Jornal crioulo
Quando ouvimos alguém falar crioulo, há de vez em quando uma palavra em português que salta da conversa mas não destoa. O português entretece-se naturalmente com o crioulo (que não tem algumas palavras para certas coisas) e, com tantos caboverdianos em Portugal é até estranho que ninguém antes se tenha lembrado de fazer revistas ou jornais em crioulo por cá... Mas nunca é tarde, e a Mensagem de Lisboa já deu o passo, aproveitando ter recebido uma bolsa de jornalismo europeu da Newspectrum para línguas minoritárias. O padrinho desta bela iniciativa será o artista Dino d'Santiago, e vai coordenar o projecto a jornalista e cantora Karyna Gomes, que estudou jornalismo em São Paulo e já trabalhou para a Associated Press e a nossa RTP. A notícia foi dada pelo próprio jornal Mensagem de Lisboa, dirigido por Catarina Carvalho, com o que poderia ser um primeiro título em crioulo, cheio de palavras começadas por K, e é menos fácil de compreender do que eu pensava. Mas vai dar para aprendermos crioulo, porque as notícias serão bilingues e assim chegamos lá por comparação. Numa Lisboa que é mulata há séculos, calculo que se trate do primeiro jornal português-crioulo. Se Dino d'Santiago diz que se trata de um enorme passo para a humanidade que espera ver replicado noutros territórios europeus, eu só posso concordar e aplaudir aqui do meu cantinho. Parabéns a quem foi da ideia! Leiam o primeiro artigo de todos aqui:
Excelente iniciativa, penso eu, dado que existe efectivamente uma comunidade cabo-verdiana em Portugal isto por um lado, e, porque acredito na integração e que iniciativas deste género a promovem.
ResponderEliminarO jornal "Correio do Ribatejo", no auge da imigração, teve um suplemento para os muitos ucranianos que nessa altura vieram para o nosso país. Depois debandaram, ainda bem para eles que terão reencontrado condições no seu país, nem todos podemos dizer o mesmo, e, vamos ver o que os espera.
Retive a afirmação de que Lisboa é uma cidade mulata há séculos... eu diria que é mesmo uma cidade multicolorida! Sempre foi, é a sua matriz e parte do seu encanto porque lhe transmite um exotismo que deveria ser preservado e cultivado. Sou daqueles que não se chocam, antes apreciam, ver o Rossio cheios de gente de outras raças, credos, cores... nem me choca haver templos de outros credos, que respeito e tolero, apenas não permito que me os imponham!
Que outros idiomas minoritários poderão existir em Lisboa? Algum de Leste, por exemplo?
O fatal chinês (mandarim ou outro?), urdu (paquistanês)? Sinceramente não sei já.
Saudações plurais cá da Cidade Morena.
No início da grande chegada de trabalhadores cabo-verdianos, aos domingos juntavam-se na Praça de Camões em Lisboa e, sempre que possível, ia até lá para olhar aquela alegria-melancólica. Espalharam-se por aí, trouxeram cheiros, música, cores, grandes gargalhadas, grandes choros e eu olhava e ainda lembro aquelas manhãs de sol.
ResponderEliminar«Nha Venância acompanhou à porta o poeta Jacinto Moreno. Depois recolheu à sala e deixou-se ficar, longo tempo, na cadeira de balanço, balançando, cismando…
O vaporinho da água apitava na baía. Um vento fresco e brando rumorejava no telhado. Por entre as persianas da janela da sala enxergava, lá no alto, as luzinhas do Fortim d’El-Rei. Bia, em surdina, cantava “Hora Di Bai”.
Balançando, cismando, quanta coisa lhe vinha à recordação.»
«Hora di Bai», Manuel Ferreira
Na Guiné, durante a guerra, eu cumprimentava: como está? O cumprimento que recebia era mais concreto: corpo di bó?
ResponderEliminarE das 18h00 às 19h00 ouvíamos o PIFAS (rádio local feita por militares portugueses) , mas eu "descobri" uma outra rádio local, que das 19 às 20h00 transmitia discos pedidos, e como gostava de ouvir:
Eliminar- i agóra pá Mamadu Djaló, qui firma du Catió, vá cantari Giani Morandi, "nôn sô dinho di bó".
Ahahahah!
Eliminar