Pessoa e a sua casa
Amanhã, a Casa Fernando Pessoa faz vinte e oito anos e muitas coisas mudaram lá dentro e cá fora desde aquele dia de 1993 em que as portas da casa de Campo d'Ourique em que Fernando Pessoa viveu se abriram ao público pela primeira vez para mostrar vários objectos que pertenceram ao poeta maior, bem como móveis e livros. Pela direcção da casa, passaram pessoas com ideias muito diferentes, como Manuela Júdice, Clara Ferreira Alves, Francisco José Viegas, Inês Pedrosa e, hoje, Clara Riso, que imprimiram à casa a sua marca pessoal e desenvolveram importantíssimos projectos (a digitalização da obra de Pessoa foi um deles e devemo-lo à escritora Inês Pedrosa). Desde há uns dias que se iniciaram as comemorações com uma oficina online sobre leitura em voz alta, orientada por Teresa Lima, especialmente dedicada a pessoas sem experiência na matéria. E amanhã a entrada na exposição da Casa Fernando Pessoa será gratuita e haverá visitas guiadas, algumas delas com interpretação em Linguagem Gestual. Ao fim da tarde, com a presença de Manuela Nogueira, sobrinha de Pessoa, haverá leitura de poemas por Ângela Pinto. Parabéns!
P. S. Amanhã também, de acordo com o que se vem tornando costume há alguns anos, o Museu da Farmácia organiza uma sessão sobre o que vamos poder ler em 2022. Abaixo o cartaz.

Fernando Pessoa, é simplesmente fascinante, a sua obra, e, o homem que é um mistério.
ResponderEliminarMas sobretudo a obra que julgo leva uma vida inteira para ser conhecida e pela rama, pois o que encerra é deveras Extraordinário.
Nunca visitei a casa, confesso. Mas visito a obra dele e lembro uma das suas muitas afirmações que me parece adequar-se a tantos de nós:
"Com uma tal falta de gente coexistível, como há hoje, que pode um homem de sensibilidade fazer senão inventar os seus amigos, ou quando menos, os seus companheiros de espírito?" (sic)
E com esta vos deixo, saudando cá da Cidade Morena!
Antonio, sou brasileira, mas alma gêmea de Fernando Pessoa. Estou lendo pela terceira vez O LIVRO DO DESASSOSSEGO.
EliminarAssino embaixo da frase que você publcou do nosso Pessoa.
Já que o tema de hoje é Fernando Pessoa, Luiz Pacheco, em Janeiro de 1959, editou o livro de Mário Sacramento «Fernando Pessoa, Poeta da Hora Absurda». Conta Pacheco no seu «Memorando, Mirabolando»: «Nunca vi o dr. Mário Sacramento, apenas fotos suas nos jornais. Durante a atribulada edição do livro, que demorou anos [entre 1953 e 1959], apenas nos correspondíamos por carta e ele tanto me remetia o original e provas de Aveiro como do Forte de Caxias, nas muitas perseguições que a PIDE lhe moveu.»
ResponderEliminarConta a lenda (e John Ford era um defensor de publicação de lendas) que Mário Sacramento, preso nos calabouços da PIDE em Caxias, escreveu o livro sobre o Fernando Pessoa, servindo-se apenas da memória.
Interessante apontamento!
EliminarAbraço cá da Cidade Morena.
Fernando Pessoa viveu em muitas casas de Lisboa e não teria sido da janela desta Casa que avistava a Tabacaria, mas...
ResponderEliminar"Vou à janela./O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?)/Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica./(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)/Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me./Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves! e o universo/Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
Obrigado Maria do Rosário Pedreira.
ResponderEliminarUm abraço do João Baptista
É Língua Gestual que se diz.
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