Humanidades e tecnologia
Num mundo hiperdigitalizado como aquele em que hoje vivemos, as Humanidades ainda terão lugar? Ao que parece, sim; e muitos dos que dirigem empresas profundamente tecnológicas vêm, surpreendentemente, das chamadas Letras: Susan Wojcicki, directora executiva do YouTube, estudou História e Literatura; Reid Hoffman, co-fundador do LinkedIn, e Stewart Butterfield, co-fundador da Flickr y Slack, licenciaram-se em Filosofia; e Carly Fiorina, ex-directora executiva da Hewlett-Packard, é formada em História e Filosofia Medieval. Os seus contributos para a reflexão sobre o futuro da ciência, a criatividade e o pensamento crítico são cada vez mais necessários ao desenvolvimento da sociedade tecnológica, sobretudo em matéria de tratamento de dados e inteligência artificial (IA). Aliás, as empresas de IA nos Estados Unidos contratam cada vez mais pessoas de Humanidades, especialmente gente ligada à comunicação, que saiba explicar ao público determinados conceitos e procedimentos, e também especialistas em ética. Há até uma máxima em Silicon Valley neste momento que, no fundo, se traduz por «Menos tecnologia, mais Platão», o que tem a sua graça se pensarmos que, de facto, as pessoas andam sempre agarradas às máquinas e parecem menos pensantes do que quando não as tinham. Será que as coisas estarão a mudar ou é só uma inversão, ou seja, o digital mete-se nas letras e as humanidades nas ciências? Leia-se sobre este assunto um artigo bem interessante no El País do último dia 10. Foi dele que tirei algumas das questões que acima ponho.
Um dia fiquei surpreendido ao saber que o CEO de uma grande empresa britânica era filósofo. Disseram-me que não era caso único e que a prática já vinha de trás. Bem precisamos que a existência humana não seja "tudo de tecnologia e nada de Platão".
ResponderEliminarBom... Hitler vinha da corrente da Teosofia!
EliminarPortanto ser-se oriundo de uma área dita de "humanidades" ou mesmo da "filosofia", não é para mim garantia suficiente de nada, pois a ganância e o poder corrompem quem não tenha uma boa estructura de base, sobretudo da educação recebida na família, os exemplos, e, a sua vontade própria em ser uma Pessoa, de bem.
Ainda por cima, vive-se como nunca das aparências e de falsas posturas. Portanto pode ser esse mais um logro da inteligência não-artificial que nos governa! Gente com preparação em humanidades, terá sim, mais facilidade em manipular, em usar as ferramentas da ciência para os fins mais sinistros e menos humanos!
Estarei a ser demasiado desconfiado? Pessimista? Talvez, mas motivos não faltam e desconfio tanto das "humanidades" quanto de certas "filosofias".
Abraço chuvoso cá do Bairro Ribatejano!
Grande Paxeco, gostei desta tua excelente análise.
EliminarMuito bom dia.
ResponderEliminarEndereços interessantes nos assuntos de AI e ética :
https://www.turing.ac.uk/
https://www.cser.ac.uk/
https://futureoflife.org/
Carpe diem
Russell Boncey