou Maria Barroso, Rui Patrício e Raul Solnado e escreveu sobre a sua experiência com o cancro e sobre a sua vida em Passageiro Clandestino e Casas Contadas. Aguarda-se em 2022 o seu livro Adolescência, que deixou entregue na editora. Que descanse em paz, como se costuma dizer.

Comentários

  1. Terminámos mal a semana, portanto, diria eu que não conheci a senhora.
    Provávelmente morreu no seu tempo, depois de deixar obra, ao contrário do jovem primo meu que partiu esta semana com a vida quase toda por viver.
    Há algum tempo, também morreu a filha de um amigo meu, uma jovem com tudo por fazer, que deixa saudades uma vez que não teve tempo para mais, mas as saudades se calhar são tudo? Sobretudo para quem a perdeu.
    O Joaquim, seu pai e meu amigo, escreveu um livro de poemas, pela e para a filha, diz que não pretende seja mais do que isso, um manifesto de amor. O Joaquim é um poeta da palavra e da imagem, homem da minha geração, criado e com uma experiência de vida muito semelhante da minha, vive junto ao rio Minho é caçador e gastrónomo, sentimos muitas coisas de modo muito parecido, é natural que vá gostar de ler o que escreveu e aguardo.

    Enfim, que descansem em paz todos os que a merecem ou dela precisam, vivos ou mortos. Votos de um fim de semana em paz, cá desde o Bairro Ribatejano ensolarado e portanto acolhedor, promissor e generoso.


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  2. Nunca li nada desta escritora e jornalista, talvez algum artigo de jornal sem notar a autoria. Mas soube da sua morte por um texto escrito por Seixas da Costa no seu blogue, aliás a repetição do que havia escrito nos seus últimos tempos de vida. Percebi que fora uma pessoa com talento e amigos e que vivera a vida com gosto. R.I.P.

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  3. Maria da Conceição Teixeira Dias Dias18 de dezembro de 2021 às 02:47

    Li todos os livros da Leonor .Agora está em Paz !

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