Uma revista muito especial

Uma das alegrias de ter este blogue traduz-se na circunstância de, uma vez por outra, haver uma alma gentil e caridosa que me propõe um tema para um post ou me presta informações que dão origem a textos para o blogue quando estou especialmente desinspirada. Desta feita, recebi um e-mail do Extraordinário Luís Filipe Sabino, dando-me conhecimento de uma revista digital editada pela Direcção-Geral de Tradução da Comissão Europeia, que importa divulgar aqui porque, pelo que me foi dado ver, é um instrumento extremamente interessante para todos aqueles que trabalham com texto, edição, tradução e revisão, a maioria dos quais (calculo eu!) nem tem a mais pálida ideia de que existe esta publicação e de que pode ser de facto de enorme utilidade: o que eu já me diverti com a fantástica lista de falsos amigos português-espanhol (alguns dos quais encontro erradamente traduzidos muitas vezes) e que gozo foi descobrir os nomes de aves de todo o mundo em português, o que teria de certeza ajudado imenso o nosso grande tradutor Francisco Agarez quando traduziu Zona de Desconforto de Jonathan Franzen, reputado romancista e ornitólogo. Muitos dos artigos prendem-se com tradução automática e software, mas outros, publicados desde 2004, debruçam-se sobre a língua portuguesa e serão muito legíveis por qualquer pessoa que se interesse por tradução. Assim, sem mais, aqui vai o link, com o agradecimento a Luís Filipe Sabino, autor também de alguns artigos:


https://ec.europa.eu/translation/portuguese/magazine/pt_magazine_pt.htm


 

Comentários

  1. Confesso que a traducção é para mim um mistério, mas ao mesmo tempo exerce algum fascínio, e explico: apercebo-me (não devo ser só eu...) algumas vezes de erros de traducção!
    Entendo que um traductor não consiga traduzir um nome de peixe e não tenha de saber que "jew fish" em português é conhecido por garoupa-gigante e não por "peixe-judeu". Todavia custam-me mais a aceitar erros de traducção em que esta é feita literalmente, não respeitando o sentido, quantas vezes por ignorância pura, ou manifestando sobretudo a falta de vocabulário e domínio da língua portuguesa, o que afecta, desvirtua, torna feio o texto em muitas obras traduzidas!
    Um bom traductor, na minha opinião de traça ignorante e rústica, é um escritor. Terá muitas vezes de reescrever as frases ou passagens, interpretando-as bem, por forma a dar-lhes sentido na outra língua! Estarei errado?
    Lembro-me de uma frase martelada numa péssima traducção de Hemingway, em que se diz que "atravessaram o país dos gerenuks". Ora, gerenuks são antílopes, chamados "gazela-girafa", e, o que deverá ter sido escrito no original seria algo como gerenuk's land... ou seja, "terra/território das gazelas-girafa", o que é bem diferente do sentido de "país dos gerenuks" ficando o leitor a pensar que seja o país de algum povo!
    Já aqui citei o caso do afamado, premiado e intragável, "Montanhas Douradas" de C Pam Zhang, cuja traducção é manifestamente má, a piorar o já mau panorama do livro. Um péssimo trabalho, repito.
    Vaidade aparte, tenho sido convidado a fazer uma ou outra revisão de texto e até de traducção, nalgum aspecto técnico. O que revela da parte de quem me o solicita, profissionalismo e preocupação em fazer bem! Um escritor ou traductor não tem de dominar todos os assuntos contidos no que escreve/traduz, mas um profissional sério e avisado saberá colmatar essas lacunas pedindo conselho a alguém que os domine, e, encontra essas pessoas até em instituições.
    Interessante pois esta informação que desconhecia por completo!
    Quanto ao Francisco Agarez, saúdo-o desde aqui da Cidade Morena, pois é deveras um excelente traductor e uma garantia de qualidade numa edição portuguesa!

    Votos de um Extraordinário fim de semana, com muitas e boas leituras, traduzidas ou originais, são os votos para todos desde a Cidade Morena!

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    1. traducção
      Ó Paxeco não achas que estás a ser mais papista do que o Papa?

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    2. Achas?
      Não sei, francamente.
      Se exagerei, terás (terão) de me desculpar, sabes que sou sincero.

      Abraço e um fim de semana Extraordinário!

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    3. Ó caro amigo Paxeco refiro-me apenas à palavra tradução -já viste como a escreveste -traducção em vez de tradução? deves ter-te distraído, ou não?

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    4. Ah!!!!
      Isso, ora, entusiasmei-me... não sigo o NAO e às vezes acontece, a gente já não sabemos...

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  2. Bom dia com alegria

    A partilha - essa é, também, uma das vantagens de ler este blog!

    Saúde, boas leituras e bom fds
    cp

    PS: Excerto do que ando a ler:

    "- Nesta direcção - disse o Gato, erguendo a pata direita - vive um Chapeleiro e naquela direcção - erguendo a outra pata - vive uma Lebre de Março. Visita o que mais te agradar: são ambos malucos!
    - Mas eu não quero ir para o meio de gente maluca - disse Alice.
    - Oh! Não podes evitá-lo - disse o Gato. - Aqui somos todos malucos. Eu sou maluco. Tu és maluca!
    - Como é que sabes que eu sou maluca?, perguntou Alice.
    - Deves ser! - respondeu o Gato - se não fosses não tinhas cá vindo ter"

    Alice no País das Maravilhas - Lewis Carroll

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    1. Adoro estes diálogos!
      A lebre de Março, tem aliás uma explicação que fui copiar e aqui partilho:
      "Mad as a March hare " é uma frase comum em inglês, tanto agora como na época de Carroll, e aparece na coleção de provérbios de John Heywood publicada em 1546. É relatado em The Annotated Alice por Martin Gardner que este provérbio se baseia na crença popular sobre o comportamento das lebres no início da longa temporada de reprodução, que vai de Fevereiro a Setembro na Grã-Bretanha.
      (sic)

      Por outro lado recordo uma famosa tirada do célebre Groucho Marx (sou fã absoluto deste outro "maluco") - Eu jamais pertenceria a um clube que me aceitasse para sócio!
      Isto sim, é exclusividade e assumpção!!!!
      (Ó Severino... escrevi bem?) ahahah!

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